Polêmica
Esculturas são retiradas da Câmara de Américo e presidente muda justificativa após repercussão
Caso polemizou nas redes; após críticas, vereador afirma que peças foram removidas por rachaduras e estão guardadas para possível recuperação


A retirada de esculturas que estavam expostas no prédio da Câmara de Américo Brasiliense, provocou forte repercussão entre moradores e nas redes sociais nos últimos dias. A decisão foi tomada pelo presidente do Legislativo, vereador Maicon de Souza Rios (Republicanos), e abriu um debate público sobre patrimônio cultural, preservação histórica e transparência nas decisões administrativas.
As peças faziam parte da ambientação do prédio da Câmara e eram conhecidas por frequentadores do local. Após a retirada das esculturas, moradores passaram a questionar os motivos da decisão e cobraram esclarecimentos sobre o destino das obras. A polêmica ganhou novos contornos após publicações nas redes sociais atribuídas ao vereador, nas quais ele comentou sobre a decisão de retirar as esculturas do espaço público.
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Debate sobre patrimônio cultural
Segundo relatos de moradores, as esculturas eram consideradas parte da ambientação histórica da Câmara Municipal, o que fez com que a retirada das peças sem discussão prévia gerasse indignação em parte da população. Internautas passaram a questionar se houve consulta pública ou debate entre os vereadores antes da remoção das obras.
Para muitos, além do valor artístico, as esculturas representavam também elementos da memória política e cultural da cidade. A situação também levantou dúvidas sobre o destino das peças e sobre se elas voltarão a ser expostas no prédio do Legislativo.
Presidente da Câmara diz que esculturas foram retiradas para restauração
Em entrevista a uma rádio de Araraquara, o presidente da Câmara afirmou que as esculturas foram retiradas principalmente por questões estruturais e necessidade de restauração. Segundo ele, as peças estavam apresentando rachaduras e problemas causados por raízes de plantas, o que poderia comprometer a integridade das obras.
De acordo com o vereador, uma empresa responsável pela manutenção do jardim da Câmara orientou que as esculturas fossem removidas antes que pudessem sofrer danos maiores.
“Elas começaram a rachar e a empresa que cuida do jardim da Câmara orientou que fossem retiradas antes que quebrassem, porque são de cimento e não de pedra”, afirmou.
Ele também explicou que as esculturas são pesadas — algumas com mais de 250 quilos — e que foi necessário utilizar ferramentas para realizar a remoção.
Obras foram serradas para retirada
Durante a retirada das esculturas, parte da estrutura precisou ser cortada na ferragem interna, já que as peças eram feitas de cimento com reforço metálico. Segundo o presidente do Legislativo, não havia outra forma de remover as obras. Uma das esculturas, que representava uma mulher sentada, também precisou ser cortada na parte traseira para permitir a retirada do local onde estava instalada.


As imagens revelam que as peças foram serradas e danificadas durante o processo de transporte para o interior do edifício. Esta ação gerou um intenso debate público sobre censura e preservação do patrimônio, mobilizando críticas da comunidade e de internautas. Atualmente, as obras aguardam uma avaliação técnica e o seu destino final poderá ser decidido em conjunto com órgãos culturais e conselhos locais.
As peças foram então levadas para uma área interna da Câmara Municipal, onde permanecem guardadas enquanto se busca um profissional capaz de realizar a restauração.
Questionamentos sobre autoria das esculturas
Outro ponto citado pelo vereador durante entrevistas e publicações nas redes sociais é a falta de registros sobre a autoria das esculturas. De acordo com ele, não há documentação que comprove quem criou as obras nem quando elas foram instaladas no prédio do Legislativo.
“Não se sabe o significado e não há registro de onde vieram essas estátuas. Absolutamente ninguém consegue explicar”, afirmou em entrevista a rádio de Araraquara.
Ainda segundo o presidente da Câmara, a falta de autoria registrada dificulta a classificação das esculturas como patrimônio oficial do município.
Declarações nas redes sociais ampliaram a repercussão
A polêmica também foi intensificada por comentários publicados pelo vereador em redes sociais, nos quais ele afirmou que decidiu guardar as esculturas para possível exposição futura em um museu municipal, caso a cidade venha a ter um espaço desse tipo. Na mesma publicação, ele mencionou ainda questionamentos sobre a forma como os corpos negros estariam representados nas esculturas, o que também gerou debate entre moradores.

Posteriormente, diante da repercussão, o presidente da Câmara publicou outra mensagem afirmando que informações divulgadas nas redes estavam distorcidas. Segundo ele, as esculturas não foram depredadas nem abandonadas, mas permanecem guardadas dentro das dependências da Câmara para restauração.

Possível retorno das esculturas ainda será discutido
O vereador afirmou que, após a restauração, o destino das peças poderá ser discutido com órgãos ligados à cultura e ao combate à discriminação racial. Entre os órgãos que poderão ser consultados estão o Conselho de Cultura e o Conselho de Combate à Discriminação Racial, que ainda não existe. De acordo com ele, pode ser que as esculturas voltem ao jardim da Câmara ou que sejam transferidas para um espaço cultural do município.
Escorregou
Rios também admitiu que as esculturas não estavam agradando, tanto a ele quanto a frequentadores do prédio da Câmara.
“Não só a mim, mas também às pessoas que frequentam aqui. Sempre me questionaram quem são os autores, por que tinha uma criança urinando e por que a mulher estava despida. Historicamente existe essa discussão sobre a autoria. É um debate que existe aqui na Câmara”, afirmou.
Apesar das declarações, o presidente reforçou diversas vezes durante a entrevista que a retirada das peças ocorreu por motivo de restauração, buscando minimizar a polêmica gerada após suas manifestações nas redes sociais. “Eu decidi retirar para restauração”, disse. “Estamos procurando alguém que faça a restauração do cimento.”

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Confira trecho da entrevista:
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