CUCA | CRISE
Professor expõe problemas do CUCA na Câmara e cobra diálogo com Prefeitura
Luiz Guilherme Xavier Cação relatou infiltrações, falta de materiais, dificuldades no transporte e evasão de alunos durante a Tribuna Popular

A situação do Cursinho Unificado do Câmpus de Araraquara (CUCA) foi discutida na Sessão da Câmara de Araraquara, realizada na terça-feira (18). Durante a Tribuna Popular, Luiz Guilherme Xavier Cação relatou problemas na estrutura do prédio, falta de materiais para as aulas, dificuldades no transporte público e aumento da evasão de estudantes.
Segundo os relatos apresentados durante a sessão, as dificuldades não se limitam à manutenção do prédio. O funcionamento cotidiano do cursinho também seria afetado pela falta de insumos básicos, por equipamentos que não funcionariam adequadamente e por obstáculos enfrentados pelos alunos para permanecer nas aulas até o fim do período.
Criado como projeto de extensão da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o CUCA é um cursinho popular gratuito voltado principalmente a estudantes de baixa renda e oriundos de escolas públicas. O regimento da instituição estabelece entre seus objetivos a democratização do acesso ao ensino superior e a redução das desigualdades educacionais.
Durante a manifestação na Câmara, Luiz Guilherme afirmou que o projeto continua funcionando apesar das dificuldades. Ele também destacou o resultado obtido pelos estudantes que permaneceram até o fim do curso, com uma taxa de aprovação de 73,34%, segundo o dado apresentado na sessão.
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CUCA Araraquara enfrenta problemas na estrutura
Um dos principais pontos apresentados na Tribuna Popular foi a situação física da sede do cursinho. Conforme o relato, o imóvel apresenta infiltrações, mofo e problemas nas calhas, além de episódios de entrada de água durante períodos de chuva.
O professor relatou aos vereadores que, em dias de chuva intensa, a situação teria chegado ao ponto de comprometer a utilização do espaço. Em uma das descrições feitas durante a sessão, ele afirmou ter presenciado uma espécie de “cachoeira” de água caindo dentro da sede.
A situação teria provocado a transferência temporária de aulas para a Faculdade de Odontologia no início de 2026. A mudança aparece, no relato apresentado aos vereadores, como uma alternativa diante das condições do prédio.
Além da questão estrutural, foram citadas dificuldades relacionadas aos equipamentos utilizados nas aulas. Segundo Luiz Guilherme, faltam canetas para lousas brancas e há projetores que não funcionam adequadamente.
A falta desses recursos pode afetar principalmente disciplinas que dependem de materiais visuais para apresentação de conteúdos. Durante a manifestação, foram citados exemplos relacionados à biologia celular e a outros assuntos que exigem projeção de imagens e esquemas.
‘A gente não tem caneta para dar aula, os nossos projetores eles estão parados, eles não funcionam direito’

