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Ato em Araraquara pede justiça pela morte do cão Orelha; ‘respeito à vida’

Manifestação pacífica no Parque Infantil reúne protetores e moradores para cobrar justiça no caso do cachorro comunitário e reforçar o combate aos maus-tratos contra animais

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Ato em Araraquara pede justiça pela morte do cão Orelha; ‘respeito à vida’
Ato em Araraquara reúne protetores no Parque Infantil em homenagem ao cão Orelha e contra os maus-tratos a animais Foto: Polícia Civil de Santa Catarina.

 

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A morte do cachorro Orelha, vítima do caso extremo de violência contra animais, ultrapassou fronteiras regionais e se transformou em um símbolo nacional de luta por justiça e respeito à vida. Em resposta à comoção e à indignação coletiva, Araraquara terá um ato público de conscientização e protesto pacífico neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, no Parque Infantil, a partir das 8h30, com início oficial às 9h. A mobilização é organizada pelo Projeto Patas de Rua Araraquara, em parceria com diversas entidades de proteção animal da cidade.

O caso Orelha aconteceu na Praia Brava, em Santa Catarina, e ganhou repercussão em todo o país após a divulgação de que o cão comunitário, com cerca de 10 anos de idade, foi atacado por um grupo de adolescentes no início de janeiro. Gravemente ferido, o animal chegou a ser socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade das lesões, acabou sendo submetido à eutanásia no dia seguinte. A brutalidade do episódio chocou a população e reacendeu o debate sobre punição aos maus-tratos, responsabilidade legal e proteção efetiva dos animais.

O ato em Araraquara, batizado de “Justiça pelo cão Orelha”, pretende unir protetores, famílias, ativistas e cidadãos comuns em uma caminhada simbólica pelo Parque Infantil. A orientação é que os participantes levem seus animais de estimação, cartazes e mensagens de conscientização, transformando o protesto em um momento de reflexão coletiva.

A organização envolve entidades como AAPA, Abraça Vidas, Acãochego da Tuka, AdotaEu, Amor em Patas, Casa dos Gatos, Castração Felina, CPDA OAB Araraquara, Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal, GIPAMA, Projeto Me Adote, Projeto Vida, entre outras.

 
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Projeto Patas de Rua Araraquara e o trabalho contínuo

O Projeto Patas de Rua Araraquara atua diretamente no cuidado de animais em situação de rua, promovendo resgates, tratamentos veterinários, campanhas de adoção e ações educativas. A iniciativa reforça que a mobilização por Orelha também é um chamado à responsabilidade diária.

 

“Quando todos colaboram, a cidade se torna mais humana”, destaca o grupo.

 

Quem quiser apoiar o trabalho pode contribuir via Pix (CNPJ: 59.773.819/0001-34) ou acompanhar as ações pelas redes sociais do projeto, no Intagram e Facebook. Para os organizadores, cada ajuda fortalece a luta por uma cidade mais justa não apenas para pessoas, mas também para os animais.

 

Investigação e desdobramentos do caso Orelha

Desde a repercussão nacional do caso, a Polícia Civil de Santa Catarina intensificou as investigações. Uma operação foi deflagrada no fim de janeiro para cumprir mandados de busca e apreensão relacionados aos adolescentes envolvidos e a adultos suspeitos de tentar interferir no andamento das apurações. Celulares e dispositivos eletrônicos foram recolhidos, e mais de 20 pessoas já foram ouvidas pelas autoridades.

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a suspeita de coação de testemunhas, supostamente praticada por familiares dos adolescentes. De acordo com informações oficiais, entre os adultos investigados estariam empresários e um advogado, cujos nomes não foram divulgados. Até o momento, ninguém foi preso, mas familiares dos jovens foram indiciados pelo crime de coação.

Outro fator que gerou revolta foi a confirmação de que dois dos adolescentes estavam em viagem aos Estados Unidos, na Disney, durante o período em que o caso ganhava grande repercussão no Brasil. A polícia também apura um segundo episódio de agressão, desta vez contra um cachorro conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar dos ataques.

Embora menores de 18 anos sejam inimputáveis penalmente, especialistas explicam que adolescentes podem, sim, ser responsabilizados, por meio de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O caso reacendeu a discussão sobre a eficácia dessas medidas e sobre a necessidade de ações educativas mais firmes contra a violência.

 

O que é um animal comunitário e por que Orelha importa

Orelha era um cão comunitário, termo usado para definir animais que não possuem um tutor único, mas que vivem em uma determinada região e recebem cuidados coletivos de moradores e comerciantes. Esses animais criam vínculos com a comunidade, são alimentados, protegidos e, muitas vezes, vacinados e castrados.

Após o caso, Santa Catarina aprovou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, reforçando que esses animais também têm direito à proteção do poder público e da sociedade.

 

Para protetores, a legislação é um avanço, mas episódios como o de Orelha mostram que ainda há um longo caminho a percorrer.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

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