Por tempo indeterminado
Bolsonaro em prisão domiciliar: veja o que ele está proibido de fazer
Ex‑presidente é colocado em regime domiciliar por tempo indeterminado, com tornozeleira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (4), após constatar descumprimento de medidas cautelares previamente impostas. A decisão torna o regime de prisão domiciliar indeterminado, com limitações de visitas e restrição total ao uso de celulares ou redes sociais.
Bolsonaro deverá permanecer com tornozeleira eletrônica, e foi ordenado o confisco de todos os aparelhos telefônicos em sua residência, sob fiscalização da Polícia Federal. Visitas só poderão ocorrer com a autorização expressa do STF, estando permitidos apenas encontros com advogados constituídos e familiares que residem com ele: a ex-primeira dama Michele Bolsonaro e a filha do casal. Nenhuma pessoa autorizada poderá usar celular, tirar fotos ou gravar imagens durante as visitas.
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As cautelares anteriores continuam em vigor:
✔ Proibição de contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras;
✔ Suspensão do uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros;
✔ Vedação para receber investigados nos processos da suposta trama golpista;
✔ Impedimento de aproximação ou acesso a representações diplomáticas estrangeiras.
O que motivou a nova decisão?
Na nova decisão, Moraes apontou que Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares ao utilizar redes sociais dos filhos Flávio, Carlos e Eduardo para transmitir agradecimentos a apoiadores dos atos de 3 de agosto, gerando, segundo o ministro, “descumprimento deliberado” das restrições.
O magistrado destacou que essa movimentação resultou em “conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao STF” e apoio à intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro.
Sobre o regime de prisão domiciliar; entenda
De acordo com o Código de Processo Penal brasileiro, a prisão domiciliar implica que o acusado deve cumprir pena em sua residência, podendo ausentar-se apenas com autorização judicial, limitado a compromissos médicos ou eventuais deslocamentos previamente homologados. O ex-presidente seguirá convivendo com os moradores da casa autorizados, mas não poderá se comunicar por celular ou redes sociais.
E eventuais descumprimentos dessas regras podem levar à conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva.
Defesa de Bolsonaro
A defesa do ex-presidente afirmou ter sido surpreendida com a decisão, sustentando que Bolsonaro não descumpriu qualquer medida cautelar, alegando que os supostos conteúdos compartilhados nas redes dos filhos não representam violação.
Sustentaram que a frase atribuída ao ex-mandatário — “Boa tarde, Copacabana… É pela nossa liberdade” — não configura ato criminoso nem transgressão judicial, e anunciaram que recorrerão da decisão.
Bastidores do STF e tabuleiro internacional
A crise piorou diante de reações internacionais. Donald Trump e o governo dos EUA criticaram com veemência a prisão domiciliar de Bolsonaro, classificando-a como perseguição política, e chegaram a impor sanções e tarifas de 50% às exportações brasileiras, além de aplicar restrições a visto do ministro Moraes.
Por sua vez, autoridades brasileiras, incluindo o presidente Lula, reafirmam a necessidade de resguardar a independência do Judiciário e não ceder a pressões externas.
O que vem a seguir?
O julgamento do chamado “núcleo 1” da ação penal da trama golpista, na qual Bolsonaro é réu, deverá ocorrer em meados de setembro de 2025, na Primeira Turma do STF.
Se condenado por tentativa de golpe, coação ou obstrução, o ex-presidente pode enfrentar pena superior a 40 anos de prisão.
Com informações: Agência Brasil.
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