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Crise adia pagamento de horas extras e gera reação em Araraquara; 'calote'
Prefeitura suspende temporariamente pagamento adicional e sindicato diz que servidores souberam pela imprensa

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A crise financeira que Araraquara enfrenta desencadeou uma reação imediata entre servidores públicos, sindicato e lideranças políticas. A Prefeitura confirmou que, para conseguir pagar os salários referentes ao mês, será necessário suspender temporariamente o pagamento do prefeito, da vice-prefeita e dos secretários, além de adiar as horas extras realizadas pelos trabalhadores em novembro. “Elas serão pagas em breve, mas não serão pagas nesta sexta-feira (5)”, disse.
“Todo mundo sabe da situação caótica das finanças no município, uma dívida impagável e nós temos que ter responsabilidade para que o servidor receba seu salário em dia”.
A medida provocou forte reação entre servidores, gerando pressão sindical e repercussão política.
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Servidores e SISMAR criticam decisão
A insatisfação entre os trabalhadores ocorre principalmente devido à proximidade do período natalino, quando muitos contavam com o valor extra. O Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR) classificou a decisão como “corte de pagamento”, criticou a falta de diálogo e orientou que os funcionários deixem de realizar horas extras até haver garantia formal de pagamento.
Segundo a entidade, os servidores só souberam da medida pela imprensa. Em redes sociais, o SISMAR declarou: “Sem salário, não há trabalho”. Comentários publicados por servidores reforçaram o descontentamento: “Ninguém faz trabalho voluntário; se fizemos hora extra é porque precisamos” e “Ninguém faz hora por amor, mas por necessidade”.
Oposição pressiona e acusa falhas de gestão
O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) definiu a situação como “absurda” e disse ser a primeira vez na história que servidores recebem remuneração de forma parcelada. Ele também lembrou que a Câmara aprovou, com apoio da base aliada, a ampliação de cargos comissionados, custando cerca de R$ 3 milhões/ano.
Já o vereador Alcindo Sabino (PT) declarou que o episódio comprova a incapacidade administrativa da gestão atual e ressaltou que o atraso “nunca aconteceu na história de Araraquara”.
Eliana Honain afirma retrocesso administrativo
A ex-secretária de Saúde e ex-candidata à Prefeitura, Eliana Honain, disse jamais ter visto situação semelhante em quase 40 anos de serviço público. Ela afirmou ser “falsa narrativa” de que a gestão anterior deixou dívidas para o novo governo. “A crise não é fruto de dívidas antigas e destacou que a administração anterior deixou salários garantidos, IPTU assegurado, R$ 137 milhões em caixa, superávit, precatórios quitados e dívidas da CTA e do INSS regularizadas”.
“Eu, enquanto servidora pública e gestora por mais de 38 anos, nunca vi algo assim acontecer em Araraquara. Quero expressar minha solidariedade a cada trabalhador que mantém nossa cidade de pé. Vocês merecem respeito, dignidade e segurança”.
PDT fala em injustiça e convoca assembleia
O PDT Araraquara classificou a suspensão como “injusta e desrespeitosa” com trabalhadores que ganham até dois salários mínimos e dependem da remuneração adicional. O partido citou a PEC 38/2024 e disse que a precarização nacional se reflete no episódio. A sigla convocou assembleia urgente e reiterou: “Trabalhou, tem que receber. Direito não é favor”.
PT fala em manobra eleitoral
O PT Araraquara chamou a medida de “inaceitável”, acusou falta de planejamento e afirmou que jamais houve atraso semelhante em gestões anteriores. O partido também afirmou que suspender salários de prefeito e secretários é “manobra eleitoral”.
Prefeitura reafirma compromisso com folha
Em nota, a Prefeitura informou que:
- Os salários do prefeito, vice e secretários não serão pagos neste primeiro momento;
- As horas extras serão regularizadas “o mais rápido possível”;
- As decisões foram tomadas para garantir o pagamento integral da folha principal.
- A administração informou ainda que novas medidas podem ser adotadas conforme a revisão da disponibilidade orçamentária.
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