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Novo Ensino Médio aumenta desafio para cursinho popular
Outro eixo da discussão foi o impacto do Novo Ensino Médio sobre estudantes que buscam ingressar em universidades públicas. Na avaliação apresentada pelo professor, existe uma diferença entre a formação oferecida aos alunos da rede pública e o conjunto de conteúdos cobrados nos principais vestibulares.
Segundo ele, a reorganização curricular teria ampliado uma lacuna que acaba sendo parcialmente compensada pelo CUCA. "O cursinho entra como esse papel... já que a escola não está conseguindo fazer isso"
O argumento apresentado na Câmara é que os processos seletivos para universidades como Unesp, USP e Unicamp continuam exigindo conhecimentos abrangentes, enquanto estudantes podem chegar ao cursinho sem terem tido contato suficiente com determinados conteúdos durante a educação básica.
Com isso, o CUCA precisa ampliar o trabalho de preparação para os vestibulares, já que também enfrenta a necessidade de revisar e reforçar conteúdos que, segundo os relatos apresentados na Câmara, não foram trabalhados de forma suficiente na rede pública de ensino.
Ele ainda classificou a situação como uma sobrecarga para o projeto e afirmou que a formação dos estudantes da rede pública no município apresenta deficiências que dificultam a disputa por vagas no ensino superior.
"A formação desses alunos pública no município de Araraquara é falha; esses alunos não vão passar nos vestibulares"
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Evasão preocupa e revela barreiras fora da sala de aula
A permanência dos alunos também foi apontada como um dos principais desafios enfrentados pelo cursinho. De acordo com os números apresentados durante a sessão, a unidade Centro teria iniciado o ano com turmas de aproximadamente 70 estudantes e chegado ao fim do período com cerca de 40. No núcleo ligado ao Instituto de Química, a redução teria sido ainda maior, com aproximadamente 20 estudantes permanecendo.
Os relatos indicam que a evasão não estaria relacionada exclusivamente ao desempenho acadêmico. Transporte, segurança e alimentação foram citados como fatores que dificultam a continuidade dos estudos.
No período noturno, por exemplo, as aulas terminam depois das 22h e os horários do transporte coletivo não seriam compatíveis com o encerramento das atividades, deixando parte dos estudantes sem uma opção adequada para retornar aos bairros onde moram.
A situação seria particularmente complicada para jovens de regiões mais afastadas do centro. A necessidade de percorrer parte do trajeto a pé até o terminal rodoviário também foi apontada como um fator de preocupação.
Outro problema citado foi a alimentação. Muitos estudantes são trabalhadores e chegam ao cursinho diretamente após o expediente. Sem uma estrutura que permita fazer uma refeição antes ou durante as aulas, o rendimento e a própria permanência podem ser prejudicados.
O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) defendeu, durante a discussão, medidas relacionadas ao transporte público e ao passe livre estudantil. A proposta foi apresentada como uma forma de reduzir uma das barreiras que afastam jovens da periferia das oportunidades educacionais.
Falta de diálogo com a Prefeitura
Luiz Guilherme Xavier Cação também criticou a falta de interlocução entre o CUCA e a Prefeitura de Araraquara. Segundo ele, a dificuldade de comunicação prejudica o encaminhamento de demandas básicas e a construção de políticas públicas voltadas ao cursinho.
O representante do CUCA afirmou ainda que o contato com o Executivo é difícil e que isso acaba dificultando a busca por soluções para o funcionamento do projeto. “A gente tem um contato dificílimo com a prefeitura e isso só afasta ainda mais as realizações de políticas públicas pró funcionamento do cursinho.”
“Não lidar com esses sonhos que essa população tanto precisa... é covardia. Não lidar com a devida atenção é muita falta de urgência.”
Vereadores cobram ações para o CUCA
A situação apresentada na Tribuna Popular provocou manifestações de diferentes vereadores. Fabi Virgílio (PT) defendeu que o prédio do cursinho seja incluído no cronograma regular de manutenção do município. “Não incluir o prédio no seu rol de manutenções cotidianas... vai fazer com que um espaço tão bonito criado do zero seja assim degradado.”
Alcindo Sabino (PT) também demonstrou preocupação com os problemas estruturais e defendeu que haja uma equipe capaz de prestar assistência aos equipamentos públicos que enfrentam problemas semelhantes.
João Clemente (Progressistas) ressaltou a trajetória do cursinho e sua importância na formação dos estudantes. Em sua manifestação, classificou o CUCA como uma espécie de última oportunidade para jovens que buscam ampliar suas possibilidades por meio da educação.
“O cursinho passa a ser a última trincheira de dignidade do estudante brasileiro.”
O vereador afirmou que, diante das dificuldades enfrentadas pelos alunos da rede pública, o CUCA acaba assumindo uma função ainda mais importante. Já o coronel Prado (Novo) também chamou atenção para os índices de evasão e defendeu que o poder público procure compreender os motivos que levam os alunos a abandonar as aulas.
A vereadora Filipa Brunelli (PT) fez críticas ao tratamento dado às políticas de educação pública e afirmou que a precarização desses espaços afeta diretamente a população atendida.
“Quando de fato nós encontrarmos governantes que se preocupam de fato com a educação pública a gente jamais vai enfrentar problemas como esse.”
Quais soluções foram apresentadas?
Uma das propostas apresentadas é estabelecer um cronograma periódico de manutenção da sede, incluindo inspeções das calhas, reparos nas infiltrações e correção de problemas antes que as chuvas provoquem danos maiores.
Outra frente envolve a permanência estudantil. Nesse caso, as sugestões apresentadas incluem a revisão dos horários do transporte coletivo, discussão sobre passe livre e criação de mecanismos de apoio para estudantes em situação de vulnerabilidade.
A alimentação também entrou na discussão. A oferta de refeições ou algum tipo de apoio alimentar poderia beneficiar principalmente os chamados alunos-trabalhadores, que frequentam as aulas depois de uma jornada de trabalho.
Na área administrativa, os vereadores defenderam uma comunicação mais efetiva entre o CUCA, a Unesp e a Prefeitura. A identificação de responsáveis pela interlocução entre as instituições foi apontada como necessária para acelerar respostas a demandas como compra de materiais e manutenção. Também foi mencionada a possibilidade de utilização de emendas parlamentares para contribuir com despesas do projeto.
Audiência pública deve ampliar debate sobre educação
Entre os próximos passos mencionados durante a sessão está a realização de uma audiência pública em 31 de agosto, com discussão sobre os impactos do Novo Ensino Médio e as condições de funcionamento do cursinho.
A expectativa é que o debate permita reunir representantes do poder público, comunidade acadêmica e integrantes do CUCA para discutir alternativas de financiamento, infraestrutura e permanência estudantil.
Resultado dos alunos reforça importância do projeto
Mesmo diante das dificuldades relatadas, o desempenho dos estudantes foi utilizado como argumento em defesa da continuidade e do fortalecimento do CUCA. O índice de 73,34% de aprovação entre os alunos que chegaram ao final do curso, apresentado durante a sessão, foi citado como demonstração da capacidade pedagógica do projeto.

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