Sem recurso?
Cancelamento do FIDA 2025 gera críticas e amplia debate sobre cultura em Araraquara
Prefeitura alega falta de recursos para não realizar o tradicional festival de dança

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A Prefeitura de Araraquara confirmou oficialmente, por meio de nota à imprensa, que a 25ª edição do Festival Internacional de Dança de Araraquara (FIDA) não será realizada neste ano de 2025.
A justificativa apresentada pela administração municipal, por meio da Secretaria da Cultura e da Fundação de Arte e Cultura do Município de Araraquara (Fundart), foi a falta de recursos financeiros suficientes para garantir a realização do evento com a qualidade necessária.
“A decisão foi tomada com muito pesar, diante da falta de recursos financeiros suficientes para garantir a realização do evento com a qualidade e o respeito que ele merece”, declarou a Prefeitura.
Ainda segundo o comunicado, houve tentativas de parcerias e outras formas de viabilização, mas nenhuma delas obteve êxito. O festival, tradicional no calendário cultural da cidade, não acontecerá pela primeira vez em mais de duas décadas.
Apesar do cancelamento, a Prefeitura destacou o reconhecimento à importância do festival para o desenvolvimento artístico e cultural da cidade: “O FIDA sempre foi uma referência no cenário da dança e da cultura, valorizando artistas locais, nacionais e internacionais, e contribuindo significativamente para o acesso à arte e à formação de público.”
“Mesmo diante das dificuldades, continuaremos buscando caminhos para fortalecer as políticas culturais de Araraquara”, diz a nota.
Repercussão no meio artístico
O anúncio do cancelamento provocou forte reação da classe artística, que lamentou a perda de um espaço de referência nacional para a dança. Gilsamara Moura, artista, diretora e curadora de todas as edições do festival, criticou duramente a decisão. Em suas redes sociais, ela escreveu:
“O FIDA deixa de ser política pública, mas vai continuar. Sou resistência e não me abato com a ignorância de quem ronda, de quem quer destruir e de quem persegue quem faz!”
O comentário foi uma resposta a postagem compartilhada por Eliana Honain, veja:
Em outro trecho, Gilsamara compartilhou um posicionamento coletivo de artistas e entidades que acompanham a trajetória do evento:
“Recebi com pesar a notícia da suspensão do FIDA... A não realização de uma edição explícita os riscos de que esta ação relevante para o cenário da dança no Brasil possa sucumbir... Mais do que um evento, o FIDA é um portal de cidadania através da dança.”
A manifestação teve apoio de Rui Moreira, da Funarte, e de Dulce Aquino, representante do Fórum Nacional da Dança, que se manifestou em tom de indignação:
“Um absurdo. Este festival cumpria um importante papel de atualização da dança como expressão artística contemporânea; fator de coesão social; espaço formativo e de fruição em dança; política pública exemplar como direito do cidadão à cultura e às artes. Lamentável!”
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Reações nas redes e mobilização popular
O cancelamento rapidamente repercutiu nas redes sociais, e a hashtag #ofidacontinua ganhou força entre internautas e artistas que lamentaram a descontinuidade do projeto. Algumas mensagens destacaram o sentimento de frustração da comunidade cultural:
“Notícia triste mesmo. Bons projetos não deveriam ser descontinuados”
“Que pena, só destruição”.
“Esperar o quê?”
A ausência do FIDA neste ano também levanta questionamentos sobre a sustentabilidade das políticas públicas culturais em Araraquara, especialmente em um momento em que muitos municípios enfrentam desafios orçamentários, mas precisam manter espaços culturais vivos e acessíveis à população.
O legado do FIDA
O Festival Internacional de Dança de Araraquara é reconhecido nacionalmente como um evento de formação artística, inclusão e valorização da diversidade. Ao longo de suas 24 edições, o festival consolidou-se como uma plataforma de intercâmbio cultural e de acesso democrático à arte da dança. Para artistas, curadores e o público, o FIDA é mais do que uma vitrine: é um espaço de pertencimento e transformação.
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