Pular para o conteúdo
Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Publicidade
MRV — Residencial Flora (2)
Publicidade

TEMPORADA DE COMPRAS

Décimo terceiro deve injetar R$ 272 milhões na economia de Araraquara

Pagamento extra beneficia mais de 85 mil trabalhadores formais, mas endividamento recorde pode limitar impulso ao comércio local

Geisa Ferreira da Silva|· 7 min de leitura
Décimo terceiro deve injetar R$ 272 milhões na economia de Araraquara
Décimo terceiro salário deve injetar mais de R$ 272 milhões na economia de Araraquara, beneficiando mais de 85 mil trabalhadores formais, mas endividamento recorde pode limitar consumo

O décimo terceiro salário promete movimentar a economia de Araraquara neste final de ano com uma injeção estimada em mais de R$ 272 milhões. A projeção é do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, que utilizou dados de emprego e renda disponibilizados pelo Ministério do Trabalho para calcular o impacto do pagamento extra na economia municipal.

O valor beneficiará mais de 85 mil trabalhadores celetistas do mercado formal de Araraquara, que receberão as parcelas do décimo terceiro entre os dias 30 de novembro e 20 de dezembro. A análise exclui aposentados e pensionistas, que já receberam o benefício antecipadamente no primeiro semestre de 2025, conforme política do governo federal.

Comparado às estimativas de 2024, quando a injeção foi de R$ 238 milhões, o valor projetado para este ano representa um crescimento de 14,4%. O aumento reflete tanto o aquecimento do mercado de trabalho quanto o ritmo de expansão econômica que se manteve durante o primeiro semestre, resultando em um contingente maior de pessoas empregadas formalmente que terão direito ao benefício.

Leia Também

Composição do pagamento

O estudo do Núcleo de Economia do Sincomercio considera que a maioria dos empregados formais de Araraquara receberá o valor integral do décimo terceiro salário, correspondente aos 12 meses trabalhados ao longo de 2025. Uma parcela menor dos beneficiários receberá valores proporcionais ao tempo de trabalho desde a data de admissão no emprego atual.

O décimo terceiro salário é um direito constitucional garantido a todos os trabalhadores com carteira assinada, funcionários públicos, aposentados e pensionistas. O pagamento é calculado com base na remuneração de dezembro, dividido em até duas parcelas, sendo a primeira paga até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro.

Para os trabalhadores que não completaram 12 meses de trabalho no ano, o cálculo é proporcional, considerando um doze avos por mês trabalhado. Períodos superiores a 15 dias são contabilizados como mês completo para fins de cálculo do benefício.

Mercado de trabalho aquecido

O crescimento de 14,4% na estimativa do décimo terceiro reflete diretamente a situação positiva do mercado de trabalho em Araraquara. A cidade manteve trajetória de geração de empregos formais ao longo de 2025, expandindo o número de trabalhadores com carteira assinada e, consequentemente, elevando o montante total a ser injetado na economia através do pagamento extra.

Dados nacionais mostram que o mercado de trabalho brasileiro apresentou desempenho robusto em 2025, com taxas de desemprego em patamares historicamente baixos. Esse cenário favorável se refletiu em municípios como Araraquara, onde setores como comércio, serviços, indústria e agronegócio mantiveram ritmo de contratações consistente.

O aquecimento do mercado de trabalho também impacta positivamente a arrecadação municipal, uma vez que mais pessoas empregadas formalmente significam maior recolhimento de impostos e contribuições, além de ampliar o poder de consumo da população e fortalecer a economia local.

Endividamento recorde preocupa

Apesar do cenário positivo no mercado de trabalho e do volume expressivo de recursos que será injetado através do décimo terceiro, o endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis preocupantes que podem limitar o impacto do pagamento extra no consumo.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a taxa de famílias endividadas no país chegou a 79,5% em outubro de 2025, o maior índice da série histórica desde 2010. O número representa um crescimento significativo em relação aos meses anteriores e acende um alerta sobre a saúde financeira dos brasileiros.

A porcentagem de famílias com contas em atraso atingiu 30,5%, enquanto aquelas que declararam não ter condições de pagar suas dívidas chegou a 13,2%. Esses indicadores sugerem que uma parte considerável do décimo terceiro salário será direcionada ao pagamento de compromissos financeiros em atraso, reduzindo a parcela disponível para o consumo de bens e serviços.

Juros altos e cautela no consumo

O cenário de endividamento elevado é agravado pela política monetária restritiva adotada pelo Banco Central. Com a taxa Selic em 15%, os custos do crédito permanecem elevados, dificultando o refinanciamento de dívidas e desestimulando novas compras a prazo.

"Os índices de endividamento e inadimplência, aliados aos juros altos, com a taxa Selic atualmente em 15%, trazem cautela ao consumo. A tendência é de que as famílias direcionarão boa parte do décimo terceiro salário ao pagamento de dívidas", analisa Maria Clara Kirsch, economista do Sincomercio Araraquara.

A economista, no entanto, mantém expectativas positivas para o comércio araraquarense durante as datas comemorativas de fim de ano. "Ainda assim, uma fatia do recurso será destinada às compras de fim de ano, em datas como Black Friday, Natal e Ano Novo no varejo araraquarense", projeta Maria Clara.

A análise da economista reflete um consenso entre especialistas de que, mesmo com o comprometimento de parte significativa do décimo terceiro com o pagamento de dívidas, os consumidores ainda destinarão recursos para as tradicionais compras de final de ano, especialmente em categorias como vestuário, alimentos, brinquedos e eletrônicos.

Impacto no comércio local

Para o varejo de Araraquara, o décimo terceiro representa uma das principais injeções de recursos do ano, comparável apenas ao período de pagamento do Imposto de Renda. O comércio local tradicionalmente se prepara para esse momento com campanhas promocionais, ampliação de horários de funcionamento e contratações temporárias.

Setores como vestuário, calçados, brinquedos, eletrodomésticos, eletrônicos e alimentação costumam ser os mais beneficiados pelo aumento do poder de compra proporcionado pelo décimo terceiro. Supermercados também registram incremento nas vendas, especialmente de produtos típicos das festas de fim de ano.

O comércio araraquarense espera que, mesmo com o endividamento elevado, os consumidores priorizem algumas compras essenciais para as celebrações natalinas e de réveillon, mantendo o giro econômico no município. A expectativa é de que promoções agressivas, especialmente durante a Black Friday, atraiam consumidores em busca de oportunidades.

Panorama estadual e nacional

Em escala estadual, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a injeção do décimo terceiro salário deve chegar a R$ 82,5 bilhões destinados aos trabalhadores celetistas do Estado de São Paulo nos meses de novembro e dezembro. O valor corresponde a 31,7% das estimativas nacionais e cerca de 60% da região Sudeste.

As expectativas nacionais apontam para aproximadamente R$ 260 bilhões direcionados aos empregados formais do país. Quando somados os valores destinados aos trabalhadores formais, beneficiários da Previdência Social, aposentados e beneficiários de pensão da União, estados e municípios, o montante total ultrapassa R$ 369,4 bilhões que foram ou serão injetados na economia brasileira em 2025.

Esses números demonstram a importância do décimo terceiro como política de redistribuição de renda e estímulo ao consumo. A injeção concentrada de recursos no final do ano historicamente impulsiona diversos setores da economia, mesmo em cenários de incerteza econômica.

Estratégias dos consumidores

Diante do endividamento recorde, especialistas em finanças pessoais recomendam que os consumidores adotem estratégias planejadas para o uso do décimo terceiro salário. A prioridade deve ser dada ao pagamento de dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, que consomem parcela significativa do orçamento familiar mensalmente.

Após quitar ou reduzir as dívidas mais onerosas, os consumidores podem direcionar parte dos recursos para a criação ou reforço de uma reserva de emergência, fundamental para evitar novos endividamentos em 2026. Somente após garantir a saúde financeira básica é recomendável destinar recursos para compras de fim de ano.

Para quem não possui dívidas ou consegue equacioná-las com parte do décimo terceiro, o momento pode ser oportuno para aproveitar promoções genuínas, especialmente em produtos de maior valor agregado que seriam difíceis de adquirir com o orçamento mensal regular.

Perspectivas para 2026

O cenário para 2026 permanece incerto, com economistas divididos sobre as perspectivas de crescimento econômico e evolução do mercado de trabalho. A manutenção dos juros elevados pode continuar pressionando o consumo das famílias, enquanto a inflação persistente corrói o poder de compra dos salários.

Por outro lado, caso o mercado de trabalho mantenha sua resiliência e novos postos formais continuem sendo criados em Araraquara, a tendência é de que o décimo terceiro de 2026 represente nova injeção significativa de recursos na economia local, possivelmente superando os R$ 272 milhões projetados para este ano.

O comércio araraquarense espera que as festas de fim de ano proporcionem um fechamento positivo para 2025, equilibrando os desafios do endividamento elevado com oportunidades de vendas estratégicas que permitam aos consumidores celebrar as datas comemorativas sem comprometer ainda mais suas finanças.

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora