‘Fechem biqueiras e não escolas’, diz pai contra possível encerramento de período integral em Araraquara

A proposta, segundo o secretário da Educação, é para 2026; pais e sindicato cobram explicações sobre o futuro das unidades.

Por Cassiane Chagas -
6 Min

‘Fechem biqueiras e não escolas’, diz pai contra possível encerramento de período integral em Araraquara
Segundo o secretário da Educação, a proposta de reorganização é para 2026 e visa melhorar as condições estruturais / Foto: Prefeitura Araraquara.

 

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O possível fechamento do período integral em algumas unidades escolares de Araraquara tem gerado grande mobilização de pais, responsáveis e servidores. Cartazes e frases de desabafo foram levados para uma dessas escolas, onde ocorreu reunião, seguida de manifestações em defesa da manutenção do ensino integral. 

 

Entre as unidades envolvidas na polêmica estão a EMEF Gilda Rocha de Mello e Souza, no Jardim Indaiá; o CER Caic Rubens Cruz Prefeito, no Selmi Dei; o CER Jacomina Filippi Sambiase, no Jardim Universal; e o CAEE Marisa Góes Wanderley, na Barroso.

 

Pais e responsáveis pedem explicações e afirmam que o fechamento ou transferência do atendimento integral traria prejuízos para as famílias. Em um dos momentos mais marcantes do protesto, um pai expressou sua indignação com a frase: “Feche biqueiras e não escolas! Joga lá, abandona lá. Eu estou envergonhado com Araraquara.”

 

Outra mãe também demonstrou preocupação. “Eu acho um absurdo, porque a gente não tem onde deixar as crianças. Lá no Aléscio já tem a quantidade certa, imagina agora com mais crianças indo para lá. Como mães, estamos muito preocupadas. Nos cartazes, as mensagens reforçavam o pedido da comunidade: “Melhore a escola e não feche”, “Aqui temos nossos direitos e vocês estão tirando”, e “Não somos objetos para sermos tratados assim.”

 

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O que diz a Prefeitura

O secretário da Educação, Fernando Diana, explicou que a proposta de reorganização é para 2026, e não para este ano. Segundo ele, a medida busca adequar o atendimento e garantir melhores condições estruturais.

 

Nós não vamos fazer isso para amanhã. A proposta é para 2026. Passamos todo o primeiro semestre tentando buscar soluções e espaços adequados. Não é uma decisão abrupta. As crianças vão finalizar o ano no local atual.

 

De acordo com Diana, existem três modelos de educação integral na rede municipal:

  1. Estudantes que permanecem na escola o dia todo (como nas EMEFs Edmilson e José Roberto Camargo);
  2. O modelo de contraturno em centros de educação (como Piaquara, Fundecitrus e Escola Municipal de Dança);
  3. O modelo de contraturno dentro da própria escola, adotado por unidades como Henrique Scabello, Caic do Vale do Sol e o próprio Gilda Rocha.

 

 

O prédio do Gilda Rocha não é adequado para atender em contraturno, pois se trata de uma casa adaptada. Há riscos estruturais, como escadarias e piscina. Se uma criança se machuca, como responderíamos judicialmente?”, questionou o secretário.

 

Segundo ele, o plano é construir um centro de educação na região do Indaiá, para abrigar o ensino integral. Para as crianças possam ser acolhidas dentro dentro do seu bairro ou o mais próximo de suas casa”.

 

 

Enquanto isso, as crianças serão atendidas nos centros Aléscio e na Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, com transporte garantido.

 

O secretário reforça que o período integral do Gilda não vai acabar. “As vagas estarão garantidas para todos os estudantes em 2026, em uma das duas unidades — Aléscio ou Escola de Dança. O transporte por ônibus continuará sendo oferecido, como já ocorre com alunos que frequentam essas unidades”. Ele acrescenta ainda que “não se trata de medidas radicais. Tudo foi construído ao longo deste ano para ser colocado em prática em 2026”.

 

Situação dos outros centros

 

 

O CER do Caic Rubens Cruz II, no Selmi Dei, também passa por readequações. Dentro do CAIC temos três espaços. A educação integral foi transferida para o ‘Ranchinho’ para melhor atender a educação infantil. Foi uma decisão acertada, o prédio foi pensado para isso.

 

Sobre o CER Jacomina Filippi, no Jardim Universal, o secretário afirmou que a unidade continuará funcionando. “O bairro cresceu muito, e o Jacomina I não comporta todas as crianças. Manteremos o Jacomina II aberto”.

 

A população tem que entender que nenhuma criança vai deixar de ser atendida. A lei garante isso. Nosso objetivo é ampliação do atendimento.

 

Em relação ao CAEE Marisa Góes, Fernando Diana disse que o centro continuará funcionando até que a estrutura da rede esteja pronta para atender alunos com necessidades especiais diretamente nos CERs. Quando todas as escolas tiverem professores de educação especial, o CAEE deixará de ser necessário — mas isso pode levar anos.

 

Esse movimento é feito devagar. A gente precisa adaptar o prédio, contratar professores de educação especial para atender todos os nossos CERs”.

 

 

O secretário também mencionou que há 11 CERs na zona Norte e que parte deles passou por ampliações recentes. Se conseguirmos reorganizar o atendimento de forma que todos os alunos sejam acolhidos adequadamente em um único centro, faremos isso — sempre garantindo o acesso e o transporte.

 

 

Reação do sindicato

 

O SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) divulgou uma nota criticando a falta de diálogo com a Prefeitura. Segundo o sindicato, o governo vai fechar pelo menos quatro unidades escolares para 2026 sem dialogar com a população, os servidores e o sindicato.” A entidade afirmou ainda que não recebeu respostas a dois ofícios enviados à Secretaria da Educação solicitando esclarecimentos.

 

Educadores estão apreensivos, sem informações oficiais. Toda comunicação ocorre de forma extraoficial, por boatos de corredores.

 

O SISMAR defende que qualquer reorganização deve ocorrer com transparência, ética e respeito aos direitos da população e dos servidores”.
 

 

As pessoas precisam saber, com antecedência, quais mudanças serão impostas em suas vidas. Além disso, é preciso garantir estrutura adequada e condições dignas de trabalho e atendimento.

 

Em resposta, o secretário Fernando Diana afirmou que “criam-se polêmicas desnecessárias, pois nada está decidido sobre fechamento de centros. Tudo dependerá da organização para o atendimento de 2026.

 

 

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