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Envolvidos continuam presos

Documentos em contêiner e cena do crime alterada: decisão revela novos detalhes do caso de empresários de Araraquara

Justiça segura prisão de advogados; documentos revelam esquema de R$20 milhões

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Documentos em contêiner e cena do crime alterada: decisão revela novos detalhes do caso de empresários de Araraquara
Polícia encontrou corpos de José Eduardo e Rosana dentro de caminhonete; casal foi visto em companhia de um dos suspeitos.

 

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A investigação sobre o assassinato dos empresários José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 61, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (27), com a publicação de uma decisão judicial que reforça a gravidade do caso e a participação dos acusados. O casal foi encontrado morto dentro de sua caminhonete, em uma chácara localizada em São Pedro, em abril deste ano.

 

A decisão, assinada pelo desembargador Jayme Walmer de Freitas, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), manteve a prisão preventiva dos advogados Hércules Barroso e Fernanda Teixeira, apontados como mandantes do crime. Segundo o magistrado, a liberdade dos acusados poderia comprometer a coleta de provas e favorecer a combinação de versões de defesa.

 

 

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Alteração da cena do crime

 

Entre os pontos destacados, estão a alteração da cena do crime, a substituição da linha telefônica de um dos investigados e a descoberta de novos documentos em um contêiner alugado em nome de uma empresa ligada aos acusados.

 

Os materiais estavam relacionados às vítimas e, de acordo com a decisão, poderiam ter sido destruídos caso os réus estivessem soltos.

 

 

Risco de destruição de provas

 

Ainda de acordo com a decisão, os acusados já teriam praticado atos que atrapalharam a investigação, como modificar o local do crime. O desembargador não especificou quais mudanças foram realizadas, mas reforçou que a prisão era necessária para impedir a continuidade dessas ações.

 

Além disso, a quebra do sigilo telefônico permitiu identificar a presença física dos investigados na área da Estância Morro Verde, local onde o casal teria sido morto. Uma testemunha afirmou ter visto um casal acompanhado de dois homens, entre eles Carlos Cesar Lopes de Oliveira, conhecido como Cesão, poucos dias antes do crime. Outra testemunha, em caráter sigiloso, declarou ter visto Carlos junto de José Eduardo Pavan.

 

 

Documentos encontrados em contêiner

 

Outro fator que pesou para a manutenção da prisão foi a localização de documentos em um contêiner alugado. O desembargador relatou que os papéis estavam em nome de José Eduardo Pavan e tinham relação direta com as investigações. Não foi detalhado, porém, o conteúdo específico do material.

 

Segundo a decisão, a descoberta reforça a necessidade da prisão, já que os documentos poderiam ser destruídos se os acusados estivessem em liberdade.

 

A defesa dos advogados ingressou com habeas corpus para tentar reverter a decisão, alegando que o Código de Processo Penal prevê medidas cautelares alternativas à prisão, com o mesmo objetivo de garantir a ordem pública e a instrução processual.

 

 

O crime

 

José Eduardo e Rosana desapareceram no dia 4 de abril, quando saíram de Araraquara em direção a São Pedro, onde possuíam propriedades rurais. No trajeto, fizeram uma parada em um sítio, também de sua propriedade, onde foram vistos em companhia de um dos suspeitos.

 

Dois dias depois, em 6 de abril, a caminhonete do casal foi localizada em uma chácara da região. Dentro do veículo estavam os corpos: José Eduardo, na cabine, com duas perfurações no tórax, e Rosana, na caçamba, com as mãos amarradas e um tiro no peito.

 

 

As circunstâncias no local chamaram a atenção da polícia: o alarme da residência não havia sido desativado, o carro apresentava sinais de que não havia sido dirigido pelas vítimas e um cooler com alimentos perecíveis permanecia intacto.

 

 

Esquema milionário

 

De acordo com a investigação da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de Piracicaba, os assassinatos foram planejados como parte de um esquema para apropriação do patrimônio das vítimas, estimado em até R$ 20 milhões.

 

Segundo a polícia, os advogados Hércules Barroso e Fernanda Teixeira, que trabalhavam para as vítimas há mais de 10 anos, teriam falsificado documentos, cobrado custas processuais inexistentes no valor de R$ 2,8 milhões e se apropriado de imóveis que somam cerca de R$ 12 milhões.

 

A Deic descreveu o esquema como um processo em duas etapas: primeiro, a dilapidação do patrimônio, por meio de falsificações e transferências de bens sob o argumento de “blindagem patrimonial”; depois, a execução física das vítimas.

 

 

Participação dos acusados

 

Além dos advogados, outras cinco pessoas foram presas:

 

Carlos Cesar Lopes de Oliveira (Cesão): motorista particular, que tentou se candidatar a vereador em São Carlos em 2024, mas teve a candidatura barrada por ausência de certidões criminais. É apontado como um dos executores do crime.

 

 

Ednaldo José Vieira (Índio): de 54 anos, possui antecedentes criminais e, segundo a polícia, também participou da execução do casal. Ambos teriam recebido a promessa de recompensa milionária.

 

 

Alex Severino de Lira (29 anos), seu pai José Severino de Lira (60 anos, conhecido como Saúde) e Carlos José do Amaral (Cacá, 39 anos): investigados por fornecer a arma usada nos homicídios. Durante buscas, a polícia apreendeu a pistola.

 

 

Acusações formais

 

 

Todos os sete acusados foram denunciados por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso, ocultação de cadáver e fraude processual.

 

A defesa dos advogados insiste que seus clientes colaboraram com as investigações e que a prisão preventiva não seria necessária. No entanto, até o momento, a Justiça tem mantido a medida, considerando a complexidade e a gravidade do caso.

 

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