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ALERTA | SAÚDE

Ribeirão Preto confirma caso de febre do Nilo Ocidental

Moradora de 34 anos viajou para a região amazônica e Minas Gerais e autoridades ainda investigam onde ocorreu a infecção

Redação Araraquara Agora|· 6 min de leitura
Ribeirão Preto confirma caso de febre do Nilo Ocidental
Ribeirão Preto investiga caso de febre do Nilo Ocidental em moradora que teve histórico recente de viagens para a região amazônica e Minas Gerais Imagem: Fiocruz/ Divulgação.

 

Ribeirão Preto confirmou um caso humano de febre do Nilo Ocidental, doença viral transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex. A paciente é uma mulher de 34 anos, moradora do município, que apresentou histórico recente de viagens para a região amazônica e para Minas Gerais. A mulher já está curada.

Apesar da confirmação laboratorial, a Secretaria da Saúde ainda não afirma que o vírus esteja circulando em Ribeirão Preto. O principal objetivo da investigação neste momento é determinar onde ocorreu a infecção.

O caso faz parte dos primeiros registros humanos da doença no Estado de São Paulo. Um segundo diagnóstico foi confirmado em uma jovem de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece sob cuidados médicos. Em ambos os episódios, as equipes de vigilância epidemiológica trabalham para identificar o provável local de transmissão.

A confirmação dos casos ocorreu após exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, referência estadual para análises de interesse da saúde pública. Os registros também foram notificados ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

 

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Febre do Nilo Ocidental: investigação continua em Ribeirão Preto

A presença do vírus no organismo da paciente não significa, neste momento, que exista transmissão estabelecida em Ribeirão Preto. A Secretaria Municipal da Saúde considera o histórico de deslocamentos da mulher para tentar reconstruir onde ela poderia ter sido exposta ao mosquito infectado.

Entre os fatores analisados estão as cidades visitadas, o período de permanência em cada local e a data em que os primeiros sintomas apareceram. Essas informações são importantes porque ajudam as equipes a estabelecer uma possível relação entre o período de incubação da doença e os locais frequentados pela paciente.

Segundo o Ministério da Saúde, a febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada por um arbovírus. O ciclo de transmissão envolve principalmente aves silvestres, que podem carregar o vírus e servir como fonte de infecção para mosquitos. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e, em geral, não participam da manutenção do ciclo de transmissão.

Por isso, a confirmação de um caso em uma pessoa exige investigação epidemiológica para saber se houve exposição em uma região onde o vírus já circula ou se existe algum cenário de transmissão ainda não identificado.

 

Como ocorre a transmissão da doença

A principal forma de transmissão acontece quando um mosquito infectado pica uma pessoa. Os vetores mais associados à doença pertencem ao gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas.

O mosquito pode adquirir o vírus ao se alimentar do sangue de uma ave infectada. Depois, ao picar outro animal ou uma pessoa, pode transmitir o agente infeccioso.

O Ministério da Saúde explica que aves silvestres desempenham papel importante no ciclo natural do vírus. Humanos e equinos podem ser infectados, mas são considerados hospedeiros acidentais e terminais, porque a quantidade e o tempo de permanência do vírus no organismo geralmente não são suficientes para manter a transmissão pelos mosquitos.

Também não se trata de uma doença que normalmente passe diretamente de uma pessoa para outra. Formas incomuns de transmissão, como transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão durante a gestação, já foram descritas, mas são situações diferentes da principal cadeia de transmissão.

 

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Quais são os sintomas da febre do Nilo

A maioria das pessoas infectadas pelo vírus do Nilo Ocidental não apresenta sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que aproximadamente 20% dos infectados desenvolvam manifestações clínicas. Quando aparecem, os sintomas geralmente são leves.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Febre de início súbito;
  • Mal-estar;
  • Falta de apetite;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor nos olhos;
  • Manchas na pele;
  • Aumento dos gânglios linfáticos.

 

Como esses sintomas podem se parecer com os de outras arboviroses, como dengue e chikungunya, a avaliação médica e o contexto epidemiológico são importantes para chegar ao diagnóstico.

A atenção deve ser maior quando surgem manifestações neurológicas. Uma parcela pequena dos infectados pode desenvolver formas graves da doença, incluindo meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.

Confusão mental, alterações do nível de consciência, fraqueza muscular importante, tremores, falta de coordenação e convulsões são sinais que exigem atendimento médico imediato.

 

Risco de forma grave é menor, mas exige atenção

Embora a maioria dos casos seja assintomática ou apresente quadro leve, a febre do Nilo Ocidental pode provocar complicações neurológicas graves. O Ministério da Saúde aponta que aproximadamente um em cada 150 infectados desenvolve doença neurológica severa. As manifestações podem incluir encefalite, meningite e paralisia flácida aguda.

As formas mais graves são mais frequentes em pessoas mais velhas, embora isso não signifique que indivíduos jovens estejam totalmente protegidos contra complicações. Por essa razão, pessoas que apresentem sintomas compatíveis e tenham histórico recente de viagem ou exposição a áreas com presença de mosquitos devem informar essas circunstâncias durante o atendimento médico.

 

Não existe vacina ou antiviral específico

Atualmente, não existe vacina disponível para prevenção da febre do Nilo Ocidental em humanos no Brasil, nem medicamento antiviral específico capaz de eliminar o vírus.

O tratamento é baseado no controle dos sintomas e no suporte clínico. Nos casos leves, a assistência médica pode incluir repouso e hidratação. Já pacientes que desenvolvem comprometimento neurológico podem precisar de internação e cuidados intensivos.

Segundo o Ministério da Saúde, as formas graves podem exigir reposição intravenosa de líquidos, suporte respiratório e outras medidas para evitar complicações e reduzir o risco de morte. Por isso, não é recomendado tentar tratar a doença por conta própria. Diante de sintomas persistentes ou sinais de agravamento, a orientação é procurar atendimento médico.

 

Prevenção depende do combate ao mosquito

Como não há vacina disponível contra a doença, a principal estratégia preventiva é reduzir o contato com os mosquitos. Entre as medidas recomendadas estão o uso de repelente, instalação de telas em portas e janelas e cuidados para evitar a formação de criadouros. Também é importante reduzir locais com água parada, que podem favorecer a proliferação de mosquitos.

O Ministério da Saúde também recomenda atenção especial em áreas rurais e silvestres, onde pode existir maior contato entre pessoas, mosquitos e aves que participam do ciclo natural do vírus. A prevenção, portanto, não depende apenas de ações individuais. O controle de criadouros e o monitoramento de animais e vetores fazem parte da vigilância epidemiológica.

 

Por que o caso de Ribeirão Preto é investigado

A investigação realizada em Ribeirão Preto tem importância justamente porque a confirmação laboratorial de uma pessoa não determina, por si só, que a transmissão tenha ocorrido dentro do município.

No caso da moradora de 34 anos, o histórico de viagens amplia o número de possibilidades que precisam ser analisadas. A paciente esteve recentemente em regiões da Amazônia e em Minas Gerais, e as equipes precisam cruzar essas informações com o período de incubação e o aparecimento dos sintomas. Esse trabalho é fundamental para evitar conclusões precipitadas sobre a circulação do vírus na cidade.

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