Tarifaço dos EUA afeta Araraquara? Veja os setores mais expostos

Nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode gerar reflexos em setores do agronegócio e da indústria

Por
7 Min

Tarifaço dos EUA afeta Araraquara? Veja os setores mais expostos
Exportações brasileiras enfrentam novo cenário após tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos; agronegócio e indústria paulista acompanham impactos / Imagens ilustrativas.

 

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa extra de 25% sobre milhares de produtos brasileiros elevou a preocupação em setores estratégicos da economia nacional. A medida, confirmada após investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), passa a valer em 22 de julho e pode atingir aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano.

Embora alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil tenham sido poupados da nova cobrança, o “tarifaço” pode provocar impactos relevantes na indústria, no agronegócio e no mercado financeiro. Em regiões fortemente ligadas à produção agroindustrial, como Araraquara e cidades do interior paulista, os efeitos tendem a ocorrer de forma indireta e gradual.

O aumento da tarifa funciona como uma espécie de sobretaxa cobrada na entrada dos produtos brasileiros em território americano. Com isso, mercadorias nacionais ficam mais caras para compradores dos Estados Unidos, reduzindo a competitividade frente a concorrentes de outros países.

 

Leia Também

 

Produtos estratégicos ficaram fora da nova tarifa

Apesar da abrangência da medida, alguns dos principais itens exportados pelo Brasil foram excluídos da lista de sobretaxação. Entre eles estão petróleo bruto, café, carne bovina, aeronaves, celulose, gás natural, suco de laranja e laranjas frescas.

A exclusão desses produtos foi recebida com alívio por importantes segmentos da economia brasileira. No caso do estado de São Paulo, por exemplo, a manutenção da competitividade do café, da citricultura e da cadeia aeronáutica evita impactos mais severos sobre setores que possuem forte participação nas exportações estaduais.

Também ficaram isentos produtos farmacêuticos, semicondutores, peixes, crustáceos, determinados minérios, ferro-gusa, castanhas e componentes aeroespaciais considerados estratégicos para a indústria americana.

 

O que ficou de fora da tarifa de 25%?

  • Carne bovina
  • Café
  • Laranjas e suco de laranja
  • Petróleo bruto e gás natural
  • Aeronaves civis
  • Motores e componentes aeroespaciais
  • Helicópteros
  • Produtos farmacêuticos
  • Ingredientes químicos para uso farmacêutico
  • Semicondutores
  • Máquinas para fabricação de semicondutores
  • Peixes e crustáceos
  • Mel orgânico
  • Castanhas
  • Ferro-gusa
  • Celulose de madeira
  • Pastas químicas de madeira
  • Certos produtos de madeira tropical
  • Alguns minérios
  • Produtos metálicos considerados estratégicos para a indústria americana

 

Produtos que serão taxados em 25%:

  • Etanol
  • Máquinas agrícolas
  • Vestuário
  • Maquinário elétrico
  • Calçados
  • Ferramentas de jardinagem
  • Equipamentos de mineração
  • Papel
  • Açúcar orgânico
  • Bens de capital
  • Produtos químicos diversos
  • Manufaturados em geral
  • Itens industriais processados

 

ENTRE EM NOSSO GRUPO DE WHATSAPP

 

Entenda como ficam os setores da região de Araraquara

Embora Araraquara e cidades vizinhas não tenham a mesma dependência das exportações para os Estados Unidos observada em grandes polos industriais do estado, a região está inserida em importantes cadeias produtivas voltadas ao mercado externo. Os impactos do tarifaço dendem a ocorrer de forma indireta, especialmente sobre investimentos, demanda por fornecedores e geração de empregos.

Na citricultura, um dos principais motores da economia regional, empresas como a Cutrale possuem forte presença internacional. O setor, no entanto, a laranja está entre os produtos que ficaram fora da nova tarifa americana.

Outro segmento relevante é o aeronáutico. A Embraer, que mantém uma unidade em Gavião Peixoto, também foi beneficiada pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos, reduzindo preocupações imediatas para a cadeia produtiva ligada à fabricação de aeronaves.

No setor de carnes e proteína animal, frigoríficos com atuação na região, como a Minerva Foods, acompanham os desdobramentos da medida. Parte dos produtos do segmento foi incluída na lista de exceções, mas a situação preocupa as empresas exportadoras.

Já o setor sucroenergético, representado por grupos como a Raízen, pode enfrentar reflexos indiretos caso o tarifaço altere fluxos de comércio internacional ou provoque mudanças nos mercados de commodities.

Fabricantes de máquinas e implementos agrícolas instalados em Matão e em outras cidades da região também aparecem entre os segmentos que merecem atenção. Mesmo sem exportar diretamente para os EUA, essas empresas podem ser afetadas, caso produtores rurais e grandes exportadores reduzam investimentos.

A mesma lógica vale para empresas dos setores de metalurgia e autopeças, que integram cadeias industriais voltadas ao mercado externo e podem sentir os efeitos de uma eventual desaceleração da atividade exportadora.

 

Impacto deve ser indireto

O tarifaço não deve provocar efeitos imediatos na economia de Araraquara e região. No entanto, caso a medida permaneça por um período prolongado e reduza a competitividade de produtos brasileiros no mercado americano, os reflexos podem chegar à região por meio da redução de investimentos, da queda na demanda por fornecedores e de uma possível desaceleração em segmentos ligados ao agronegócio e à indústria.

 

Economia brasileira

Os impactos não se limitam apenas às empresas exportadoras. O tarifaço também pode gerar reflexos em toda a economia brasileira. Com menos produtos vendidos ao exterior, algumas empresas podem reduzir a produção, afetando investimentos e a geração de empregos. Outro efeito comum em momentos de tensão comercial é a valorização do dólar frente ao real.

Quando investidores enxergam maior risco econômico, a tendência é buscar ativos considerados mais seguros, o que pode pressionar a cotação da moeda americana. Um dólar mais caro encarece importações e pode contribuir para pressões inflacionárias.

No mercado financeiro, ações de empresas exportadoras também podem sofrer oscilações. Setores ligados à indústria, papel e celulose, metalurgia e agronegócio costumam ser observados com atenção pelos investidores em momentos como este.

 

São Paulo acompanha cenário com atenção

O Estado de São Paulo possui a maior economia do país e concentra parte significativa das exportações brasileiras. Por isso, qualquer mudança nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos acaba sendo acompanhada de perto pelo setor produtivo paulista.

Além do agronegócio, o estado reúne importantes polos industriais responsáveis pela fabricação de máquinas, equipamentos, produtos químicos e bens de capital — alguns dos segmentos diretamente afetados pela nova tarifa.

A manutenção das exportações de café, suco de laranja e aeronaves fora da lista de sobretaxação ameniza parte das preocupações, mas empresários seguem atentos à possibilidade de redução da demanda por outros produtos.

 

Efeitos podem demorar a aparecer

Os impactos sobre o emprego não costumam ser imediatos. Antes de reduzir postos de trabalho, empresas normalmente buscam alternativas para manter suas operações, como a abertura de novos mercados ou o redirecionamento das exportações para outros países.

Além disso, o próprio governo americano informou que a medida poderá ser revista ou suspensa caso as questões apontadas durante a investigação comercial sejam solucionadas. Outro fator importante é que a tarifa não será aplicada às mercadorias que já tiverem deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm


  • Ir para GoogleNews
Tags »
Notícias Relacionadas »