Saúde pública
FURP planeja megaprodução de remédios com Butantan, diz Governo de SP
Unidades de Américo Brasiliense e Guarulhos poderão alcançar até 3 bilhões de unidades por ano

A produção de medicamentos da Fundação para o Remédio Popular (FURP), laboratório farmacêutico público oficial do Estado de São Paulo, poderá atingir um novo patamar nos próximos anos. Com a proposta de integração ao Instituto Butantan, apresentada pelo Governo de São Paulo, a capacidade produtiva das unidades de Guarulhos e Américo Brasiliense poderá alcançar até 3 bilhões de unidades por ano.
Atualmente, a fábrica de Guarulhos produz cerca de 400 milhões de unidades anuais, mas possui estrutura para fabricar até 3 bilhões. A unidade de Américo Brasiliense, de acordo com o Governo de SP, encontra-se paralisada, mas com a pretensão de reativá-la.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, o objetivo é reativar a fábrica de Américo Brasiliense e ampliar significativamente sua operação. “Funcionários não serão demitidos. Queremos que a fábrica de Américo Brasiliense funcione e volte à sua carga máxima. Com o número de funcionários que temos hoje, isso não será possível, então na realidade vai se contratar mais e com solidez”, afirmou o secretário.
O Projeto de Lei Complementar 49/2025, de transição de comando da FURP para o Instituto Butantan foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e deverá ser debatido nos próximos dias. De acordo com o governo, todos os colaboradores da FURP serão mantidos, e o portfólio atual de 30 medicamentos continuará sendo produzido, com previsão de expansão gradual para até 100 medicamentos no futuro.
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Reativação da fábrica em Américo Brasiliense
A nova estrutura administrativa permitirá que a produção aumente de forma escalonada, aproveitando melhor a infraestrutura e os recursos humanos das duas unidades. A proposta inclui ainda a criação de uma área de pesquisa e desenvolvimento, ampliando o papel da FURP na inovação de medicamentos sob a coordenação do Instituto Butantan.
Audiência pública e reação dos servidores
Apesar das promessas de avanço e manutenção dos empregos, a proposta do governo gerou apreensão entre os servidores da FURP. Na última terça-feira (21), uma audiência pública foi realizada na Alesp para debater o projeto, que prevê a extinção da fundação e a transferência de suas funções ao Instituto Butantan. O encontro reuniu funcionários da FURP, parlamentares e representantes do governo, entre eles o próprio Eleuses Paiva, o diretor-presidente do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, e o superintendente da FURP, Rogério Affonso.
Durante a reunião, servidores expressaram preocupação com o futuro de seus cargos e a possível perda da identidade da instituição. O servidor Alexander Caetano destacou a importância do trabalho desenvolvido. “O nível de confiança dos medicamentos da FURP é altíssimo a nível nacional e internacional. O servidor, por muitas vezes, não tem a confiança do Governo do Estado pelo seu trabalho. O que a gente precisa é de reconhecimento e não desmanchar o nome da FURP”, declarou.
Governo reforça compromisso com expansão
Em resposta, o secretário Eleuses Paiva reforçou que não haverá demissões e que o plano é expandir a atuação da unidade de Américo Brasiliense. O presidente do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, também defendeu a proposta, afirmando que a integração representa uma “excepcional oportunidade de ampliar o leque de inovações e produtos via Sistema Único de Saúde (SUS)”, beneficiando a população paulista e brasileira.
De acordo com o Governo do Estado, o processo de transição já se encontra em fase final de planejamento, conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde em parceria com as duas instituições. Com a mudança, o Instituto Butantan consolidará seu papel estratégico não apenas na produção de vacinas e soros, mas também na fabricação de medicamentos destinados à rede pública de saúde.
Com informações: Agência SP.
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