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SAÚDE | ALERTA

Grave: UPAs de Araraquara viram 'internação improvisada' por falta de vagas na Santa Casa

Durante sessão da Câmara, vereadores denunciaram pacientes aguardando dias por transferência e dispararam contra o diretor da DRS

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Grave: UPAs de Araraquara viram 'internação improvisada' por falta de vagas na Santa Casa
Vereadores de Araraquara durante sessão que debateu a crise na saúde, falta de vagas hospitalares e superlotação nas UPAs Imagens: Câmara Araraquara/ Divulgação.

 

A situação da saúde em Araraquara entrou novamente em pauta após vereadores relatarem dificuldades no sistema de regulação de vagas hospitalares durante a Sessão da Câmara na última terça-feira (14). Segundo os parlamentares, pacientes que precisam de internação permanecem por vários dias nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) à espera de transferência, situação que transforma unidades de urgência em espaços de permanência prolongada.

As reclamações apresentadas apontam para dificuldades no funcionamento do sistema estadual de regulação, conhecido como CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), responsável por organizar encaminhamentos para leitos hospitalares. Na avaliação dos vereadores, a demora na liberação das vagas tem provocado superlotação tanto nas UPAs quanto na Santa Casa de Araraquara.

Durante a sessão, parlamentares afirmaram que a falta de fluxo entre os serviços de saúde tem aumentado a pressão sobre profissionais e pacientes. A principal cobrança foi direcionada ao Departamento Regional de Saúde III (DRS-III), órgão ligado ao Governo do Estado responsável pela articulação regional da rede hospitalar.

 

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Crise na saúde de Araraquara aumenta espera por internações

Um dos relatos foi do vereador Enfermeiro Delmiran (PL), que descreveu dificuldades enfrentadas pela Santa Casa. Segundo ele, a unidade atenderia uma quantidade de pacientes muito acima da capacidade inicialmente planejada. O parlamentar afirmou que a estrutura hospitalar, projetada para aproximadamente 30 pacientes em determinada área, receberia cerca de 70 pessoas, situação que mostra a pressão sobre o sistema. "A conta não bate", disse.

Outro vereador que fez críticas foi Paulo Landim (PT), que alertou para os riscos da demora na transferência de pacientes em estado grave. Segundo ele, pessoas que necessitam de atendimento hospitalar especializado permanecem aguardando uma vaga por dias, aumentando o risco de agravamento dos quadros clínicos.

 

"Vai morrer", disse Paulo Landim alertando que a falta de regulação de vagas levaria ao óbito de pacientes que não estão em estado terminal.

 

A situação relatada pelos vereadores indica que as UPAs, que deveriam funcionar como portas de entrada para atendimento emergencial, estabilização e encaminhamento, passaram a absorver pacientes que necessitam de estrutura hospitalar.

 

Pacientes ficam dias nas UPAs aguardando vagas

Durante o debate na Câmara, os vereadores citaram casos de pacientes que permanecem nas unidades de pronto atendimento por períodos considerados acima do esperado. Entre os exemplos apresentados está o caso de um adolescente de 14 anos que, segundo os parlamentares, aguardava desde o dia 6 de julho por uma vaga para atendimento psiquiátrico.

A permanência prolongada de pacientes nas UPAs é apontada como um dos principais sinais do problema de regulação. De acordo com os vereadores, quando um paciente necessita de internação, a unidade deveria conseguir rapidamente o encaminhamento para um hospital adequado. Com a demora, profissionais das UPAs precisam administrar situações que exigem acompanhamento contínuo, ocupando espaços destinados ao atendimento de novos casos de urgência.

 

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Vereadores cobram atuação da DRS-III

Durante a sessão, a atuação do Departamento Regional de Saúde III foi alvo de críticas dos parlamentares. Os vereadores cobraram respostas do diretor regional de Saúde, Antônio Martins, conhecido como Toninho Martins.

O vereador Aluísio Boi (MDB) afirmou que o problema da saúde não está apenas na falta de recursos, mas também na dificuldade de regulação de vagas pelo sistema estadual.

 

“O silêncio me preocupa”, diz vereador sobre atuação da DRS.

 

Durante a manifestação na Câmara Municipal, Boi afirmou que o silêncio de Toninho Martins, tem causado preocupação diante da situação enfrentada pelos pacientes que aguardam transferência. Segundo o vereador, enquanto não há uma resposta efetiva da regulação, moradores permanecem por dias nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) à espera de internação.

 

“O silêncio me preocupa, mas hoje está me incomodando por dentro porque as pessoas estão sofrendo”, declarou Boi ao comentar a falta de posicionamento da DRS.

