CRISE | SALÁRIOS ATRASADOS
Funcionários terceirizados anunciam paralisação geral após atraso salarial em Araraquara
Trabalhadores terceirizados da empresa Soluções prometem protesto em frente à Prefeitura nesta quinta-feira (14)

A crise envolvendo salários atrasados de funcionários da empresa Soluções, terceirizada que presta serviços de limpeza para a Prefeitura, aumentou nesta quarta-feira (13) em Araraquara. Sem receber os vencimentos e sem previsão de pagamento, trabalhadoras anunciaram uma paralisação geral para esta quinta-feira (14).
O movimento deve atingir setores considerados essenciais, como escolas, creches e postos de saúde, provocando impactos diretos no funcionamento de serviços públicos municipais. Na manhã desta quarta-feira (14), dezenas de funcionárias se reuniram em frente à sede da empresa Soluções, buscando informações sobre os salários que deveriam ter sido pagos desde o último dia 7 de maio.
Segundo relatos das trabalhadoras, em entrevista a uma emissora de rádio de Araraquara, havia a promessa de que os pagamentos seriam realizados na tarde de terça-feira (12), mas até a manhã desta quarta o dinheiro ainda não havia caído nas contas.
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Sindicato confirma paralisação geral
O presidente do SIEMACO afirmou que a categoria decidiu intensificar a mobilização diante da ausência de respostas concretas. “Se a Prefeitura continuar sem dar uma resposta pra gente, amanhã, 14 de maio, todos os trabalhadores da Soluções estão convocados para ir pra frente da Prefeitura, pra que seja tomada uma decisão definitiva”.
"O trabalhador trabalhou, prestou o serviço e tem que estar com o dinheiro na conta dele. É o mínimo que tem que ser feito, é obrigação”, declarou.
De acordo com o sindicato, a paralisação deve ocorrer inclusive entre trabalhadoras que já receberam parcialmente os salários, numa tentativa de pressionar Prefeitura e empresa a resolverem definitivamente a situação. A mobilização está prevista para ocorrer em frente ao Paço Municipal.
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Trabalhadoras relatam fome, contas atrasadas e desespero
Durante o protesto, funcionárias relataram dificuldades financeiras graves provocadas pelos constantes atrasos nos pagamentos. Uma das trabalhadoras afirmou que não consegue mais manter as despesas básicas da casa.
“A gente trabalha que nem condenado, passando fome, necessidade, atrasando conta de água, luz, aluguel e não temos informações de nada. A gente quer receber, é nosso direito. Trabalhamos e queremos receber e até agora não tem resultado e pagamento.”
Outra funcionária afirmou que não pretende voltar ao trabalho enquanto os salários não forem regularizados.
“Não tô brigando por aquilo que não é meu. Receber é o meu direito. Todas as contas atrasadas. Enquanto não sair o pagamento, não vou trabalhar.”
Segundo os relatos, parte dos funcionários recebeu valores parciais, enquanto muitos seguem sem qualquer depósito.
Empresa culpa Prefeitura por dívida milionária
A empresa Soluções afirma que a Prefeitura de Araraquara possui uma dívida de aproximadamente R$ 15 milhões referentes aos contratos terceirizados. Segundo representantes da empresa, neste mês a administração municipal teria repassado apenas cerca de 20% do valor esperado para custear a folha salarial.
A Prefeitura, por outro lado, sustenta que realizou parte dos pagamentos e que trabalha para ampliar os repasses financeiros.
O impasse acabou deixando os trabalhadores no meio do conflito.
“Prefeitura não paga a empresa e quem paga são os trabalhadores”, reclamou uma funcionária.
O sindicato afirmou que esse não é um problema isolado e que episódios semelhantes já ocorreram anteriormente. “Não é de hoje as paralisações. Na última vez que viemos, a empresa disse a mesma coisa, que a Prefeitura não pagou, relatou uma dívida de milhões que não foi realmente paga. Depois regularizou a situação”, afirmou o representante sindical.
Tentativa de diálogo com Prefeitura terminou sem reunião
Na terça-feira (12), trabalhadores e representantes do sindicato realizaram protesto em frente ao Paço Municipal em busca de uma reunião com integrantes do governo. Segundo o SIEMACO, o secretário de Fazenda e Planejamento, Roberto Pereira, não recebeu a comissão de trabalhadores.
De acordo com o sindicato, a Secretaria de Comunicação informou que o secretário estaria em atividade externa, embora a agenda pública indicasse expediente interno naquele momento. A situação aumentou a revolta das funcionárias.
“Ficamos na frente da Prefeitura e era para a gente ter recebido ontem, 12 de maio, o pagamento e não caiu”, relatou uma trabalhadora.
Serviços públicos podem ser afetados
A possível paralisação geral prevista para esta quinta-feira preocupa usuários dos serviços públicos municipais.
A empresa Soluções atua em setores estratégicos da Prefeitura, incluindo:
- CERs;
- UPAs;
- Escolas;
- Creches;
- Postos de saúde;
- Serviços de limpeza e conservação.
Com a ameaça de paralisação ampla, há risco de prejuízos operacionais em unidades de atendimento à população.
Até o momento, a Prefeitura de Araraquara não anunciou oficialmente um cronograma definitivo para regularização completa dos pagamentos.
Clima é de indignação entre trabalhadores
Em frente à empresa, cerca de 50 trabalhadores se reuniram na manhã desta quarta-feira cobrando respostas. Muitos afirmaram que sequer sabem quando receberão os salários atrasados.
“Era para ter caído o pagamento hoje, 13 de maio, e não caiu. Estamos na porta da empresa e recebemos a informação que não há previsão de pagamento. Não vamos saber que dia vamos receber”, afirmou uma funcionária.
O clima entre os trabalhadores é de indignação e insegurança diante da repetição dos atrasos salariais. Agora, a expectativa gira em torno da manifestação marcada para esta quinta-feira em frente à Prefeitura de Araraquara, onde os trabalhadores prometem pressionar o Executivo por uma solução definitiva.
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