Educação integral
‘Nenhuma escola vai fechar em Araraquara’, garante secretário da Educação
Fernando Diana explica que mudanças não têm relação com cortes orçamentários

O possível fechamento de escolas de ensino integral ainda repercute em Araraquara. Entre as unidades mencionadas estão a EMEF Gilda Rocha de Mello e Souza, no Jardim Indaiá; o CER Caic Rubens Cruz, no Selmi Dei; o CER Jacomina Filippi Sambiase, no Jardim Universal; e o CAEE Marisa Góes Wanderley, na Barroso.
O Secretário Municipal da Educação, Fernando Diana, garantiu que as mudanças não têm relação com cortes orçamentários. “Foi uma decisão com fins pedagógicos”, afirmou a uma emissora de rádio da cidade. Veja a entrevista.
Segundo ele, trata-se de um processo de readequação estrutural e organizacional para aprimorar o atendimento aos estudantes.
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Estrutura e contraturno
Diana explicou que na EMEF Gilda Rocha, o principal motivo da mudança é a estrutura física inadequada. “O espaço do contraturno das crianças da EMEF Gilda não é apropriado para os trabalhos dos profissionais. É uma casa adaptada, mas faltam algumas coisas. A estrutura física não é adequada”, destacou.
Ainda segundo o secretário, os alunos que frequentam o contraturno serão realocadas. “As crianças serão deslocadas e depois devolvidas para a unidade. É uma readequação”, garantiu.
Reorganização e permanência dos alunos
O secretário enfatizou que o objetivo é fortalecer o trabalho pedagógico nos centros de educação do município.
“Uma das intenções com essa proposta é aumentar a quantidade de pré-adolescentes e adolescentes em nossos centros de educação. Estamos organizando para que as crianças fiquem quatro anos no CEC Aléscio Gonçalves dos Santos e na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira e que permaneçam neste contraturno”, explicou.
Fernando Diana também rebateu informações que circulam sobre o encerramento do atendimento nas escolas. “Não procede esta informação de que não terá atendimento”, afirmou.
Mudanças no CAIC Rubens Cruz
Em relação ao CAIC Rubens Cruz, o secretário assegurou que as famílias não terão prejuízos com a mudança.
“Para as famílias isso não vai mudar em nada. As crianças vão descer uma escada, isto que separa as duas unidades, e vão receber o atendimento no Rubens Cruz I, dentro da estrutura pensada para atendimento de 0 a 5 anos, educação infantil.”
De acordo com Diana, o processo foi planejado para manter o atendimento em 2026. “Estou garantindo que nós fizemos a organização das escolas para 2026 e todas as famílias da Zona Norte, que fizeram a inscrição para educação 2026, serão atendidas”, assegurou.
O secretário também detalhou a capacidade das unidades do Selmi Dei. “Nós temos 100 crianças do Selmi Dei matriculadas no Rubens Cruz II e 100 no Rubens Cruz I. O CER comporta com tranquilidade 300 crianças, então a ideia é pegar esses 100 (Rubens Cruz I), levar para (Rubens Cruz II), uma escola pensada para o atendimento da educação infantil e fazer essa unificação. As duzentas crianças”, explicou.
Outras unidades e continuidade
Diana reforçou que nenhuma escola será fechada. “Nós não vamos fechar o Caic, não vamos fechar o Jacomina, não vamos fechar o Ranchinho. O que se trata são readequações para melhoria da prática pedagógica”, disse.
Sobre o CER Jacomina Filippi, localizado no Jardim Universal, o secretário informou que a unidade seguirá em funcionamento. “O bairro cresceu muito, e o Jacomina I não comporta todas as crianças. Manteremos o Jacomina II aberto”, afirmou.
Em relação ao CAEE Marisa Góes Wanderley, Fernando Diana garantiu que o centro continuará ativo até que toda a rede esteja preparada para atender alunos com deficiência diretamente nos centros educacionais. “Quando todas as escolas tiverem professores de educação especial, o CAEE deixará de ser necessário — mas isso pode levar anos”, destacou.
Repercussão na Câmara Municipal
A situação ganhou repercussão na Câmara de Araraquara. Durante a última sessão, vereadores da base governista deixaram o plenário enquanto Cleidemar Marques de Souza, pai de uma aluna da EMEF Gilda Rocha, utilizava a Tribuna Popular para protestar contra o possível fechamento das escolas integrais.
O gesto foi criticado por parlamentares da oposição. Cleidemar fez um apelo emocionado: “Nós (pais) somos a esperança dessas crianças”. Ele classificou o fechamento das escolas como um “retrocesso” e disse que “fechar escolas é pior do que uma bomba atômica”.
O morador também destacou os impactos positivos que a escola integral trouxe para a filha. “Ela faz teatro, gosta de ler, não fica só no celular. A escola incentiva a pensar. O filho do rico pode, e o filho do pobre não? O governo quer filhos sem pensamento crítico?”
Secretário será convocado
Vale lembrar que na mesma sessão foi aprovado o requerimento de convocação do secretário para prestar esclarecimentos formais sobre as readequações. O pedido foi apresentado pela vereadora Maria Paula e deverá ser atendido nas próximas sessões legislativas.
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