Segurança Pública
Saída de comandante, denúncias de assédio e novo líder: entenda a crise na GCM de Araraquara
Exoneração de Danilo Soler, acusações contra secretário e nomeação de sucessor expõem turbulência no governo Lapena

A Guarda Civil Municipal (GCM) de Araraquara enfrenta uma crise na gestão do prefeito Lapena. O então comandante Danilo Soler deixou o cargo, após oito meses à frente da corporação, denunciando perseguições e assédio moral. A exoneração foi oficializada pela Prefeitura nesta quinta-feira (18), em edição extraordinária dos Atos Oficiais.
Em nota publicada nas redes sociais, Soler afirmou que sua saída não ocorreu por falhas técnicas ou de desempenho, mas por divergências de princípios. Ele declarou que não aceitou perseguições a servidores, “situações que ferissem o interesse público, nem a lógica da vaidade política em detrimento do trabalho sério”.
Também criticou supostas mentiras e distorções em programas fundamentais, como a Patrulha Maria da Penha, o Câmera Cidadã e a Muralha Paulista, que, segundo ele, precisam ser conduzidos com transparência. O ex-comandante destacou que, durante sua gestão, a corporação alcançou resultados inéditos, sendo reconhecida pela imprensa, pela população e por estatísticas de atuação. "Nunca em sua história a GCM esteve em tanto destaque positivo", escreveu.
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Apoio interno e pedidos de exoneração
Soler afirmou ainda que toda a cadeia de comando formada por cargos de carreira, subcomandante, corregedoria e inspetores, também pediu exoneração em solidariedade, reforçando que não concordam com a postura do secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana, Adalberto José Ferreira.
Segundo o SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região), cinco dos seis GCMs que ocupavam cargos de confiança, entre eles o subcomandante e inspetores, entregaram seus cargos junto com Soler. Apenas um inspetor decidiu permanecer na função. A situação deixou a GCM sem comando pela primeira vez em seus 24 anos de existência.
Em documento enviado à Prefeitura, os guardas relataram “ingerências diretas e recorrentes” do secretário, que teriam prejudicado a autonomia administrativa e operacional da corporação, comprometendo o pleno exercício de suas atribuições.
Denúncia de assédio e ação do sindicato
O caso foi denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) na tarde desta quinta-feira (18), e o SISMAR garantiu que os demais episódios semelhantes também serão reportados. O Sindicato classificou a exoneração como mais um caso de perseguição a servidores. Para o sindicato, o governo municipal utiliza o assédio como ferramenta de gestão, retaliando trabalhadores e comprometendo setores inteiros.
“O assédio no ambiente de trabalho traz consequências trágicas não só para a vítima, mas para todo o setor e inclusive gera gastos para o Estado, com afastamentos e ações judiciais, disse.
O sindicato ainda lembrou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconheceu, em 2019, por meio da Convenção 190, a violência e o assédio como violações de direitos humanos.
Nomeação de novo comandante
Com a saída de Soler e de parte da cúpula da GCM, a Prefeitura de Araraquara publicou a Portaria nº 30.354, de 18 de setembro de 2025, nomeando Sírio Santos Magalhães Júnior para assumir o comando da corporação.
O documento, assinado pelo prefeito Luís Cláudio Lapena Barreto, determina a nomeação de Magalhães Júnior para a função de confiança de Comandante Geral da Guarda Civil Municipal, vinculado à Secretaria Municipal de Assuntos de Segurança e Mobilidade Urbana.

A portaria também informa que a nova determinação passa a valer a partir de sua publicação. A nomeação busca restabelecer a liderança da GCM após a crise interna. No entanto, diante das denúncias e da solidariedade expressa por parte da corporação ao ex-comandante, o clima dentro da instituição permanece de tensão.
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