Vergonha!
Vereadores da base deixam plenário durante fala de pai sobre fim do ensino integral em Araraquara
Debate gera polêmica e convocação de secretário de Educacação

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A sessão da Câmara de Araraquara realizada nesta terça-feira (21) foi marcada por uma situação constrangedora: vereadores da base governista deixaram o plenário no momento em que um pai de aluna fazia uso da Tribuna Popular para criticar o encerramento do ensino integral em escolas da cidade. O gesto foi duramente reprovado por parlamentares da oposição e resultou em ‘chamada de atenção’ do presidente da Casa, vereador Rafael de Angeli (Republicanos).
“Nós precisamos ter 10 vereadores o tempo todo aqui no plenário. Por favor, vereadores, não saiam enquanto não tiver 10 vereadores”, disse vereador chamando os parlamentares da base.

O morador Cleidemar Marques de Souza, pai de uma estudante da Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Gilda Rocha, utilizava seus cinco minutos na Tribuna Popular para expor sua indignação com o fechamento de escolas que oferecem ensino em tempo integral, quando percebeu o esvaziamento do plenário por parte dos vereadores da base. A situação levou a vereadora Maria Paula (PT) a protestar. “Isso aqui é uma falta de respeito”.
“Os vereadores saírem na hora da Tribuna Popular, quando um pai está representando outros pais e mães de alunos da educação integral, é inadmissível. Esvaziaram o plenário”, afirmou, comparando o comportamento dos parlamentares com a atenção dada à tribuna anterior, que tratou de autoescolas contrárias a flexibilização do processo de obtenção da CNH.

Pai observa a saída dos vereadores; ao lado, Maria Paula expressa indignação.
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“Falta de respeito” e puxão de orelha
Diante da debandada, o presidente da Câmara, Rafael de Angeli, teve que intervir e chamar a atenção dos colegas. “Nós precisamos ter 10 vereadores, senão a gente acaba a sessão”, alertou, fazendo gestos para que os parlamentares retornassem às suas cadeiras. O episódio evidenciou um desgaste entre os parlamentares e parte da população, especialmente os pais de alunos que estão sendo afetados pela reestruturação da rede municipal de ensino.
A fala do pai: crítica dura ao fechamento de escolas
Na tribuna, Cleidemar Marques fez um apelo emocionado e contundente contra o fechamento da escola Gilda Rocha e outras unidades. “Nós (pais) somos a esperança dessas crianças”, disse, referindo-se à recente manifestação organizada por famílias contra a medida. O pai ainda criticou a falta de diálogo com a comunidade escolar. “O secretário de Educação em nenhum momento se reuniu com a gente. A decisão foi de supetão.”
Segundo ele, o fechamento de escolas é um retrocesso. “Fechar escolas é pior do que uma bomba atômica”, declarou. Vale lembrar as unidades envolvidas na polêmica: CER Caic Rubens Cruz Prefeito, CER Jacomina Filippi Sambiase e CAEE Marisa Góes Wanderley.

Cleidemar Marques: ‘Não é compreensível. Não é correto’
“Fechem biqueiras, não escolas”
Cleidemar é dono da fala que repercutiu nas redes sociais: “Fechem biqueiras e não escolas!”. Ele cobrou posicionamento dos vereadores: “Peço que analisem. Só a educação tem que sentir a dor? O lado mais fraco sempre?”
O pai relatou as mudanças positivas que a escola integral trouxe para sua filha. “Ela faz teatro, gosta de ler, não fica só no celular. A escola incentiva a pensar. O filho do rico pode, e o filho do pobre não? O governo quer filhos sem pensamento crítico?”
Câmara convoca secretário
Na mesma sessão, foi aprovado o requerimento de convocação do Secretário Municipal de Educação, Fernando Diana para prestar esclarecimentos formais à Câmara. A proposta foi apresentada pela vereadora Maria Paula.
“A população precisa de uma resposta sobre o que está acontecendo”, afirmou Alcindo Sabino. O vereador também cobrou a apresentação de estudos que justifiquem o fechamento das unidades. “Queremos saber desses números. Precisamos entender.”
Na última semana, o secretário Fernando Diana afirmou que a proposta de reorganização das escolas é para 2026, e não para este ano. Segundo ele, a mudança busca oferecer melhores condições estruturais. “Não vamos fazer isso para amanhã. Passamos todo o primeiro semestre buscando soluções. A proposta da Secretaria é construir um novo centro de educação no Jardim Indaiá, oferecendo transporte até lá"
“As crianças serão atendidas provisoriamente nos centros Aléscio e na Escola de Dança Iracema Nogueira, com transporte garantido.”
Revolta à espera de respostas
Sem respostas concretas ou explicações, o pai, Cleidemar, encerrou sua fala com uma reflexão importante: “Eu fico indignado que o secretário da educação não chegar e conversar com a gente. Acabar com o projeto do Gilda não é só corte de gasto, é acabar com a nossa história, com as nossas conquistas”.
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