Tribunal do Júri
Bombeiro civil é condenado por lesão corporal seguida de morte no caso Fabinho Cross em Araraquara
Homicídio foi desclassificado e a condenação é de 5 anos e 10 meses no regime semiaberto; ele responde em liberdade e a defesa vai recorrer da decisão

O Tribunal do Júri de Araraquara condenou a 5 anos e 10 meses, nesta terça-feira (3), o bombeiro civil Agnaldo Francisco Rodrigues, de 51, pelo crime de lesão corporal seguida de morte no caso que vitimou o empresário Fábio Luis Alves Gaspar, de 41, conhecido como Fabinho Cross. Por decisão unânime dos jurados, o homicídio foi desclassificado e o réu condenado no regime semiaberto e poderá recorrer da sentença em liberdade.
A sessão teve início às 10h e marcou o primeiro julgamento, entre os cinco denunciados pelo Ministério Público. Ao longo do júri, foram ouvidas cinco testemunhas de defesa e três de acusação, além dos policiais militares que atenderam a ocorrência e do delegado responsável pelo inquérito.
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A família da vítima foi representada pela advogada Josimara Veiga Ruiz, que atuou como assistente de acusação, ao lado do promotor de Justiça. A defesa de Agnaldo foi conduzida por Bruno Rodrigues Alves e Roberto Romano, com a presença do réu em plenário.
Na sustentação, acusação e defesa convergiram para a tese de lesão corporal seguida de morte, entendimento acolhido pelo Conselho de Sentença e de acordo com a acusação, a conduta do bombeiro civil Agnaldo foi considerada de menor importância no contexto do episódio.
“Justiça não pode ser confundida com vingança. Num universo de mais de 30 golpes suportados por Fábio Cross enquanto era asfixiado e imobilizado pelos outros quatro réus, o bombeiro civil deu apenas um único soco, somado a atos e omissões que contribuíram para o resultado fatal”, afirmou Josimara Veiga Ruiz.
A advogada acrescentou que a família aguarda “uma resposta implacável” da Justiça, nos julgamentos dos demais acusados.
A defesa de Agnaldo, avaliou a decisão como equilibrada.
“Não concordamos com a dosimetria da pena e vamos recorrer apenas quanto a esse ponto. Quanto ao tipo penal, entendemos que foi aplicado de acordo com a conduta do defendido. Araraquara mostrou uma Justiça equilibrada, que individualiza as condutas. O réu errou, mas não cometeu homicídio doloso”, declarou o advogado Bruno Rodrigues Alves.
Além do bombeiro civil, respondem ao processo o gerente da casa noturna André Corrêa Macieira (Deko), os seguranças Danilo Henrique Rocha Valarani e Adryan Antony Rodrigues Vidal e o cliente Eduardo Carrascosa Franco Machado. Para esses quatro, não houve pedido de desclassificação por parte da acusação, que mantém a imputação de homicídio qualificado.
As datas de julgamento ainda não foram definidas e por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), todos os acusados respondem ao processo em liberdade — condição que permanece válida. A condenação desta terça-feira inaugura a fase de julgamentos de um dos casos criminais de maior repercussão recente na cidade.
Fabinho Cross morreu na madrugada de 1º de setembro de 2024, após uma confusão na casa noturna Almanaque, no Centro de Araraquara, que permanece fechada desde então. De acordo com a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o empresário foi retirado da pista após quebrar uma garrafa, contido por seguranças, levado a uma área reservada e imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou asfixia mecânica, por estrangulamento como causa da morte. O processo, corre sob segredo de justiça.
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