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Cesta básica passa de R$ 1 mil em Araraquara e exige quase 147 horas de trabalho

Mesmo com pequena queda em agosto, cesta básica custa R$ 1.082,58 e deixa pouco dinheiro para outras despesas de quem recebe um salário mínimo

Redação Araraquara Agora|· 7 min de leitura
Cesta básica passa de R$ 1 mil em Araraquara e exige quase 147 horas de trabalho
Cesta básica em Araraquara custa R$ 1.082,58 em agosto e compromete 66,8% do salário mínimo de 2026 Foto ilustrativa: Arquivo Araraquarara Agora.

 

O preço médio da cesta básica em Araraquara apresentou uma pequena redução em agosto, mas o recuo teve pouco impacto no orçamento de quem recebe o salário mínimo. O levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que o conjunto de produtos passou de R$ 1.084,13 em julho para R$ 1.082,58 em agosto, uma queda de apenas R$ 1,55, equivalente a 0,14%.

Com o salário mínimo nacional fixado em R$ 1.621 em 2026, a cesta representa aproximadamente 66,8% da remuneração bruta de um trabalhador que recebe o piso. O valor do salário mínimo foi estabelecido pelo Decreto nº 12.797, com vigência desde 1º de janeiro de 2026.

Na prática, depois de desembolsar os R$ 1.082,58 referentes aos produtos acompanhados pela pesquisa, restariam R$ 538,42 do salário mínimo bruto. Esse montante ainda precisaria ser destinado a despesas como aluguel, contas de água e energia, transporte, medicamentos, telefone e outras necessidades da família. Como a comparação considera o salário bruto, o valor disponível pode ser menor após os descontos legais.

 

Cesta básica em Araraquara exige quase 147 horas de trabalho

Outro indicador ajuda a dimensionar o peso das compras. De acordo com o Sincomercio, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisa dedicar aproximadamente 146 horas e 55 minutos de trabalho para adquirir a cesta pesquisada em agosto.

A conta considera o conjunto de 32 produtos acompanhado mensalmente pelo Núcleo de Economia do Sincomercio, incluindo alimentos, itens de higiene pessoal e produtos de limpeza doméstica. Portanto, o levantamento local possui uma composição diferente da pesquisa nacional do DIEESE, que acompanha exclusivamente alimentos básicos.

A diferença entre o preço de julho e o de agosto mostra como uma queda percentual pequena pode ter efeito limitado para o consumidor. Embora o índice tenha ficado negativo, a redução de 0,14% representa pouco mais de um real em uma compra que ultrapassa R$ 1 mil.

Para famílias que precisam controlar cada despesa, a composição do valor final também é importante. Um produto pode apresentar uma queda expressiva, mas outro item de consumo frequente pode subir e neutralizar parte da economia.

 

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Batata puxa queda, mas contrafilé pressiona a cesta

Entre os produtos que ficaram mais baratos em agosto, a batata foi o principal destaque. O preço recuou 36%, reduzindo em aproximadamente R$ 8,17 o custo total da cesta. Segundo a análise do Sincomercio, o movimento está relacionado à maior oferta da safra de inverno, que aumenta a disponibilidade do produto e tende a pressionar os preços para baixo. O comportamento acompanha o cenário observado em outras regiões do país.

A cebola também apresentou queda relevante, de 16,8%, enquanto o alho recuou 7,9%. O feijão carioca, outro item importante da alimentação doméstica, ficou 6,8% mais barato no período.

Entretanto, a redução desses produtos não ocorreu de maneira uniforme em toda a cesta. O contrafilé subiu 4,7% em agosto e foi o item que mais contribuiu para elevar o custo total em valores absolutos. O aumento acrescentou aproximadamente R$ 8,20 ao preço da cesta, praticamente anulando a economia proporcionada pela queda da batata.

A explicação apresentada pelo levantamento está relacionada à menor disponibilidade de animais para abate e ao momento do ciclo de produção da pecuária brasileira. Outros produtos também registraram aumentos. O papel higiênico avançou 5,6%, enquanto a salsicha ficou 3,6% mais cara e os ovos brancos tiveram alta de 3,3%.

 

Alimentos caem, mas higiene pessoal sobe

A pesquisa do Sincomercio divide os produtos acompanhados em três grupos: alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica. Em agosto, o grupo de alimentação apresentou queda de 0,38%, chegando a um custo médio de R$ 880,82. O resultado foi influenciado principalmente pelo comportamento de alguns produtos do hortifrúti e de itens alimentícios.

Na direção oposta, os produtos de higiene pessoal tiveram alta de 1,24%. O grupo de limpeza doméstica também apresentou elevação, de 0,3%. Isso significa que a redução observada entre os alimentos foi parcialmente compensada pelos aumentos nos demais grupos.

Para o consumidor, essa divisão é relevante porque itens como papel higiênico, sabonete, detergente e produtos de limpeza não são despesas que podem simplesmente ser eliminadas do orçamento mensal.

 

“Embora agosto tenha apresentado uma pequena redução, é importante observar o custo da cesta dentro de uma perspectiva mais ampla. O comprometimento da renda continua elevado e mostra como as oscilações nos preços dos produtos básicos afetam diretamente o orçamento das famílias”, explica a economista Maria Clara Kirsch, do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara.

 

Cesta ficou mais cara em 12 meses

Apesar da pequena queda registrada em agosto, o resultado mensal não significa que o custo da cesta tenha diminuído no longo prazo. Na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o valor médio aumentou R$ 37,98, uma alta de 3,64%. O comportamento mostra que uma redução pontual não é suficiente para reverter os aumentos acumulados ao longo do período.

 

Entre os 32 produtos pesquisados pelo Sincomercio, 17 ficaram mais caros nessa comparação de 12 meses.

 

A cebola teve uma das maiores altas acumuladas, chegando a 141,45%. O feijão carioca também apresentou elevação expressiva, de 28,77%. O contrafilé acumulou aumento de 21,2%, enquanto o queijo muçarela subiu 18,43%. O papel higiênico, que já havia registrado alta mensal em agosto, apresentou avanço de 17,24% na comparação anual.

Por outro lado, alguns produtos tiveram reduções significativas ao longo dos 12 meses. O alho caiu 33,32%, o açúcar refinado recuou 22,46% e o café torrado e moído apresentou redução de 18,48%.

Os números mostram por que a análise da cesta precisa considerar diferentes períodos. Um produto pode cair bastante em determinado mês e, mesmo assim, permanecer mais caro do que estava um ano antes.

 

Cenário de Araraquara acompanha parte do movimento nacional

A queda registrada em Araraquara ocorreu em um período no qual o custo da cesta de alimentos também recuou na maior parte das capitais brasileiras. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab, o preço do conjunto de alimentos básicos diminuiu em 25 das 27 capitais analisadas em agosto de 2026.

Entre os principais destaques nacionais esteve justamente a batata. O produto ficou mais barato nas cidades do Centro-Sul onde é pesquisado, em razão do aumento da oferta provocado pela safra de inverno. Em São Paulo, por exemplo, a cesta formada exclusivamente pelos alimentos básicos pesquisados pelo DIEESE custou R$ 900,59 em agosto, com queda de 1,58% em relação a julho. O valor correspondia a 60,06% do salário mínimo líquido, segundo a metodologia da pesquisa nacional.

 

Pesquisa de preços pode ajudar no planejamento

Diante de uma cesta que consome quase dois terços do salário mínimo bruto, comparar preços pode fazer diferença no orçamento mensal. Uma estratégia é verificar o valor do mesmo produto em diferentes supermercados antes de realizar a compra. Também é importante observar o preço por quilo, litro ou unidade, principalmente quando existem embalagens de tamanhos diferentes.

Produtos sazonais também merecem atenção. A queda da batata em agosto é um exemplo de como períodos de maior oferta podem influenciar os preços no varejo.

Outra medida é elaborar uma lista antes de sair para as compras, priorizando os produtos realmente necessários e estabelecendo um limite de gastos.

Ainda assim, os dados do Sincomercio mostram que o desafio não está apenas no comportamento individual do consumidor. O custo dos produtos essenciais continua representando uma parcela elevada da renda de quem recebe o salário mínimo, mesmo após a pequena redução registrada em agosto.

Com uma cesta de R$ 1.082,58 e um salário mínimo bruto de R$ 1.621, a diferença de R$ 538,42 precisa ser suficiente para todas as demais despesas do mês. O resultado reforça a importância de acompanhar a evolução dos preços e observar não apenas as quedas pontuais, mas também o comportamento acumulado ao longo do tempo.

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