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AQUI É BRASIL P@#$%!!

Arregou de novo: Trump zera tarifas sobre café, carne e produtos agrícolas

Presidente americano recua pela segunda vez e elimina taxação de 40% após pressão da inflação

Willian Oliveira|· 7 min de leitura
Arregou de novo: Trump zera tarifas sobre café, carne e produtos agrícolas
Produtores brasileiros de café e carne bovina comemoraram eliminação de tarifas americanas que prejudicavam exportações desde agosto. Imagem: IA feita pelo Araraquara Agora

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás novamente e anunciou nesta quinta-feira (21) a eliminação completa das tarifas que pesavam sobre diversos produtos brasileiros. A decisão publicada pela Casa Branca retira a taxação adicional de 40% sobre itens como café, carne bovina, açaí, frutas e fertilizantes que entraram no território americano a partir de 13 de novembro.

Este é o segundo recuo do republicano em menos de uma semana. Na sexta-feira passada (14), Trump já havia retirado a tarifa global de 10%, mas mantido a sobretaxa específica de 40% contra o Brasil. Agora, com a nova ordem executiva, vários produtos brasileiros finalmente ficam livres da taxação punitiva que vinha sufocando o comércio bilateral entre os dois países.

"Especificamente, determinei que certos produtos agrícolas não estarão sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14323", escreveu Trump no documento oficial. A medida representa uma vitória importante para o agronegócio brasileiro, que vinha enfrentando quedas drásticas nas exportações desde agosto, quando as tarifas totais chegaram a 50%.

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Inflação força Trump a recuar

A mudança de postura do governo americano não aconteceu por acaso. Os Estados Unidos vinham enfrentando forte pressão inflacionária, com produtos como café acumulando alta de cerca de 20% ao longo do último ano. Em algumas cafeterias de Nova York, os aumentos chegaram a atingir 55% para o consumidor final.

O cenário econômico complicado forçou Trump a reavaliar sua estratégia protecionista. Durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de outubro, o republicano admitiu que os americanos estavam "sentindo falta" de produtos brasileiros, citando especificamente o café.

Os dados comprovam o impacto devastador que as tarifas causaram no comércio bilateral. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as vendas de café brasileiro para os Estados Unidos despencaram 54,4% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2024. Em setembro, a quantidade de café enviada aos americanos caiu quase pela metade em relação ao ano anterior.

 

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Setor de carnes também sofreu com tarifaço

Para o setor de carnes bovinas, a situação não era menos crítica. Os Estados Unidos enfrentavam inflação de 12% a 18% nos preços da proteína, resultado da combinação entre as tarifas sobre o Brasil — maior exportador global de carne — e a redução do rebanho local americano.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a decisão de Trump como um sinal positivo que "devolve previsibilidade ao setor" e reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países. No entanto, a entidade adotou tom cauteloso ao avaliar os efeitos práticos da medida sobre o volume exportado.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,96 bilhão em café para os Estados Unidos, consolidando-se como o principal fornecedor do grão para o mercado americano. O país também se posiciona como o quarto maior exportador de mangas e goiabas para os americanos, tendo embarcado aproximadamente US$ 56 milhões desses produtos no ano passado.

Reembolso de impostos será processado

A ordem executiva assinada por Trump determina que os impostos cobrados sobre importações brasileiras a partir de 13 de novembro sejam reembolsados. "Na medida em que a implementação desta ordem exigir o reembolso dos direitos aduaneiros cobrados, os reembolsos serão processados de acordo com a legislação aplicável e os procedimentos padrão da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA", informou o presidente americano no documento.

Esta determinação representa um alívio adicional para empresas brasileiras que continuaram exportando mesmo sob a pressão das tarifas elevadas. Entre janeiro e outubro deste ano, os Estados Unidos importaram 232 mil toneladas de carne bovina brasileira, somando US$ 1,38 bilhão — um aumento de 45% em volume e 38% em valor comparado ao mesmo período de 2024.

Histórico de idas e vindas nas tarifas

A saga tarifária começou em abril, quando Trump anunciou o chamado "Dia da Libertação" e impôs uma alíquota mínima de 10% sobre produtos brasileiros. A medida fazia parte de uma estratégia protecionista mais ampla que também atingiu a União Europeia (20%), China (34%) e Vietnã (46%).

