Boulos cobra Flávio Bolsonaro por deixar milícia fora de lista a Trump
Em evento do GovBR em Araraquara, ministro questionou por que Flávio Bolsonaro pediu a Trump para enquadrar PCC e Comando Vermelho como terroristas, mas deixou as milícias de fora

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) usou um evento em Araraquara nesta quarta-feira (10) para fazer uma das críticas mais duras dos últimos dias à família Bolsonaro. Durante a Feira da Cidadania do GovBR na Rua, no Parque Infantil, o ministro questionou por que o senador Flávio Bolsonaro (PL), em encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, mas não fez o mesmo em relação às milícias do Rio de Janeiro.
Para Boulos, a omissão não é casual. O ministro insinuou que há interesses por trás da escolha e relembrou a relação histórica entre a família Bolsonaro e Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelo Ministério Público como chefe do grupo paramilitar conhecido como "Escritório do Crime".
A fala se deu no mesmo dia em que o ministro participou da abertura oficial do programa federal ao lado do presidente nacional do PT e ex-prefeito da cidade, Edinho Silva, e da deputada estadual Thainara Faria (PT). O tom, porém, extrapolou a agenda de serviços públicos e mirou diretamente o adversário político no momento em que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026.
"Para eles, combate ao crime organizado era chegar no barraco de uma favela, chutar a porta e prender o aviãozinho. Pra nós, combate ao crime organizado é chegar lá na Faria Lima, pegar o banqueiro, dono do dinheiro do crime e colocar ele na cadeia. E é isso que o governo Lula fez, que nenhum outro governo teve a coragem de fazer. E segundo, eu quero fazer uma pergunta. Eu fiquei intrigado se o senador (Flávio Bolsonaro) que foi lá falar com o Trump, pedir tarifaço e negócio de terrorismo, eu fiquei intrigado por que que ele não pediu pra colocar a milícia do Rio de Janeiro como organização terrorista. Talvez seja porque o chefe da milícia do Rio de Janeiro era do gabinete dele quando ele foi deputado estadual. O senhor Adriano da Nóbrega, do escritório do crime, teve envolvimento, tinha envolvimento direto com a família dele, porque ele condecorou miliciano. Então veja, aqui a gente precisa ser coerente."
O que Flávio Bolsonaro pediu a Trump
A crítica tem como pano de fundo um episódio concreto. Em 26 de maio de 2026, após encontro com Trump no Salão Oval da Casa Branca, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos que as facções PCC e Comando Vermelho fossem classificadas como organizações terroristas. Na ocasião, o senador disse que Trump ficou de avaliar o pedido.
O movimento da oposição contrasta com a posição do governo brasileiro. Em encontro realizado em Brasília, o governo federal rejeitou um pedido do Departamento de Estado americano para designar as duas facções como organizações terroristas. Em nenhum momento das declarações públicas, contudo, as milícias cariocas foram incluídas no rol citado por Flávio, lacuna que serviu de base para a provocação de Boulos.
O caso Adriano da Nóbrega
A ligação evocada pelo ministro está documentada, ainda que com um detalhe importante de contexto. Quem constava na folha do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual, não era o próprio Adriano, mas pessoas de sua família: Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, respectivamente mãe e ex-esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete do então deputado estadual até 2018.
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O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) usou um evento em Araraquara nesta quarta-feira (10) para fazer uma das críticas mais duras dos últimos dias à família Bolsonaro. Durante a Feira da Cidadania do GovBR na Rua, no Parque Infantil, o ministro questionou por que o senador Flávio Bolsonaro (PL), em encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, mas não fez o mesmo em relação às milícias do Rio de Janeiro. Para Boulos, a omissão não é casual. O ministro insinuou que há interesses por trás da escolha e relembrou a relação histórica entre a família Bolsonaro e Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelo Ministério Público como chefe do grupo paramilitar conhecido como "Escritório do Crime". A fala se deu no mesmo dia em que o ministro participou da abertura oficial do programa federal ao lado do presidente nacional do PT e ex-prefeito da cidade, Edinho Silva, e da deputada estadual Thainara Faria (PT). O tom, porém, extrapolou a agenda de serviços públicos e mirou diretamente o adversário político no momento em que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026. "Para eles, combate ao crime organizado era chegar no barraco de uma favela, chutar a porta e prender o aviãozinho. Pra nós, combate ao crime organizado é chegar lá na Faria Lima, pegar o banqueiro, dono do dinheiro do crime e colocar ele na cadeia. E é isso que o governo Lula fez, que nenhum outro governo teve a coragem de fazer. E segundo, eu quero fazer uma pergunta. Eu fiquei intrigado se o senador (Flávio Bolsonaro) que foi lá falar com o Trump, pedir tarifaço e negócio de terrorismo, eu fiquei intrigado por que que ele não pediu pra colocar a milícia do Rio de Janeiro como organização terrorista. Talvez seja porque o chefe da milícia do Rio de Janeiro era do gabinete dele quando ele foi deputado estadual. O senhor Adriano da Nóbrega, do escritório do crime, teve envolvimento, tinha envolvimento direto com a família dele, porque ele condecorou miliciano. Então veja, aqui a gente precisa ser coerente." O que Flávio Bolsonaro pediu a Trump A crítica tem como pano de fundo um episódio concreto. Em 26 de maio de 2026, após encontro com Trump no Salão Oval da Casa Branca, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos que as facções PCC e Comando Vermelho fossem classificadas como organizações terroristas. Na ocasião, o senador disse que Trump ficou de avaliar o pedido. O movimento da oposição contrasta com a posição do governo brasileiro. Em encontro realizado em Brasília, o governo federal rejeitou um pedido do Departamento de Estado americano para designar as duas facções como organizações terroristas. Em nenhum momento das declarações públicas, contudo, as milícias cariocas foram incluídas no rol citado por