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105 anos em Araraquara

Lupo se pronuncia sobre rumores de saída de Araraquara

Bisneta do fundador esclarece que nova fábrica no Paraguai faz parte do plano de crescimento da Lupo

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Lupo se pronuncia sobre rumores de saída de Araraquara
Unidade da Lupo em Araraquara segue como base histórica da empresa, que anunciou expansão internacional no Paraguai Foto: Divulgação Lupo.

 

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A recente inauguração de uma fábrica da Lupo no Paraguai gerou repercussão nacional e levantou dúvidas sobre o futuro da tradicional indústria têxtil em Araraquara, cidade onde a empresa nasceu há quase 105 anos. Diante das especulações, Daniela Lupo Stella, bisneta do fundador da marca, utilizou as redes sociais para esclarecer que a companhia não deixará Araraquara nem o Brasil, reforçando que a iniciativa no país vizinho faz parte de um plano de expansão internacional, e não de transferência de operações.

 

A preocupação teve início após a publicação de uma matéria em um jornal de grande circulação da capital paulista, posteriormente replicada por diversos sites de notícias. A reportagem mencionava a abertura da nova unidade no Paraguai e acabou sendo interpretada por parte do público como um sinal de que a empresa migraria sua produção para fora do país, o que poderia resultar em demissões em Araraquara e em outras unidades da Lupo no território nacional.

 

Segundo Daniela, a leitura equivocada da informação acabou criando um cenário de insegurança entre trabalhadores, parceiros e a própria população araraquarense. Por isso, ela decidiu se manifestar publicamente para colocar fim aos rumores e reafirmar o compromisso histórico da empresa com a cidade.

 

 

“Expansão não é fechamento”, afirmou.

 

Em vídeo publicado nas redes sociais, Daniela Lupo Stella foi enfática ao negar qualquer possibilidade de encerramento das atividades no Brasil. Ela destacou que a Lupo segue firme em Araraquara, onde mantém suas operações e sua identidade. “A Lupo está em um movimento de expansão para o Paraguai. Essa expansão significa crescimento”.

 

 

“A Lupo continua enraizada em Araraquara, onde ela nasceu, fundada pelo meu bisavô e é lá (Araraquara) que ela vai ficar”.

 

Daniela também ressaltou a importância da responsabilidade na disseminação de informações, especialmente em um cenário de circulação rápida de conteúdos nas redes e portais digitais. Segundo ela, a falta de contexto pode gerar alarmismo desnecessário e prejudicar empresas, trabalhadores e a economia local.

 

 

 
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Unidade no Paraguai foi inaugurada em 2025

 

A nova fábrica da Lupo no Paraguai foi inaugurada em junho de 2025, na cidade de Ciudad del Este. O projeto recebeu um investimento estimado em R$ 30 milhões e atualmente emprega cerca de 110 trabalhadores. A unidade faz parte da estratégia de internacionalização da marca, que já figura entre as maiores do mundo no segmento têxtil.

 

Apesar da abertura da planta no exterior, Daniela reforçou que não há nenhum plano para transformar Araraquara apenas em um centro de distribuição, como chegou a ser especulado após a divulgação da matéria. Segundo ela, a cidade segue como um pilar central da operação da empresa no Brasil.

 

 

Custos e tributação motivaram expansão internacional

 

O debate ganhou ainda mais força após uma entrevista concedida pela presidente da Lupo, Liliana Aufiero, de 80 anos, ao jornal Folha de São Paulo. Na ocasião, a executiva afirmou que fatores econômicos e tributários pesaram na decisão de expandir a produção para fora do país.

 

“Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai”, declarou Liliana. Segundo ela, a Lei 14.789/2023, que alterou as regras de tributação sobre incentivos fiscais ligados ao ICMS, impactou diretamente a lucratividade da empresa no Brasil.

 

A presidente, neta do imigrante italiano Henrique Lupo, fundador da companhia em 1921, fez duras críticas ao sistema tributário brasileiro. “Os impostos estão comendo a operação de forma violenta”, afirmou à Folha, destacando que os custos de produção na planta paraguaia são cerca de 28% menores em comparação com o Brasil.

 

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Concorrência internacional também pesou na decisão

 

Além da carga tributária, Liliana Aufiero apontou a concorrência desleal como outro fator decisivo para a expansão internacional. Segundo ela, uma fábrica de meias instalada no Paraguai por um empresário chinês se tornou um dos principais concorrentes da Lupo no mercado brasileiro. Veja a matéria completa, AQUI.

 

 

“Se ele consegue vender no Brasil sem investir em marca e oferecer um bom produto a um custo menor, eu preciso ter as mesmas condições”, explicou a executiva na entrevista. A avaliação reforça o cenário desafiador enfrentado pela indústria têxtil nacional, especialmente diante da competição global.

 

 

Indústria têxtil em Araraquara segue no centro do debate

 

As declarações reacenderam discussões sobre o futuro da indústria têxtil em Araraquara, cidade historicamente ligada a Lupo. No entanto, Daniela Lupo Stella fez questão de tranquilizar a população e os funcionários da empresa, reiterando que não há planos de fechamento, redução de atividades ou demissões ligadas à expansão no Paraguai. Para a herdeira, o movimento representa uma adaptação estratégica às condições do mercado global, sem abandonar as raízes que construíram a história da marca. “Expansão não é fechamento”, reforçou mais uma vez.

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

 

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