A Prefeitura de Ribeirão Bonito tornou-se alvo de críticas e indignação de moradores após promover o corte de quase todas as árvores da Praça Richard Luiz Artali. A ação, que resultou na supressão de espécies de valor ambiental, gerou revolta na comunidade e motivou denúncia ao Ministério Público por supostas irregularidades no procedimento. O Araraquara Agora procurou a Polícia Militar Ambiental, mas ainda aguarda retorno.
Entre as árvores cortadas estavam uma castanheira e um cedro, espécie classificada como ameaçada de extinção. Segundo relatos de moradores, uma das árvores havia sido plantada em 1989, permanecendo no local por mais de três décadas.
Moradores que acompanharam a situação relatam que, embora a prefeitura alegue que houve critérios técnicos relacionados a riscos, os troncos das árvores cortadas permanecem no local e evidenciam que estavam completamente saudáveis. A falta de sinais aparentes de comprometimento estrutural reforça as suspeitas de que a supressão não teria justificativa ambiental válida.
A denúncia também foi feita por vereadores de Ribeirão Bonito. Em um vídeo publicado nas redes sociais pela vereadora Dra. Bruna (União Brasil), 5 parlamentares se posicionam contra a medida de corte de árvores da Prefeitura. "Recebemos inúmeras mensagens da população, todas marcadas por indignação e tristeza, sentimento que também compartilhamos", diz a parlamentar.
Além do impacto pela perda de árvores maduras que proporcionavam sombra e beleza ao espaço público, a área da Praça Richard Luiz Artali era conhecida por ser rota de pássaros migratórios, conforme denúncia recebida, incluindo o urutau, ave noturna de hábitos peculiares que utiliza árvores para descanso durante suas jornadas migratórias. A presença do urutau em determinada área indica um ambiente com arborização adequada e equilíbrio ecológico, já que a ave necessita de poleiros específicos para seu repouso diurno.
Entre as árvores suprimidas, estaria um cedro (Cedrela fissilis), espécie nativa brasileira que consta na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como ameaçada de extinção, na categoria "em perigo". O cedro, também conhecido como cedro-rosa ou cedro-batata, é uma das espécies arbóreas mais ameaçadas no centro-sul do Brasil devido à exploração histórica de sua madeira.
A legislação brasileira estabelece regras rígidas para supressão de vegetação, especialmente quando envolvem espécies nativas ou ameaçadas de extinção. De acordo com o Código Florestal (Lei nº 12.651/12), toda supressão de vegetação nativa requer autorização prévia do órgão ambiental competente, seja municipal ou estadual.
No caso de árvores em áreas urbanas públicas, como praças, a responsabilidade pela autorização geralmente recai sobre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente ou órgão equivalente. A autorização deve ser precedida de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, como engenheiro florestal ou biólogo, que ateste a real necessidade da supressão.
Em nota oficial, a Prefeitura Municipal de Ribeirão Bonito defendeu que a supressão das três árvores ocorreu "exclusivamente por critérios técnicos", após avaliação relacionada à iluminosidade do espaço, condições de desenvolvimento das espécies e elaboração de projeto de melhoria e revitalização da área.
Segundo a administração municipal, das três árvores suprimidas, duas pertenciam a espécies exóticas, não nativas do Brasil, e uma era espécie nativa. A prefeitura alega que, devido ao espaço reduzido, as árvores encontravam-se competindo entre si, com crescimento comprometido e interferindo no desenvolvimento adequado umas das outras.
"Diante desse cenário, o corpo técnico optou pela retirada das três unidades para viabilizar um novo projeto de paisagismo, com replantio de espécies adequadas ao espaço disponível, priorizando árvores nativas e compatíveis com o ambiente urbano", afirma o texto oficial.
A nota destaca ainda que toda intervenção é acompanhada por critérios técnicos e que, sempre que houver necessidade, ações semelhantes poderão ser realizadas em outros espaços públicos, com compensação ambiental por meio do plantio de novas árvores.
"Ressaltamos ainda que, apesar da retirada de espécies exóticas — inclusive de origem chinesa —, o compromisso do município é com a preservação ambiental e o replantio de espécies nativas, assegurando uma arborização urbana mais adequada, sustentável e planejada", conclui a administração.
Diante do caso, moradores e ativistas ambientais deverão formalizar uma denúncia ao Ministério Público, solicitando investigação sobre a legalidade da supressão das árvores. A representação destaca a falta de transparência no processo, a ausência de laudo técnico conhecido pelo departamento de meio ambiente e o corte de espécie ameaçada.