Obesidade
Pesquisa aponta que 45% da população de Araraquara vive com obesidade
Especialista alerta para riscos e importância do tratamento contínuo

Um levantamento da Vigital (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saude, revelou que 45% da população de Araraquara sofre com a obesidade. Segundo os dados, referente ao ano de 2024, 24% dessas pessoas apresentam obesidade grau l (IMC entre 30 e 34,9), 12% grau ll (IMC entre 35 a 39,9) e 8% grau lll (IMC maior ou igual a 40) - quadro que acende o alerta.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial. Isso significa que não se trata apenas de excesso de peso, mas de um problema complexo que envolve alterações metabólicas, inflamatórias e hormonais, afetando o controle da fome, da saciedade e a forma como o corpo armazena gordura.
De acordo com a endocrinologista Mariana Carvalho de Oliveira, já foram descritas centenas de variantes genéticas que aumentam a suscetibilidade de uma pessoa ao ganho de peso.
“No entanto, a genética não atua sozinha. A combinação com fatores como sedentarismo, alimentação desequilibrada, consumo frequente de ultraprocessados, açúcar e gordura, além de questões emocionais, estresse e privação de sono, contribui diretamente para o desenvolvimento da obesidade, que pode surgir em qualquer fase da vida”, explica.
Outro ponto de preocupação é a associação da obesidade com mais de 200 doenças e complicações. Entre elas estão o diabetes tipo ll, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares e respiratórias, dores articulares, infertilidade e distúrbios hormonais.
Além dos riscos físicos, a condição também impacta a autoestima, a saúde mental e pode reduzir a qualidade e a expectativa de vida.
Especialistas ressaltam que o tratamento da obesidade deve ser contínuo e multidisciplinar”, acrescenta.
De acordo com Mariana, o melhor tratamento é a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis, com reeducação do comportamento alimentar e a prática regular de exercícios físicos.
“Medicamentos e a cirurgia bariátrica são ferramentas importantes no combate à obesidade, mas devem ser indicados apenas com avaliação médica especializada, levando em conta os riscos, os benefícios e o acompanhamento adequado. Como se trata de uma doença crônica, o tratamento exige cuidado permanente e não pode ser interrompido”, explica.
O apoio psicológico e da família são essenciais no processo. Por se tratar de uma doença crônica e multifatorial, o tratamento envolve diversas ações simultâneas e contínuas. Não adianta tratar por um tempo e depois parar; ou utilizar apenas um tipo de estratégia. “É necessário cuidado integral e tratamento para a vida toda”, finaliza.
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