 

O parlamentar afirmou que pacientes estariam “agonizando na UPA”, aguardando dois ou três dias por uma vaga hospitalar. “Estamos enxugando gelo”, afirma Boi sobre envio de recursos

Ainda em tom de crítica, Boi afirmou que gestores públicos precisam acompanhar de perto os problemas enfrentados pelos pacientes e pelas equipes de saúde. O vereador declarou que, caso um responsável pela gestão pública não tenha disposição para enfrentar a situação, deveria “entregar o cargo” para alguém disposto a atuar diante da crise.

O companheiro de partido de Boi, vereador Marcão da Saúde também questionou a dificuldade de comunicação com o órgão estadual e afirmou que a falta de respostas agrava a situação enfrentada pelo município. Segundo ele, o problema não seria apenas financeiro, mas principalmente relacionado ao funcionamento da regulação de vagas hospitalares.

 

"Toninho Martins atende o telefone o senhor não atende ninguém o senhor fica aí se escondendo e a cidade num caos"

 

O vereador denunciou que existem 22 leitos prontos para funcionar em Américo Brasiliense que não estão sendo utilizados pela gestão regional, o que agrava a falta de vagas na Santa Casa de Araraquara.

A proposta defendida é que esses espaços sejam melhor aproveitados dentro da rede regional, funcionando como alternativa para pacientes que aguardam transferência. Marcão da Saúde ainda defendeu que a Comissão de Saúde da Câmara acompanhe de perto a situação e solicite informações sobre a real disponibilidade de vagas hospitalares na região.

 

Câmara aprova quase R$ 1,6 milhão para reforçar atendimento

Mesmo diante das críticas sobre a regulação estadual, os vereadores aprovaram medidas emergenciais para fortalecer a estrutura da rede municipal de saúde. O pacote aprovado soma aproximadamente R$ 1,6 milhão em investimentos destinados à Santa Casa e às Unidades de Pronto Atendimento.

Entre os recursos estão:

💰 R$ 1 milhão para custeio da Santa Casa, incluindo despesas assistenciais, medicamentos e materiais utilizados no atendimento;

💰 R$ 300 mil para reposição do estoque de medicamentos da instituição;

💰 R$ 297 mil para compra de equipamentos para as UPAs Central, Vale Verde e Vila Xavier.

Os equipamentos previstos incluem desfibriladores, cardioversores, monitores multiparâmetros e aparelhos de eletrocardiograma, itens considerados essenciais para atendimento de pacientes em situações de emergência.

Durante a 70ª Sessão Ordinária, parlamentares defenderam recursos para a saúde, cobraram respostas da DRS e discutiram alternativas para ampliar o acesso a leitos hospitalares
Durante a 70ª Sessão Ordinária, parlamentares defenderam recursos para a saúde, cobraram respostas da DRS e discutiram alternativas para ampliar o acesso a leitos hospitalares

Debate financeiro envolve Prefeitura e Santa Casa

Além da discussão sobre vagas hospitalares, a sessão também teve críticas relacionadas aos repasses financeiros destinados à Santa Casa. O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) afirmou existir atraso em pagamentos municipais destinados à instituição. "Calote que Lapena tem feito na Santa Casa", acusação feita pelo vereador sobre o atraso de repasses municipais à instituição. Ooutros parlamentares defenderam que a manutenção dos atendimentos deve ser prioridade.

João Clemente (PP) afirmou que qualquer redução de leitos por dificuldades financeiras representaria um grave problema para a população. "Se um gestor público... fechar um leito na Santa Casa por qualquer motivo que seja, tem sangue nas mãos", disse

Clemente argumentou que a saúde é lei e não um "favor", condenando moralmente quem prioriza questões financeiras em detrimento da vida.

 

"Ó vai fechar se não pagar", segundo o vereador, essa frase tornou-se uma "rotina" nas mensagens enviadas pela administração hospitalar para pressionar por repasses.

 

Solução depende de reorganização regional, dizem vereadores

Ao final do debate, os parlamentares destacaram que os recursos aprovados representam uma resposta emergencial, mas não solucionam o principal problema apontado, que é a demora na regulação de vagas hospitalares.

Na avaliação da Câmara, é necessário ampliar a integração entre Prefeitura, Estado, Santa Casa e demais unidades regionais para melhorar o funcionamento do sistema. A expectativa é que os órgãos envolvidos apresentem esclarecimentos sobre as denúncias e indiquem medidas para reduzir a espera por transferências.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

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