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Prefeitura diz que terceirizados voltam ao trabalho, mas salário só sai amanhã

Após reunião com Siemaco, empresas prometem quitar pendências nesta quinta (11); trabalhadores terceirizados relatam dificuldade até para comprar comida e contas de água e luz cortadas

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
Prefeitura diz que terceirizados voltam ao trabalho, mas salário só sai amanhã
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A paralisação dos trabalhadores terceirizados que fechou creches e afetou serviços públicos em Araraquara nesta quarta-feira (10) deve ser encerrada a partir desta quinta-feira (11). O anúncio foi feito pela Prefeitura por meio de nota, após reunião realizada na tarde desta quarta com o comitê de trabalhadores e o representante do Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação), André José da Silva.

Segundo o comunicado oficial, as empresas Soluções e Eco System, que já receberam os repasses efetuados pelo município, assumiram o compromisso de regularizar as obrigações com os trabalhadores até esta quinta-feira. Na prática, porém, o acordo encerra a paralisação antes de o dinheiro cair na conta: até a noite desta quarta, os salários atrasados ainda não haviam sido pagos.

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A normalização anunciada também não apaga o saldo do dia: nove Centros de Educação e Recreação (CERs) suspenderam o atendimento, famílias voltaram para casa com as crianças no colo e trabalhadores passaram o dia concentrados em frente ao Paço Municipal cobrando o que lhes é devido.

Trabalhadores relatam fome e contas cortadas

Enquanto a Prefeitura fala em "diálogo permanente", os relatos colhidos pela reportagem entre os funcionários das empresas terceirizadas revelam o tamanho do prejuízo acumulado. Trabalhadores ouvidos pelo Araraquara Agora contaram que estão enfrentando dificuldades até para comprar comida em razão dos atrasos.

Há casos ainda mais graves: alguns funcionários relataram que estão com o fornecimento de água e energia elétrica cortado por falta de pagamento das contas — consequência direta de salários que não chegam na data correta.

São esses mesmos profissionais que garantem a limpeza de creches, postos de saúde e prédios públicos, a manutenção de áreas verdes, a varrição urbana e o controle de acesso em unidades municipais. Ou seja, a base do funcionamento da máquina pública ficou sem o básico dentro de casa.

Paralisação dos terceirizados fechou nove creches

O movimento desta quarta-feira foi organizado por funcionários das empresas Soluções, Sangra D'Água e Ecosystem, em protesto contra atrasos salariais e benefícios pendentes — um problema que, segundo a categoria, vem se repetindo nos últimos meses.

Sem as equipes de limpeza, unidades como o CER Professora Honorina Comelli Lia e o CER Dona Cotinha de Barros comunicaram oficialmente a suspensão das aulas, alegando impossibilidade de garantir condições adequadas de higiene e segurança para receber as crianças. Ao todo, nove CERs registraram impacto, em bairros como Vila Santa Maria, Altos de Pinheiros, São José, Jardim Imperador, Parque Gramado, Vale do Sol, Água Branca e Jardim Paraíso.

Entre os pais, o sentimento foi de indignação com a repetição do problema. "Todo mês isso? Até quando?", questionou uma mãe ao encontrar os portões fechados.

Repasses parciais e uma empresa fora da nota

A própria Prefeitura admitiu, ainda pela manhã, que havia realizado apenas parte dos repasses financeiros às empresas contratadas — embora afirme ter sido "surpreendida" pela paralisação e pela informação de que os salários não haviam sido pagos.

Outro ponto que chama atenção é que a nota divulgada após a reunião cita o compromisso apenas das empresas Soluções e Eco System. A Sangra D'Água, que também emprega trabalhadores envolvidos na paralisação, não aparece no comunicado, e não há detalhamento sobre a situação dos repasses e pagamentos referentes a ela.

O acordo desta quarta, portanto, resolve a urgência — mas não responde à pergunta que pais e trabalhadores repetem: o que impede que tudo se repita no próximo mês? Enquanto o modelo de repasses e fiscalização dos contratos terceirizados não mudar, a conta tende a continuar chegando para quem menos pode pagar: o trabalhador e a família que depende da creche aberta.

Veja a nota da Prefeitura na íntegra:

"A Prefeitura de Araraquara informou por meio de nota que em reunião realizada nesta quarta-feira junto ao comitê de trabalhadores terceirizados e ao representante do Siemaco, André José da Silva, ficou acordada a normalização das atividades a partir desta quinta-feira (11/06).

Durante a reunião, as empresas Soluções e Eco System, que já receberam os repasses efetuados pela Prefeitura, assumiram o compromisso de regularizar as obrigações junto aos trabalhadores até amanhã.

A Prefeitura de Araraquara disse que segue à disposição para o diálogo permanente entre as partes, preservando sempre os direitos dos trabalhadores e garantindo a continuidade e o pleno funcionamento dos serviços públicos prestados à população."

 

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Fonte: Redação

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