Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Publicidade
MRV — Residencial Flora (2)
Publicidade

COMPILADO HISTÓRICO 2

23 vezes que Araraquara moldou a história do Brasil e do mundo - PARTE 2

A Lava Jato que prendeu Lula, a Vaza Jato que "anulou" a Lava Jato e o 8 de janeiro que pode prender Bolsonaro, são os mais recentes

Willian Oliveira|· 7 min de leitura
23 vezes que Araraquara moldou a história do Brasil e do mundo - PARTE 2
Araraquara é o centro do mundo? O que acha?

11. Versão brasileira, Herbert Richers

Araraquara é o berço de Herbert Richers (1923–2009), o empresário e produtor que se tornou uma figura lendária e fundamental para a indústria audiovisual brasileira, sendo o responsável por popularizar a dublagem no país. 

Nascido na Morada do Sol em 11 de março de 1923, Richers mudou-se para o Rio de Janeiro, onde fundou a Herbert Richers S.A. em 1950. 

Inicialmente, a empresa atuava na distribuição de filmes, mas logo se especializou na dublagem, tornando-se a maior e mais influente do Brasil por décadas.

Herbert Richers é nascido em Araraquara
Herbert Richers é nascido em Araraquara

O estúdio de Richers foi o responsável por "abrasileirar" milhares de filmes, séries e desenhos animados, criando bordões e vozes icônicas que marcaram gerações. 

A famosa frase "Versão Brasileira: Herbert Richers" que antecedia as produções dubladas tornou-se um selo de qualidade e uma referência cultural imediata para milhões de brasileiros. 

A empresa foi pioneira ao adotar a dublagem em larga escala, permitindo que o público brasileiro tivesse acesso a produções internacionais com uma qualidade técnica e artística que, muitas vezes, superava a original.

12. Araraquara e a Revolução Constitucionalista de 1932

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 – levante armado liderado por São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas – Araraquara teve uma atuação destacada, desproporcional ao seu tamanho na época. 

Pesquisas em jornais e arquivos locais indicam que cerca de 528 homens araraquarenses alistaram-se para lutar nas frentes de combate. 

A cidade mobilizou recursos para a causa: realizou intensa arrecadação de fundos através de bônus patrióticos, coletou alimentos, forneceu armamentos e serviu como centro de treinamento de voluntários antes do envio aos campos de batalha.

Comunidades de imigrantes de Araraquara aderiram com entusiasmo ao esforço constitucionalista.

Italianos, espanhóis, portugueses e sírio-libaneses residentes na região uniram-se aos brasileiros natos, seja doando suprimentos ou pegando em armas. Ao todo, a Morada do Sol enviou 541 combatentes; seis não retornaram, tombando nos combates. São eles:

Bento de Barros
Diógenes Muniz Barreto
Joaquim Alves
Tenente Joaquim Nunes Cabral
José Cesarini
Waldomiro Machado
 

A Prefeitura reclamou seus corpos e erigiu, na avenida principal do Cemitério São Bento, o Mausoléu, onde foram enterrados os heróis da cidade. Posteriormente o monumento foi levado para a Avenida Bento de Abreu, onde está até hoje.

Monumento inicialmente estava no Cemitério São Bento, agora está na Bento de Abreu
Monumento inicialmente estava no Cemitério São Bento, agora está na Bento de Abreu

O fervor cívico também transpareceu nas ruas: manifestações públicas lotavam locais como a Praça Pedro de Toledo, a Avenida Portugal e o Largo da Prefeitura. 

Alto-falantes instalados no centro transmitiam boletins com "Notícias do Front" e liam cartas enviadas pelos araraquarenses nas trincheiras. 

A rádio local – PRD-4, inaugurada justamente em 1932 – tornou-se veículo de propaganda revolucionária, mantendo a população informada e engajada com boletins diários.

Casa Barbieri era ponto de encontro da população em busca de notícias do front
Casa Barbieri era ponto de encontro da população em busca de notícias do front

13. A chegada da ferrovia e o desenvolvimento do Interior Paulista (1885)

A conexão de Araraquara aos trilhos da Estrada de Ferro em 1885 foi um divisor de águas para o município e todo o oeste paulista. Até então isolada por precárias vias terrestres, a cidade passou a escoar com rapidez sua produção agrícola (sobretudo o café) rumo ao porto de Santos, alavancando a economia regional. 

O ramal ferroviário que atingiu Araraquara foi parte da expansão da Companhia Rio Claro, depois incorporada à Estrada de Ferro Araraquara (EFA).

O impacto da ferrovia foi tão significativo que Araraquara experimentou um surto de modernização urbana no início do século XX. Foi pioneira em várias frentes: primeira cidade do interior paulista a adotar ônibus elétrico (trólebus) para transporte coletivo, e agraciada com o título de "Cidade Mais Limpa das Três Américas" – honraria concedida num concurso continental de higiene urbana. 