Flávio, lacuna que serviu de base para a provocação de Boulos. O caso Adriano da Nóbrega A ligação evocada pelo ministro está documentada, ainda que com um detalhe importante de contexto. Quem constava na folha do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual, não era o próprio Adriano, mas pessoas de sua família: Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, respectivamente mãe e ex-esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete do então deputado estadual até 2018. A relação direta de Flávio com o miliciano aparece em outro episódio. Em 2005, Adriano recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em homenagem proposta por Flávio Bolsonaro e entregue com a participação de Jair Bolsonaro, à época, Adriano estava preso. Apontado pelo MP como integrante da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime, Adriano foi morto em operação policial na Bahia em fevereiro de 2020, após mais de um ano foragido. O outro lado As acusações ligadas ao gabinete sempre foram negadas pela família. Segundo investigações do MP do Rio, mãe e ex-mulher de Adriano teriam participado de um esquema de "rachadinha", mas o senador sempre negou as acusações, e em 2021 decisões do STF e do STJ invalidaram provas usadas na investigação, levando ao encerramento do caso. O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) usou um evento em Araraquara nesta quarta-feira (10) para fazer uma das críticas mais duras dos últimos dias à família Bolsonaro. Durante a Feira da Cidadania do GovBR na Rua, no Parque Infantil, o ministro questionou por que o senador Flávio Bolsonaro (PL), em encontro recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, mas não fez o mesmo em relação às milícias do Rio de Janeiro. Para Boulos, a omissão não é casual. O ministro insinuou que há interesses por trás da escolha e relembrou a relação histórica entre a família Bolsonaro e Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelo Ministério Público como chefe do grupo paramilitar conhecido como "Escritório do Crime". A fala se deu no mesmo dia em que o ministro participou da abertura oficial do programa federal ao lado do presidente nacional do PT e ex-prefeito da cidade, Edinho Silva, e da deputada estadual Thainara Faria (PT). O tom, porém, extrapolou a agenda de serviços públicos e mirou diretamente o adversário político no momento em que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026. "Para eles, combate ao crime organizado era chegar no barraco de uma favela, chutar a porta e prender o aviãozinho. Pra nós, combate ao crime organizado é chegar lá na Faria Lima, pegar o banqueiro, dono do dinheiro do crime e colocar ele na cadeia. E é isso que o governo Lula fez, que nenhum outro governo teve a coragem de fazer. E segundo, eu quero fazer uma pergunta. Eu fiquei intrigado se o senador (Flávio Bolsonaro) que foi lá falar com o Trump, pedir tarifaço e negócio de terrorismo, eu fiquei intrigado por que que ele não pediu pra colocar a milícia do Rio de Janeiro como organização terrorista. Talvez seja porque o chefe da milícia do Rio de Janeiro era do gabinete dele quando ele foi deputado estadual. O senhor Adriano da Nóbrega, do escritório do crime, teve envolvimento, tinha envolvimento direto com a família dele, porque ele condecorou miliciano. Então veja, aqui a gente precisa ser coerente." O que Flávio Bolsonaro pediu a Trump A crítica tem como pano de fundo um episódio concreto. Em 26 de maio de 2026, após encontro com Trump no Salão Oval da Casa Branca, o senador Flávio Bolsonaro afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos que as facções PCC e Comando Vermelho fossem classificadas como organizações terroristas. Na ocasião, o senador disse que Trump ficou de avaliar o pedido. O movimento da oposição contrasta com a posição do governo brasileiro. Em encontro realizado em Brasília, o governo federal rejeitou um pedido do Departamento de Estado americano para designar as duas facções como organizações terroristas. Em nenhum momento das declarações públicas, contudo, as milícias cariocas foram incluídas no rol citado por Flávio, lacuna que serviu de base para a provocação de Boulos. O caso Adriano da Nóbrega A ligação evocada pelo ministro está documentada, ainda que com um detalhe importante de contexto. Quem constava na folha do gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual, não era o próprio Adriano, mas pessoas de sua família: Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, respectivamente mãe e ex-esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete do então deputado estadual até 2018. A relação direta de Flávio com o miliciano aparece em outro episódio. Em 2005, Adriano recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em homenagem proposta por Flávio Bolsonaro e entregue com a participação de Jair Bolsonaro, à época, Adriano estava preso. Apontado pelo MP como integrante da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime, Adriano foi morto em operação policial na Bahia em fevereiro de 2020, após mais de um ano foragido. O outro lado As acusações ligadas ao gabinete sempre foram negadas pela família. Segundo investigações do MP do Rio, mãe e ex-mulher de Adriano teriam participado de um esquema de "rachadinha", mas o senador sempre negou as acusações, e em 2021 decisões do STF e do STJ invalidaram provas usadas na investigação, levando ao encerramento do caso.
A relação direta de Flávio com o miliciano aparece em outro episódio. Em 2005, Adriano recebeu a Medalha Tiradentes, uma das principais honrarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em homenagem proposta por Flávio Bolsonaro e entregue com a participação de Jair Bolsonaro, à época, Adriano estava preso. Apontado pelo MP como integrante da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime, Adriano foi morto em operação policial na Bahia em fevereiro de 2020, após mais de um ano foragido.
O outro lado
As acusações ligadas ao gabinete sempre foram negadas pela família. Segundo investigações do MP do Rio, mãe e ex-mulher de Adriano teriam participado de um esquema de "rachadinha", mas o senador sempre negou as acusações, e em 2021 decisões do STF e do STJ invalidaram provas usadas na investigação, levando ao encerramento do caso.
Fonte: Redação
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