Só querem justiça
Moradores do Oitis cobram justiça e novas casas; ‘o lugar é inabitável’
Sem retorno da Prefeitura, Caixa e Construtora, população exige cumprimento de sentença judicial e solução definitiva para o conjunto habitacional

Na última quinta-feira (24), o Plenário da Câmara de Araraquara se tornou palco de uma cobrança urgente por justiça, dignidade e moradia. Em uma audiência pública convocada pelo vereador Guilherme Bianco (PCdoB), por meio do Requerimento nº 1081/2025, moradores e ex-moradores do Conjunto Residencial Oitis, no Jardim Iguatemi, denunciaram o descumprimento de uma sentença judicial que determinava ações reparadoras no conjunto habitacional.
A reunião foi marcada por depoimentos emocionantes e denúncias graves sobre as condições de vida no condomínio, entregue em 2011 a 256 famílias, por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida.
Financiadas em dez anos, as unidades habitacionais deveriam ser um marco de segurança e dignidade. Mas para muitos, tornaram-se um símbolo de abandono e risco.
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Em 2018, os moradores acionaram a Justiça por conta de problemas estruturais graves, ausência de vistoria do Corpo de Bombeiros e falta de infraestrutura básica. Em fevereiro de 2025, uma sentença determinou que a Prefeitura, a Construtora Itajaí e a Caixa Econômica Federal disponibilizassem novos imóveis, realizassem reparos nas unidades existentes e implantassem um Projeto de Trabalho Social (PTS).
No entanto, segundo os relatos apresentados na audiência, nada foi feito até agora.
“O lugar é inabitável”, dizem moradores
Durante a audiência, os depoimentos deixaram evidente o sofrimento diário enfrentado pelos moradores. “Lá é um lugar inabitável. Não tem extintor, não tem corrimão, só infiltração, rachaduras. E ninguém nos dá respostas”, denunciou a moradora Kele Cristina, destacando ainda o preconceito que carrega por morar no local, apelidado nas redes e nas ruas de “Carandiru”.
“Eu sou digna de respeito como qualquer um. Só quero justiça”, disse Kele, emocionada.

Moradores participaram da audiência pública; ‘ Infiltração, teto caindo, esgoto entupido, roubo e até animais peçonhentos’.
Medo, dor e fuga
A moradora Vanessa compartilhou uma perda trágica: o marido e a filha morreram no Oitis. “Como eu volto para lá? E se eu perder mais um filho para as drogas ou por um tiro perdido?”, questionou, apontando o ambiente de insegurança e violência.
Renata Marques dos Santos reforçou o cenário: “Quem teve condições de sair, saiu. Eu pago aluguel com muita dificuldade, porque não tinha mais como criar meus filhos lá.”
o ex-morador Manoel lamentou a decadência do que um dia foi um projeto promissor: “Eu vi nascer, vi crescer e estou vendo morrer. Infiltração, teto caindo, esgoto entupido, roubo e até animais peçonhentos. A gente só quer sair com dignidade.”
Audiência exige ações e presença do poder público
A ausência dos representantes da Caixa Econômica Federal, da Construtora Itajaí e da Prefeitura foi duramente criticada. Entre os convidados, apenas o defensor público Matheus Bortoletto justificou a ausência. A falta de resposta direta dos responsáveis aumentou a sensação de abandono, segundo os participantes.
O vereador Guilherme Bianco foi direto: “Vocês ganharam. Têm o direito. Queremos justiça, resposta e dignidade para viver em paz.” A proposta é seguir com pressão institucional e realizar reuniões com os envolvidos, além de sugerir que os moradores ocupem a Tribuna Popular da Câmara para tornar os relatos públicos de maneira mais ampla.
Sentença judicial: o que foi determinado
A sentença emitida em fevereiro de 2025 estabeleceu:
✔ Disponibilização de novas moradias aos moradores regulares;
✔ Reparos estruturais em todas as unidades com vícios de construção;
✔ Recuperação da infraestrutura do conjunto residencial;
✔ Implantação de um Projeto de Trabalho Social (PTS) no local.
Essas responsabilidades foram divididas entre Prefeitura, Caixa e Construtora, que até o momento não apresentaram ações concretas ou prazos definidos.
Com informações: Câmara Araraquara.
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