Em julho, a situação se agravou quando o republicano determinou uma sobretaxa adicional de 40% contra produtos brasileiros, elevando a taxação total para 50%. A justificativa apresentada pela Casa Branca era de que políticas do governo brasileiro representariam uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança e aos interesses econômicos dos Estados Unidos.

O primeiro recuo veio na sexta-feira passada, quando Trump retirou a tarifa global de 10% sobre aproximadamente 238 produtos agrícolas. Para o Brasil, isso significou que 80 itens voltaram a enfrentar apenas os 40% da sobretaxa específica. Agora, com a nova ordem executiva, até mesmo essa taxação adicional foi eliminada para diversos produtos estratégicos.

Negociações diplomáticas surtiram efeito

A decisão americana acontece após intensas negociações diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Washington na quinta-feira anterior ao primeiro recuo.

Na ocasião, Vieira entregou uma proposta aos representantes norte-americanos e recebeu indicações de que uma resposta viria rapidamente. "O secretário de Estado disse que estão examinando com toda atenção e todo o tempo, que querem resolver rapidamente as questões bilaterais com o Brasil e que a resposta virá muito proximamente", declarou o chanceler brasileiro após o encontro.

Segundo a Casa Branca, a ordem executiva considerou o "progresso inicial" nas negociações abertas após a conversa telefônica entre Trump e Lula. O diálogo estabeleceu as bases para uma revisão da medida punitiva, demonstrando que a diplomacia brasileira conseguiu avançar mesmo diante da postura inicial intransigente do governo americano.

Lista de produtos beneficiados é extensa

A relação de produtos brasileiros que passam a ter tarifas zeradas inclui carnes bovinas frescas, resfriadas ou congeladas, diversos tipos de café, produtos de cacau, açaí, castanha-do-pará, frutas cítricas, bananas, mangas, goiabas, tomates, suco de laranja, cera de carnaúba, fertilizantes e produtos químicos agrícolas.

A diversidade de itens contemplados pela medida demonstra a importância do Brasil como fornecedor de produtos agrícolas para o mercado americano. Em 2024, as exportações brasileiras desses 80 produtos para os Estados Unidos totalizaram aproximadamente US$ 4,6 bilhões, representando cerca de 11% do total das vendas brasileiras ao país norte-americano.

Setores ainda aguardam impactos reais

Apesar da comemoração inicial, entidades do setor agrícola brasileiro mantêm cautela sobre os efeitos práticos da decisão. O Cecafé informou que continua em contato com pares americanos para analisar cuidadosamente a situação e compreender o cenário real que se apresenta.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o primeiro recuo como um gesto positivo, mas insuficiente. Com a eliminação completa das tarifas agora anunciada, a expectativa é de que o comércio bilateral possa finalmente retomar os níveis anteriores à guerra tarifária iniciada por Trump.

Para produtores brasileiros, especialmente aqueles dos setores de café e carne, a decisão representa o fim de meses de incerteza e prejuízos. A retomada das exportações em condições normais de competitividade pode significar a recuperação de milhões de dólares em receitas e a manutenção de milhares de empregos no agronegócio nacional.

Eleitorado americano pressionou pela mudança

A reviravolta na política tarifária de Trump também reflete a pressão crescente do eleitorado americano com a situação econômica. Pesquisas de opinião realizadas no início de novembro mostraram frustração dos consumidores com o aumento de preços, levando muitos a votar em candidatos democratas em eleições locais realizadas em diversos estados.

Trump sempre afirmou publicamente que suas tarifas não levariam ao aumento de preços para os consumidores americanos. No entanto, as isenções recentes sinalizam uma clara mudança de postura, reconhecendo implicitamente que economistas estavam corretos ao alertar que empresas repassariam o custo das taxações de importação.

A medida surge em momento crítico, com a inflação americana ainda pressionando o orçamento das famílias. Embora tenha permanecido mais moderada do que muitos analistas previam, a maioria dos itens monitorados no relatório de inflação do Departamento do Trabalho apresentou aumento, com os alimentos subindo 2,7% em relação ao ano anterior.

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