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Mudança

Veja o que muda com as novas regras da vacina contra meningite no SUS

Imunização amplia proteção contra quatro sorogrupos da doença

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Veja o que muda com as novas regras da vacina contra meningite no SUS
Crianças a partir de 12 meses já podem receber a vacina ACWY no SUS, reforçando a proteção contra quatro tipos de meningite Foto ilustrativa: Valter Campanato por Agência Brasil.

 

 

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Desde o início desta semana, o Sistema Único de Saúde (SUS) implementou uma mudança significativa no calendário vacinal infantil. As crianças a partir de 12 meses já podem receber a dose de reforço da vacina meningocócica ACWY, ampliando a proteção contra a meningite no Brasil. Até então, o reforço nessa faixa etária era feito apenas com a vacina meningocócica do tipo C.

 

A nova estratégia visa aumentar a defesa contra a doença, pois a ACWY protege contra quatro sorogrupos de bactérias: A, C, W e Y. Segundo o Ministério da Saúde, a substituição tem como objetivo oferecer uma cobertura mais ampla, diante da circulação desses diferentes tipos de meningococos no país.

 

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Esquema vacinal atualizado

 

Com a mudança, o esquema completo de vacinação contra meningite, na rede pública, passa a seguir a seguinte sequência:

✔ Duas doses da meningocócica C, aplicadas aos 3 e 5 meses de idade;

✔ Reforço aos 12 meses com a meningocócica ACWY.

✔ Além disso, entre os 11 e 14 anos, o Ministério da Saúde recomenda que a ACWY seja aplicada, podendo ser em dose única ou como novo reforço, dependendo do histórico vacinal da criança ou adolescente.

 

É importante esclarecer que crianças que já tenham recebido as duas doses da vacina meningocócica C, além do reforço com a mesma vacina, não precisam tomar a ACWY neste momento. Já aquelas que não foram imunizadas aos 12 meses poderão receber a nova vacina como reforço.

 

 

Como é a vacina ACWY

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina meningocócica ACWY é inativada, ou seja, não contém organismos vivos e, portanto, não provoca a doença.

 

 

Sua única contraindicação é para pessoas que tenham apresentado anafilaxia (reação alérgica grave) após uma dose anterior ou após contato com algum componente da vacina.

 

A aplicação é feita exclusivamente por via intramuscular profunda. A SBIm orienta que a vacinação seja adiada caso a criança esteja com febre, até que haja melhora do quadro. Entre as orientações pós-vacina, destacam-se:

✔ Compressas frias para aliviar reações no local da aplicação;

✔ Uso de medicamentos para dor apenas sob orientação médica;

✔ Notificação imediata ao serviço de saúde em caso de sintomas graves ou inesperados após a vacinação;

✔ Investigação médica em sintomas adversos persistentes por mais de 24 a 72 horas;

✔ A ACWY pode ser aplicada simultaneamente à vacina meningocócica B, caso necessário.

 

 

Possíveis reações

 

A SBIm também divulga dados sobre os possíveis efeitos adversos após a vacinação. Em cerca de 10% das pessoas vacinadas, podem ocorrer:

✔ Inchaço, endurecimento, dor e vermelhidão no local da aplicação;

✔ Perda de apetite, irritabilidade, sonolência, dor de cabeça, febre, calafrios, cansaço e dor muscular.

✔ Já entre 1% e 10% dos vacinados, podem surgir:

✔ Sintomas gastrointestinais, como diarreia, vômito ou náusea;

✔ Hematomas grandes no local da aplicação;

✔ Erupções na pele e dores articulares.

 

Mais raramente, em 0,1% a 1%, há registros de:

✔ Insônia, choro persistente, sensibilidade diminuída da pele no local, vertigem, coceira, dores musculares, dores nas mãos e pés e mal-estar.

✔ E, em casos muito raros (0,01% a 0,1%), principalmente entre adultos, ocorre inchaço extenso do membro vacinado, às vezes envolvendo articulações ou todo o membro, geralmente associado a vermelhidão. A boa notícia é que, na maioria dos casos, as reações desaparecem em até 72 horas.

 

 

Cenário da meningite no Brasil

 

Em 2025, o Ministério da Saúde registrou 4.406 casos confirmados de meningite no Brasil. Desses:

  • 1.731 são do tipo bacteriana;
  • 1.584 do tipo viral;
  • 1.091 classificados como outras causas ou tipos não identificados.

 

Vale lembrar que a meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Pode ter causas infecciosas (bactérias, vírus, fungos, parasitas) ou não infecciosas, como em casos de câncer com metástase, lúpus, reações a medicamentos ou traumas na cabeça.

 

De acordo com o ministério, as meningites bacterianas são mais comuns no outono e inverno, enquanto as virais predominam na primavera e no verão.

 

Além da ACWY, outras vacinas disponíveis no SUS também ajudam a prevenir algumas formas de meningite, como:

  • BCG;
  • Penta;
  • Vacinas pneumocócicas 10, 13 e 23-valente.

 

A ampliação da vacina ACWY no calendário público é mais uma estratégia do governo para conter os casos de meningite, oferecendo maior proteção à população infantil e reduzindo os riscos de surtos no país.

 

Com informações: Agência Brasil.

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