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Operação Laziosi

Araraquara é alvo de operação contra remédios falsos para câncer

Segunda fase prende três suspeitos; distribuidora da cidade seguiu ativa após ação de 2024, aponta investigação

Redação|· atualizado em 05/11/2026 às 10:02· 3 min de leitura
Viatura da Polícia Civil de São Paulo em primeiro plano e outras viaturas com giroflex ligado ao fundo, em rua molhada
Viaturas da Polícia Civil de São Paulo; investigação segue com a análise do material apreendido Foto: SSP

Araraquara é um dos alvos da segunda fase da Operação Laziosi, deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e pela Polícia Civil contra a venda de medicamentos falsificados para tratamento de câncer. A investigação nasceu em uma distribuidora da cidade, suspeita de vender remédios sem princípio ativo a hospitais.

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A polícia cumpriu três mandados de prisão preventiva, em Araraquara e na capital, e 18 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, as buscas passaram por Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e São Paulo.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão das atividades de sete empresas. Uma dose do remédio falsificado chegou a ser aplicada em um paciente, de acordo com a investigação.

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Distribuidora de Araraquara seguiu ativa depois da primeira fase

A primeira etapa da operação foi em novembro de 2024. Documentos da investigação indicam que a distribuidora continuou funcionando mesmo depois disso.

Em março deste ano, a Vigilância Sanitária de Araraquara informou que a empresa permanecia em atividade e que a responsável por ela dificultava as fiscalizações. Uma diligência feita em outubro confirmou que a distribuidora seguia operando.

Os três presos teriam funções diferentes no esquema, conforme a apuração: o controle da distribuidora, a relação com o mercado hospitalar e as operações financeiras feitas por meio de empresas interligadas. Parte dessas empresas não tinha estrutura nos endereços declarados.

Medicamentos falsificados chegaram a hospitais de São Paulo e Araras

O caso começou em 2024, quando um fabricante identificou a venda de um imunoterápico falsificado a um hospital da capital, feita pela distribuidora de Araraquara. Os laudos apontaram a ausência do princípio ativo e confirmaram a falsificação.

Entre janeiro e novembro de 2024, as vendas declaradas desse medicamento passaram de R$ 1,5 milhão, para clientes de pelo menos sete estados.

Em abril de 2025, já depois da primeira fase, a distribuidora teria vendido nove unidades de outro remédio oncológico, depois identificado como falsificado, a um hospital particular de Araras. Segundo o hospital, uma delas foi aplicada em um paciente.

As outras oito foram recolhidas e trocadas pela distribuidora por medicamentos de um lote que coincide com o de uma carga roubada em 11 de novembro de 2024, em Uberaba (MG).

Os produtos são de alto custo e usados em pacientes com câncer avançado, gravemente debilitados, principalmente em tumores de:

  • pulmão
  • melanoma
  • rim
  • cabeça e pescoço
  • estômago e esôfago

Mais 2 fotos

Viaturas do Garra em frente ao Dope, na capital; o grupo apoiou as buscas em São Paulo Foto: Reprodução/Agência SP
Caixas de medicamentos em imagem da operação contra a falsificação de remédios oncológicos Foto: Reprodução

Investigação continua com análise do material apreendido

De acordo com o Gaeco, a nova fase tem dois objetivos: interromper a atividade criminosa, vista como ameaça a pacientes em tratamento, e recuperar bens e valores obtidos pelo grupo.

A operação é coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto do Gaeco, em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 3). As apurações seguem com a análise do que foi recolhido nesta quinta-feira.

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