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Saída Confirmada

Grupo EP confirma saída de Magdalena após polêmicas: “a Biblia é uma bosta”

Jornalista também fez uma live nas redes sociais em que confirmou a informação

Flávio Fernandes|· 6 min de leitura
Grupo EP confirma saída de Magdalena após polêmicas: “a Biblia é uma bosta”
Foto: Redes Sociais

 

 

O Grupo EP confirmou na tarde desta sexta-feira (10), que Magdalena não faz mais parte da empresa, em Araraquara. Horas depois da nota oficial o jornalista foi às redes sociais e realizou uma transmissão ao vivo para confirmar pessoalmente sua saída.

Em tom sereno, Magdalena agradeceu publicamente à direção da emissora, aos companheiros de bancada e à equipe técnica que o acompanhou ao longo do período em que comandou o Jornal da EP. Ele também fez questão de reafirmar que pretende manter sua atuação como comunicador, mas agora em um novo formato: diretamente nas suas próprias plataformas digitais.

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Segundo o jornalista, suas opiniões — em especial sobre religião, política e costumes — passarão a ser expressas nas redes sociais, sem intermediários e ainda reforçou que não pretende se calar e que continuará abordando os temas que considera relevantes para o debate público. A postura anunciada na live está em linha com o que Magdalena já havia sinalizado horas antes, ao se despedir do microfone da EP FM durante a edição matinal.

 

“Essa decisão é minha, eu vou dar um tempo. Estou pegando meus companheiros de surpresa. E eu vou para as redes sociais, porque eu não quero envolver a emissora, nos meus pontos de vistas, e naquilo que eu penso a respeito da igreja católica, da igreja evangélica e de tudo aquilo que está ligado a religião”, afirmou. 

O jornalista também havia feito questão de elogiar a conduta da emissora diante da crise.

“A rádio EP FM é uma rádio muito ética. Tratou desse meu conflito que eu tive aí com a bíblia, com as religiões, e tratou da forma muito ética, muito respeitosa com a condição. Tanto é que a única coisa que pediram foi que, nós vamos fazer uma nota porque nós (Rádio EP) não concordamos com seu ponto de vista, explicou no ar”, explicou no ar.

Em outro trecho da despedida matinal, Magdalena antecipou o tom combativo que pretende adotar em suas plataformas pessoais.

“Eu, com a consciência que eu tenho, eu não quero envolver a rádio nos meus comentários, nas minhas opiniões, então eu vou para as redes sociais, falar tudo que eu penso sobre esse assunto. Falar sobre esses canalhas, pastores, que estão apodrecendo a bíblia, transformando a bíblia naquilo que eu falei para vocês. É uma opinião minha. Eu não vou me acovardar em hipótese alguma, mas eu não quero prejudicar meus companheiros de trabalho, não quero prejudicar a rádio”, disse. 

A crise que culminou no desligamento de Magdalena começou na manhã da última terça-feira (7), quando o jornalista, durante a edição ao vivo do Jornal da EP, disparou uma série de ataques frontais à Bíblia Sagrada e às religiões. As declarações, proferidas em meio à discussão de temas que, segundo a Diocese de São Carlos, não tinham relação com religião, rapidamente viralizaram e mobilizaram fiéis, vereadores, anunciantes e parlamentares em toda a região.

Magdalena iniciou a sequência afirmando: “A religião é um demônio que infelizmente está no meio social, religão é demoniaca”. Na sequência, ele atacou diretamente o livro sagrado dos cristãos.

“A Bíblia está errada. A Bíblia está errada, a Bíblia é uma bosta se você quiser saber. Ali tem um monte de criação, cada um colocou ali uma coisinha a mais”, citou. 

Alertado ao vivo pelo comentarista Luís Antônio sobre a possibilidade de estar cometendo intolerância religiosa, o jornalista não recuou e ampliou o tom.

“A religião é demoníaca! Tinha que ser banida." Na sequência, mirou lideranças evangélicas de expressão nacional, especialmente o pastor Silas Malafaia: "Gente como esse Malafaia, canalha, ordinário, vagabundo, demoníaco. São os deturpadores do tempo. Vendilhões do tempo. A religião é demoníaca. Tinha que acabar com isso. Deus é único”, afirmou.

O trecho que mais viralizou, porém, foi o desfecho da sequência, no qual Magdalena usou termos de baixo calão para se referir à Bíblia.

“A Bíblia é o cacete! Puta livrinho idiota. Um livrinho idiota. Eu li muito, eu falei: tudo besteira isso daí. Tudo palhaçada. Idiotice”, concluiu no ar.
 

As declarações provocaram reação imediata e a Diocese de São Carlos, representada pelo bispo diocesano Dom Luiz Carlos Dias, publicou extensa nota oficial de "profundo pesar e veemente repúdio", afirmando que as palavras "soaram ofensivas aos cristãos e a sua fé" e demonstraram "falta de civilidade e desconhecimento da responsabilidade que o exercício da comunicação pública exige".

Na Câmara Municipal de Araraquara, vereadores de diferentes espectros políticos subiram à tribuna para condenar as falas, e uma nota de repúdio foi lida em plenário. O vereador Coronel Prado foi um dos primeiros a reagir publicamente nas redes sociais em defesa das Escrituras.

Segundo apurado pela reportagem do portal Araraquara Agora, houve ao longo da semana uma enorme pressão social de anunciantes e principalmente de parlamentares de direita para que a direção do Grupo EP tomasse providências em relação às falas de Magdalena. Ouvintes ameaçaram deixar a sintonia, anunciantes manifestaram desconforto e articulações nos bastidores ganharam força à medida que a repercussão crescia.

Um elemento do cenário econômico pesa no processo e a EPTV, afiliada da Globo e integrante do Grupo EP, venceu em fevereiro de 2026 a licitação para gerir a TV Alesp e produzir conteúdo para as redes sociais da Assembleia Legislativa de São Paulo, em contrato anual de R$ 26,9 milhões. A ALESP e o Governo paulista são comandados por forças políticas de direita.

Fontes ouvidas pela reportagem indicam que o contrato com a assembleia chegou a ser colocado na mesa como instrumento de pressão pela saída do jornalista. O Grupo EP, informou em nota que o programa seguirá normalmente com seus atuais integrantes e agradeceu Magdalena. 

José Carlos Magdalena é jornalista, escritor e um dos comunicadores mais influentes do interior paulista, com mais de 40 anos de carreira à frente de programas matutinos em Araraquara. Autor de "Um Século de Silêncio" (Prêmio Jabuti) e "Bandoleira" (Prêmio Biblioteca Nacional), acumula passagens por veículos de alcance nacional como o Estadão e o Jornal da Tarde.

Em 2024, deixou a Rádio Morada do Sol — onde permaneceu por quase quatro décadas — e migrou para a EP FM do Grupo EP. Com o desligamento confirmado nesta sexta-feira, encerra-se um ciclo que durou cerca de dois anos na emissora.
Até o fechamento desta reportagem, a direção do Grupo EP não havia informado por enquanto, sobre eventuais providências judiciais formais contra o jornalista.

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