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Preocupação

Postagem de skatista mirim denuncia abandono da pista da AFE em Araraquara

Vídeo no Instagram da pequena Catarina de 5 anos registra buracos e falta de manutenção no local

Cassiane Chagas|· 6 min de leitura
Postagem de skatista mirim denuncia abandono da pista da AFE em Araraquara
Skatista mirim Catarina, de 5 anos, pratica skate na pista da AFE, que apresenta rachaduras, buracos e risco constante de acidentes Foto: Arquivo pessoal.

 

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A pista de skate do Complexo Esportivo da Vila Ferroviária, conhecida como pista da AFE, apresenta sinais de abandono e tem gerado preocupação em Araraquara. O local, utilizado diariamente por crianças, jovens e projetos sociais, possui rachaduras, buracos, desníveis e concreto extremamente áspero, aumentando o risco de acidentes. A situação ganhou repercussão após a publicação de um vídeo nas redes sociais protagonizado pela skatista mirim Catarina, de apenas 5 anos.

Praticando skate há cerca de quatro meses, a pequena Catarina já acumula escoriações frequentes provocadas pelas más condições da pista. As imagens, gravadas e divulgadas pela mãe, a jornalista Julia Toledo Falconi, mostram de forma clara os problemas estruturais do espaço. Catarina já abre o vídeo, com desabafo: "A pista tá toda feia e rachada". Em outro trecho, a menina aponta para uma rachadura no chão e afirma: “Esse aqui (buraco) para pular é difícil”. Em outro momento, o professor da skatista mirim destaca que “cabe uma rodinha inteira do skate” dentro de um dos buracos registrados.

 
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A denúncia chama atenção para um problema grave. Catarina, mesmo equipada com capacete e skate e tentando evoluir no esporte, já encara um ambiente visivelmente deteriorado, onde o risco faz parte da rotina. As imagens mostram a criança com as duas pernas machucadas, resultado direto das quedas frequentes.

Segundo Julia, o vídeo reflete a realidade enfrentada diariamente por quem utiliza o espaço. “No vídeo, a Catarina mostra o que a gente vive na prática: abandono”, afirma. Para ela, a pista deveria ser um ambiente de esporte, lazer e segurança, mas atualmente oferece exatamente o oposto.

 

Buracos, quedas e medo constante

De acordo com a mãe da skatista mirim, o estado do piso agrava significativamente as lesões sofridas pelas crianças. “O chão é muito áspero. Quando elas caem, os machucados são muito piores. O skate enrosca nas rachaduras, perde o equilíbrio, e a queda é inevitável”, relata Julia.

 

Além das trincas e buracos, há problemas de nivelamento. Em dias de chuva, a pista empoça água, especialmente nas rampas principais, o que obriga os próprios usuários a improvisarem, puxando a água para conseguir praticar o esporte. “Não é reta. Fica perigoso. Muitas vezes a própria comunidade tenta resolver para não perder o dia de treino”, explica.

A preocupação vai além de simples arranhões. “Eu fico com medo de lesões mais graves, principalmente na coluna e na cabeça”, afirma Julia. Mesmo com equipamentos de proteção, o risco é constante. Ainda assim, ela segue incentivando a filha, ressaltando os benefícios do skate para o desenvolvimento infantil.

 

 

“São muitos buracos, trincas e rachaduras. O asfalto é muito áspero e, quando a criança cai, os machucados são bem mais graves. O skate enrosca nas pedras soltas e nas rachaduras, sofre impacto e isso compromete o equilíbrio das crianças”, relata.

 

A jornalista explica que, diante da falta de manutenção, a própria comunidade tenta minimizar os problemas. “Muitas crianças participam do projeto social 'Fornalha' e o grupo tenta, a todo custo, fazer melhorias constantes na pista. Muitas vezes, tapam os buracos e pintam o espaço para deixá-lo mais seguro, mas tudo isso exige recursos”, afirma.

 

“Sempre frequentei esse local, mas foi com minha filha, que está na pista diariamente, que vi esse vínculo crescer. Ela ama o esporte, e outras crianças seguem o mesmo caminho. A Catarina tem cerca de 15 amigos que frequentam a pista todos os dias. Além disso, o projeto Fornalhinha envolve aproximadamente 30 crianças, que acabam se machucando por causa das condições do local”, completa.

Skate como transformação social e emocional

 

Julia destaca que o skate teve impacto direto e positivo na vida da filha. “Ela está menos ansiosa, mais concentrada, mais focada. O esporte mudou a vida dela”, afirma. Para a jornalista, ver uma criança conquistar habilidades longe das telas e das redes sociais é emocionante, mas isso deveria acontecer em um ambiente seguro.

A mãe reforça que a cobrança não é individual. “Não falamos só de um espaço público abandonado. Falamos de uma comunidade inteira, de projetos sociais e de crianças que representam Araraquara em competições”, pontua.

 

Projetos sociais ameaçados pela falta de estrutura

A pista da AFE é utilizada por projetos sociais e aulas gratuitas de skate, como citado pela mãe da Catarina, o Projeto Fornalha. O professor André Gimenez Bastos Chagas, de 22 anos, orientador vinculado à Federação Paulista de Skate reforça que a situação da pista é crítica.

 

“O chão está todo rachado e poroso, dá para ver as pedrinhas do concreto. Não existe mais concreto polido. Os obstáculos têm buracos”, explica. Para minimizar os riscos, muitas vezes os próprios professores e alunos realizam reparos improvisados. “A gente constrói rampas novas, tapa buracos e pinta a pista, mas isso não é o ideal”, completa.

 

De acordo com o professor André, a pista está fora dos padrões técnicos atuais, tanto em medidas quanto em qualidade. “Ela é antiga, fora de medida, não dá para sediar campeonatos e nem para treinar atletas adequadamente”, afirma André, ressaltando que as outras três pistas da cidade estão em situação ainda pior.

Ele também relembra uma frustração antiga da comunidade do skate. Em 2021/2022, os praticantes venceram o Orçamento Participativo, que previa cerca de R$ 1 milhão para a construção de uma nova pista e a reforma das existentes. Um arquiteto especializado chegou a elaborar o projeto gratuitamente, mas o processo travou na fase de licitação. “Em 2024, ano eleitoral, houve promessa de retomada, mas nada foi feito. O atraso já passa de três anos”, lamenta.

 

Cobrança nas redes sociais

O vídeo publicado por Julia e Catarina, idealizado pelo professor André, gerou dezenas de curtidas e comentários, muitos deles cobrando providências da Prefeitura de Araraquara, da Fundesport e até marcando o prefeito Lapena (PL). Comentários como “Que absurdo” e “Precisamos de uma pista nova que suporte o nível de skate que temos em Araraquara” se multiplicaram.

Para Julia, a esperança é que a mobilização chegue às autoridades. “A gente fez o vídeo para que alguém veja e ajude. Tem muita gente que frequenta a pista. É uma questão de segurança, de futuro e de respeito com o esporte”, conclui.

“O professor André sempre teve um olhar social muito forte. Ele pensa nas crianças e mobiliza a comunidade para que a pista funcione adequadamente. Diante da falta de retorno das autoridades, foi dele a sugestão de divulgar a situação nas redes sociais, com a participação das próprias crianças”, relata.

 

“As crianças que frequentam a pista são atletas que participam de competições. Esse espaço é fundamental para a formação esportiva e muitas delas competem representando Araraquara”, completa.

 

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Araraquara e aguarda posicionamento oficial. O espaço permanece aberto para manifestação do poder público.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

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