Dia de festa para receber o primeiro trem em 1885
Dia de festa para receber o primeiro trem em 1885

O crescimento impulsionado pelos trilhos trouxe melhorias como iluminação pública elétrica, linhas de bonde, telefone e saneamento básico.

A ferrovia também deixou um legado cultural marcante. O principal time de futebol local, a Ferroviária (fundada em 1950), nasceu de iniciativa de funcionários da EFA – daí o nome e o apelido Locomotiva Grená. 

Na época, a Fonte destacou-se por uma curiosidade: era uma das poucas piscinas públicas do Brasil onde negros e brancos podiam nadar juntos sem segregação – fato notado pela imprensa esportiva como sinal de progresso social.

 

14. Polo universitário que formou lideranças nacionais (desde 1959)

A vocação de Araraquara para a educação superior manifestou-se no fim dos anos 1950. Em 1959, foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (FFCLA), oferecendo inicialmente os cursos de Química, Pedagogia e Letras. 

Nos anos seguintes, surgiram também faculdades de Ciências Econômicas, Farmácia e Odontologia na cidade. Esse conjunto de institutos isolados seria incorporado, em 1976, à recém-criada Universidade Estadual Paulista (Unesp), da qual Araraquara se tornou um dos campi fundadores.

A presença universitária transformou profundamente a cidade. Araraquara passou a atrair estudantes e pesquisadores de todo o país, irradiando conhecimento. 

Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara
Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara

A FFCLA, por exemplo, notabilizou-se nos anos 1960 como um foco de debates acadêmicos de alto nível – foi graças a ela que Sartre se interessou em visitar a cidade. Durante a ditadura, a universidade local foi também espaço de mobilização estudantil e de resistência cultural.

Ao longo das décadas, a Unesp-Araraquara formou gerações de profissionais e lideranças. Nas ciências, o Instituto de Química de Araraquara tornou-se referência internacional em pesquisa de materiais e tecnologias químicas, integrando redes globais de inovação. Hoje, Araraquara é reconhecida como polo de excelência em educação e pesquisa, com destaque em áreas como química, odontologia, biotecnologia e ciências humanas.

 

15. O núcleo de ocupação colonial mais antigo do Oeste Paulista

Araraquara ostenta o título de núcleo de colonização mais antigo do Oeste Paulista. Em 22 de agosto de 1817, por alvará do rei D. João VI, o povoado de São Bento de Araraquara foi oficialmente criado e desmembrado da então Vila da Constituição (atual Piracicaba). 

Esse ato administrativo reconheceu formalmente a existência de uma comunidade que já se formava nos Campos de Araraquara desde o final do século XVIII.

O fundador de Araraquara é considerado o bandeirante Pedro José Neto. Fugindo de disputas políticas em Itu, Pedro José embrenhou-se pelos sertões e, por volta de 1807, estabeleceu-se às margens de um curso d'água na região dos campos dos guaianás (indígenas locais). Ele ergueu uma capela dedicada a São Bento – marco inicial do povoado. A palavra Araraquara tem origem tupi-guarani; a versão adotada é "Araquara" ou "Aracoara", frequentemente traduzida como "Morada do Sol" (ara = dia; coara = morada).

Uma das versões antigas da Basília de São Bento
Uma das versões antigas da Basília de São Bento

Ao longo do século XIX, Araraquara prosperou como ponto de partida para a ocupação de terras mais a oeste. 

Diversos municípios da região central paulista tiveram origem como distritos de Araraquara – caso de São Carlos, Ribeirão Bonito, Américo Brasiliense, Gavião Peixoto, Motuca, Rincão e Santa Lúcia, entre outros. 

Essa dinâmica valeu a Araraquara o status de "cidade-mãe" no processo de expansão paulista.

16. A gigante do agronegócio global: Cutrale

Araraquara é a sede da Sucocítrico Cutrale Ltda., uma das maiores produtoras e exportadoras de suco de laranja do mundo, e uma força motriz do agronegócio brasileiro. 

Fundada pela família Cutrale, de origem siciliana, a empresa tem sua base operacional e administrativa na cidade, de onde coordena uma vasta operação que se estende por diversas fazendas e plantas industriais.

A relevância da Cutrale para o Brasil e para o mercado global é imensa. A empresa é frequentemente citada como a responsável por abastecer uma parcela significativa do consumo mundial de suco de laranja concentrado e não-concentrado. 

Cutrale é uma das maiores exportadoras de laranja do mundo
Cutrale é uma das maiores exportadoras de laranja do mundo

A empresa é uma das líderes mundiais no setor, exportando para mais de 100 países. A presença da Cutrale em Araraquara e região não apenas gera milhares de empregos diretos e indiretos, mas também impulsiona toda a cadeia produtiva da citricultura. 

A empresa contribuiu para consolidar o Brasil como o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta.

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 1

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 3

 

Mais uma foto

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora