Jornada de 40 horas
Senado aprova fim da escala 6x1 e PEC vai à promulgação
Proposta reduz a jornada para 40 horas semanais e garante duas folgas sem corte de salário; votação ocorre a 11 dias do 2º turno

RESUMOver em 32 segundos
Senado aprovou a PEC que elimina a escala 6x1, reduzindo jornada de trabalho para 40 horas semanais com dois dias de folga sem corte salarial.
A votação passou com ampla maioria: 75 votos a favor e 1 contra em ambos os turnos; agora aguarda promulgação para vigorar.
Alterações serão implementadas gradualmente, começando com 42 horas semanais em dois meses, até atingir 40 horas em um ano.
Exceções incluem trabalhadores com ensino superior que ganham mais de 2,5 vezes o teto do INSS.
A proposta foi uma promessa de campanha do presidente Lula e gerou críticas da oposição, que defende um modelo de pagamento por hora trabalhada.
O Senado aprovou em dois turnos, na noite desta quarta-feira (14), a PEC que acaba com a escala 6x1. A proposta reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de folga remunerada por semana, sem diminuição do salário.

O placar foi o mesmo nas duas votações: 75 votos a favor e 1 contra. No segundo turno, 79 senadores estavam presentes. No primeiro, o único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Por mudar a Constituição, o texto precisava de pelo menos 49 votos, três quintos dos 81 senadores, em cada uma das votações.
Com a aprovação, a Proposta de Emenda à Constituição precisa ser promulgada pelo Congresso para entrar em vigor. A votação aconteceu a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
O que muda com o fim da escala 6x1
Além da redução da carga horária, a PEC determina que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal remunerado, e um deles deve ser, de preferência, o domingo.
A mudança será gradual. Depois da promulgação, o calendário previsto é este:
Em dois meses: jornada máxima de 42 horas semanais, já com dois dias de repouso remunerado.
Um ano depois: jornada máxima de 40 horas semanais.
A regra não vale para quem tem ensino superior e ganha mais de 2,5 vezes o teto do INSS, o equivalente a R$ 21.188 por mês.
Discursos no plenário
A votação em dois turnos na mesma sessão foi possível graças a um requerimento da líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), aprovado em votação simbólica. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que a votação cumpria um acordo feito com os senadores e que cada um deveria votar de acordo com a própria consciência.
“Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança”, afirmou Alcolumbre.
Defensor da jornada de 40 horas há anos, o senador Paulo Paim (PT-RS) foi aplaudido no plenário. Ele deixa a vida pública no fim de 2026 e queria votar a proposta antes de sair do Senado. “Vamos entrar para a história de cabeça erguida”, disse.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticou a falta de dados sobre o impacto da mudança nos setores da economia. “O que a gente pode fazer no futuro, no governo Flávio, que será nosso presidente, é mitigar trazendo instrumentos que a gente já viveu no governo Bolsonaro”, afirmou.
O senador Valderlan Cardoso (PSD-GO) votou a favor, mas reclamou de a proposta ter sido analisada em pleno período eleitoral. “Quando um tema de interesse nacional vira disputa de palanque, o Brasil perde”, disse.
Escala 6x1 na disputa entre Lula e Flávio
A aprovação é uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que fez do fim da escala 6x1 uma das bandeiras da campanha. Apoiadores do governo trabalhavam desde a semana passada para votar a proposta antes do segundo turno.
O adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e aliados criticaram a PEC abertamente. Na terça-feira (13), porém, Flávio disse que se posicionaria “conforme a vontade da maioria do povo”. Ele não foi ao Senado nesta quarta e votou a distância. O PL liberou os senadores para votar como quisessem.
Lula ironizou a mudança de posição do adversário. “Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”, disse o presidente.
PL defende pagamento por hora trabalhada
A proposta alternativa defendida por Flávio prevê o pagamento por hora trabalhada. Nesse modelo, o trabalhador recebe apenas pelas horas efetivamente cumpridas, e o salário pode cair na mesma proporção. A PEC da oposição foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
Segundo o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), Flávio vai insistir nessa proposta depois da eleição. De acordo com o deputado, o modelo não teria salário mínimo nem um número mínimo de horas semanais garantido, e também não prevê direitos como 13º salário e férias remuneradas.
Fonte: g1
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