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Pedalada 2.0

‘Pedalada vai, pedalada vem’: Câmara aprova crédito de R$ 53 milhões e reabre a guerra dos capacetes

Fabi Virgílio cobra retratação por ironias do passado, e Aluísio Boi admite contradição; ‘Quem gritou pedalada agora vota pra pedalada’

Cassiane Chagas|· 3 min de leitura
‘Pedalada vai, pedalada vem’: Câmara aprova crédito de R$ 53 milhões e reabre a guerra dos capacetes
Vereadora cobra pedido de desculpas pelos capacetes e vereador lembra: 'Esse projeto tem mais pedaladas que o outro' Foto: reprodução.

 

 

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A aprovação do projeto de crédito suplementar de R$ 53,7 milhões, com 10 votos favoráveis e 6 abstenções, nesta quinta-feira (10), reacendeu uma polêmica política na Câmara de Araraquara: a acusação de pedalada fiscal. Parlamentares da oposição criticaram duramente a proposta e relembraram o protesto ocorrido em fevereiro, quando vereadores da base usaram capacetes de ciclista para ironizar uma suposta pedalada fiscal da antiga gestão Edinho Silva (PT).

 

A vereadora Fabi Virgílio (PT) foi uma das mais enfáticas. “Aqueles que usaram os capacetes para gritar ‘pedalada’, eu acho que essa casa merece um pedido de desculpas. Pelo ato falho, infame, que aconteceu no início dessa legislatura”.

 

“Vocês tentaram fazer chacota em cima da oposição. Agora vejam, não é tudo que contam para os senhores que é verdade”.

 

Fabi criticou ainda o uso de convênios federais para viabilizar o projeto. “O que não pode é fazer a defesa de um projeto e colocar uma faca no pescoço como se nós fôssemos os responsáveis de ter ou não o vale-alimentação do servidor. Isso é muito baixo, uma chantagem baixa”.

 

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'Sessão triste' e 'mais pedaladas que antes'

 

Mesmo votando a favor, Aluisio Boi (MDB) reconheceu a contradição da base. “Vereadores que falaram da pedala (governo anterior) vão ter que votar para a pedalada (deste governo). É uma sessão triste”.

 

“Para fazer a peça orçamentária acontecer neste projeto, vai ter que tirar o dinheiro daqui, de lá, puxar daqui e depois devolver na outra semana, vai acontecer. Esse projeto tem mais pedalas que aquele (da suspeita no governo Edinho) e que os vereadores da base zombaram da gente”.

 

 

'Ilegal', afirma oposição

 

Guilherme Bianco (PCdoB) foi direto. “É ilegal você utilizar o dinheiro de convênio para pagamento de folha de salário. Não pode. Nós temos um problema legal. É por isso que os vereadores estão falando que caso seja aprovado é feita a pedalada”.

 

“Usar dinheiro de convênio federal para pagamento de folha é ilegal”.

 

Foto: Câmara Araraquara.
Foto: Câmara Araraquara.

Sessão da Câmara desta quinta-feira (9).

 

 

Michel Kary relembra capacete e se abstém

 

O vereador Michel Kary (PL), que em fevereiro participou do protesto com capacetes, se absteve da votação deste projeto. “Eu vou ter que carregar para minha vida inteira aquela imagem que eu coloquei o capacete aqui dentro. Por falta de experiência nos dois meses do meu mandato e não quero que aconteça isso”.

 

“Vou pensar muito antes de tomar qualquer decisão, pois não quero ter irresponsabilidade no futuro ou uma imagem minha por aí”.

 

 

Mundo não gira, capota!

 

Durante a sessão de 11 de fevereiro, os vereadores Coronel Prado (NOVO), Enfermeiro Delmiran (PL) e Michel Kary (PL) usaram capacetes de ciclista para ironizar uma suposta pedalada fiscal de mais de R$ 40 milhões atribuída à gestão do ex-prefeito Edinho Silva (PT).

 

 

Na época, o atual prefeito Lapena (PL) encaminhou um projeto de R$ 42 milhões para cobrir despesas não empenhadas em áreas como saúde, assistência social e educação. “O antigo governo deixou mais de R$ 40 milhões em dívidas, comprometendo não apenas a nova gestão, mas também o futuro de Araraquara”, declarou Michel Kary, então líder do governo.

 

 

Entenda o que é pedalada fiscal

 

Pedalada fiscal é uma manobra contábil em que governos atrasam ou adiantam pagamentos para maquiar o resultado das contas públicas. Na prática, postergam repasses obrigatórios a órgãos, fornecedores ou bancos estatais, dando a impressão de equilíbrio fiscal, quando na verdade existem dívidas ocultas.

 

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