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ECONOMIA | NOVA PREVISÃO

Salário mínimo vai subir em 2027; veja o que o governo prevê

Projeção será incluída no Orçamento de 2027, mas valor definitivo só será conhecido após a divulgação da inflação de novembro

Cassiane Chagas|· 5 min de leitura
Salário mínimo vai subir em 2027; veja o que o governo prevê
Salário mínimo poderá chegar a R$ 1.741 em 2027, segundo nova projeção do governo federal Foto ilustrativa: Raphael Ribeiro BCB.

 

O salário mínimo poderá subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027, segundo a nova projeção apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. A estimativa representa um aumento de R$ 120, equivalente a 7,4%, e deverá constar do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) que o governo federal pretende encaminhar ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto.

O valor, porém, ainda não está definido. Trata-se de uma previsão utilizada na elaboração do Orçamento do próximo ano. O número definitivo dependerá principalmente da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que será considerado no cálculo do reajuste.

A nova estimativa também representa uma revisão em relação ao valor apresentado anteriormente pelo governo. Na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhada em abril, a previsão era de um salário mínimo de R$ 1.717 em 2027. A projeção atual, portanto, ficou R$ 24 acima da anterior.

 

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Salário mínimo depende da inflação

A definição do novo piso segue uma política de valorização que considera a inflação e um ganho real para os trabalhadores. A legislação atualmente estabelece que o reajuste deve preservar o poder de compra e acrescentar crescimento acima da inflação, respeitando os limites definidos para a evolução das despesas públicas.

De acordo com o Ministério da Fazenda, a mudança na regra preservou a possibilidade de ganho real para o salário mínimo, mas passou a limitar esse crescimento às regras fiscais. A política considera a inflação medida pelo INPC e o desempenho econômico, dentro do limite de crescimento real das despesas estabelecido pelo regime fiscal.

O INPC é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e acompanha a variação dos preços para famílias de renda mais baixa. Para o salário mínimo de 2027, será necessário aguardar a divulgação do índice acumulado até novembro.

Por isso, os R$ 1.741 anunciados pelo governo não devem ser tratados como valor definitivo. Se os indicadores utilizados no cálculo apresentarem comportamento diferente do previsto, a quantia poderá ser alterada antes da entrada em vigor do novo piso.

A expectativa é de que o valor final seja conhecido no fim de 2026. Caso a projeção atual seja confirmada, o novo salário mínimo passará a valer a partir de janeiro de 2027.

 

Impacto do salário mínimo nas contas públicas

O reajuste tem efeitos que vão muito além do pagamento recebido mensalmente por trabalhadores que ganham o piso nacional. Como diversos benefícios são vinculados ao salário mínimo, cada aumento também amplia as despesas obrigatórias do governo.

Entre os pagamentos influenciados pelo piso estão benefícios previdenciários, aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O valor também tem reflexos sobre o seguro-desemprego e o abono salarial, observadas as regras específicas de cada benefício.

A própria contribuição previdenciária dos Microempreendedores Individuais (MEIs) também é afetada pela evolução do salário mínimo, já que parte do recolhimento mensal dessa categoria é calculada com base no piso nacional.

O governo, portanto, precisa considerar o reajuste no planejamento do Orçamento. Uma elevação maior significa aumento das despesas vinculadas ao mínimo e pode reduzir o espaço disponível para outras áreas do gasto público.

O Ministério da Fazenda já destacou que uma parcela significativa das despesas obrigatórias está relacionada ao salário mínimo. Em documento sobre a política de valorização, a pasta explicou que o objetivo das mudanças recentes foi permitir aumento real do piso sem provocar uma expansão das despesas obrigatórias acima dos limites fiscais.

 

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Como fica a situação em São Paulo

Em São Paulo, é importante diferenciar o salário mínimo nacional do piso estadual. O estado possui um salário mínimo paulista próprio para determinadas categorias profissionais que não têm piso definido por legislação federal, convenção ou acordo coletivo.

Em maio de 2026, foi sancionado o reajuste do Salário Mínimo Paulista para R$ 1.874,36, valor que passou a contemplar cerca de 70 categorias. Entre os trabalhadores abrangidos estão, por exemplo, empregados domésticos, cuidadores de idosos e pessoas com deficiência, motoboys, serventes e pescadores, desde que não exista outro piso aplicável à categoria.

Isso significa que a eventual elevação do salário mínimo federal para R$ 1.741 em 2027 não substituirá automaticamente o piso estadual paulista. São regras diferentes e aplicadas a grupos distintos de trabalhadores.

Para moradores de Araraquara e de outras cidades paulistas, essa distinção é importante na hora de verificar qual piso salarial deve ser aplicado a cada relação de trabalho.

 

Valor ainda depende do Orçamento

A projeção de R$ 1.741 será incorporada ao planejamento financeiro do governo federal por meio do PLOA de 2027. Depois de encaminhada ao Congresso, a proposta será analisada pelos parlamentares, que poderão discutir diferentes pontos do projeto orçamentário.

O salário mínimo, entretanto, só terá seu valor efetivamente confirmado após a consolidação dos indicadores econômicos utilizados no cálculo.

A expectativa é que o INPC acumulado até novembro de 2026 seja um dos principais elementos para a definição do valor. Por isso, ainda existe possibilidade de mudança em relação à projeção apresentada nesta semana.

Se os R$ 1.741 forem confirmados, o trabalhador que atualmente recebe o piso nacional terá R$ 120 a mais por mês. Em um ano, considerando 12 pagamentos e sem incluir outros valores, a diferença nominal chegaria a R$ 1.440.

Fonte: Agência Brasil.

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