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Infraestrutura

Rua sem asfalto e tomada pelo mato gera reclamação de moradores em Araraquara

Trecho da Rua Carlos Gentil, no Parque Igaçaba, enfrenta falta de infraestrutura, descarte irregular de lixo e cobrança questionada de impostos

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Rua sem asfalto e tomada pelo mato gera reclamação de moradores em Araraquara
Rua Carlos Gentil, no Parque Igaçaba, aparece sem asfalto e com mato alto Foto: Câmara Ararquara.

 

Moradores do Parque Igaçaba, em Araraquara, denunciam problemas estruturais na Rua Carlos Gentil, localizada entre as avenidas Fernando Bazolli e Antônio Rodrigues Leal. Segundo relatos, a via não possui pavimentação, apresenta mato alto e acúmulo de entulho, dificultando o acesso aos terrenos e a circulação de pessoas. A imagem tem provocado revolta entre proprietários de terrenos e moradores da região. As informações constam em relatos, protocolos e documentos reunidos pelos moradores.

A denúncia ganhou força após vídeos e fotos feitos no local mostrarem que a rua tem nome, identificação e aparece em documentos de compra dos lotes como área com infraestrutura completa, incluindo asfalto, guias, sarjetas e rede de água. Mas o que se vê hoje, segundo os relatos, é diferente. “Isso aqui é uma rua, não parece mais é”, afirma o pai de um morador em vídeo gravado no local.

Mato alto toma conta da via e dificulta o acesso na Rua Carlos Gentil, no Parque Igaçaba, em Araraquara
Mato alto toma conta da via e dificulta o acesso na Rua Carlos Gentil, no Parque Igaçaba, em Araraquara

 

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A via não é pavimentada, tomada pelo mato e com acesso dificultado, a ponto de moradores afirmarem que em alguns pontos não é possível entrar normalmente nos terrenos. A indignação aumenta porque, mesmo diante desse quadro, os donos de imóveis dizem continuar sendo cobrados pelo poder público, seja por meio de IPTU, seja por notificações e risco de multa relacionadas à limpeza dos lotes.

Para eles, há um descompasso evidente entre a obrigação imposta ao contribuinte e a ausência de manutenção da área que deveria ser de responsabilidade municipal.

 

Infraestrutura prometida não saiu do papel

No centro da reclamação está justamente a divergência entre a promessa feita na comercialização dos terrenos e a realidade encontrada hoje. De acordo com um morador, os documentos de compra indicavam que a região contaria com estrutura urbana básica. Só que, anos depois, a Rua Carlos Gentil segue sem asfalto e sem os equipamentos que ajudariam a garantir mobilidade, drenagem e segurança para quem circula por ali.

O pai do morador, proprietário de um terreno no local, resume a frustração com ironia. A rua “existe”, tem placa e está inserida no bairro, mas não se parece com uma via urbana consolidada!.

O sentimento é de abandono. Para quem convive diariamente com o problema, o trecho foi deixado para trás, embora esteja a apenas um quarteirão de áreas já asfaltadas da mesma região. A precariedade também traz consequências práticas. Sem pavimentação e com o mato avançando sobre a via, o acesso aos lotes se torna difícil. O problema afeta não apenas a circulação de veículos, mas a própria valorização dos imóveis e a sensação de pertencimento de quem comprou terreno acreditando que encontraria uma estrutura já prevista no papel.

 

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Mato alto e entulho agravam abandono

Outro ponto central da denúncia é o descarte irregular de lixo e entulho. Segundo o morador, a falta de manutenção transformou o trecho em um local vulnerável a esse tipo de prática, mesmo havendo um bolsão oficial de descarte nas proximidades. Em vez de funcionar como área urbana organizada, a rua passou a ser vista por terceiros como espaço para despejo indevido de materiais. Essa situação aprofunda o sentimento de abandono e traz impacto direto para a vizinhança.

 

Cobrança de impostos vira alvo de crítica

A cobrança de impostos e a fiscalização municipal aparecem como um dos pontos mais sensíveis dessa história. Proprietários alegam que precisam comprovar periodicamente que mantêm seus lotes limpos para evitar autuações que consideram indevidas. Em um dos relatos, o morador afirma que chega a encaminhar fotos preventivamente à Prefeitura, por meio de abertura de protocolos, justamente para se resguardar de notificações futuras.

Houve até caso de multa após um incêndio iniciado em terreno vizinho atingir a área da família, apesar de o lote estar limpo e com vegetação rasteira mantida regularmente.

A reclamação, portanto, não se limita ao asfalto. Ela envolve uma cobrança mais ampla por coerência administrativa. Se a rua é oficial, tem nome, integra o perímetro urbano e gera obrigações tributárias aos proprietários, os moradores defendem que ela também deveria receber os serviços públicos básicos compatíveis com essa condição.

 

Caso já chegou à Câmara Municipal

A situação da Rua Carlos Gentil também entrou na pauta do Legislativo. O Requerimento nº 575/2026, apresentado pelo vereador Rafael de Angeli, pede esclarecimentos à Prefeitura sobre a existência de estudos, projetos, cronograma de obras e possíveis impedimentos técnicos, ambientais ou jurídicos para a abertura, limpeza e pavimentação da via. A informação consta no portal da Câmara Municipal de Araraquara.

 

Prefeitura cita origem antiga do bairro e crise fiscal

Em resposta enviada sobre o caso, a Prefeitura de Araraquara sustenta que o Parque Igaçaba foi implantado entre 1970 e 1975, período em que a legislação ainda não exigia dos loteadores a execução da infraestrutura básica. Segundo o município, essa característica ajuda a explicar por que o bairro foi comercializado sem a implantação completa de guias, sarjetas e pavimentação. A gestão também afirma que o problema não é isolado.

Ainda conforme a manifestação do Executivo, Araraquara possui 549.317,90 m² de vias sem pavimentação e sem infraestrutura adequada, com custo estimado de R$ 153.671.682,74 para regularização.

 

No caso específico do Parque Igaçaba, seriam 3.441,86 m² de vias não pavimentadas, com investimento projetado em R$ 962.860,34.

A Prefeitura também relaciona a dificuldade de execução das obras ao quadro financeiro do município. Em prestação de contas divulgada pela Câmara, a administração encerrou 2025 com déficit de R$ 152,069 milhões, após arrecadar 92,1% da receita líquida prevista, enquanto a dívida municipal chegou a R$ 1,177 bilhão.

Segundo a administração, embora obras de pavimentação e drenagem estejam previstas no PPA 2026-2029 e na LOA de 2026, a execução depende de convênios com os governos estadual e federal e da obtenção de emendas parlamentares. Na prática, a resposta contextualiza o problema, mas não apresenta prazo fechado para resolver a situação da Rua Carlos Gentil.

Para quem vive o problema de perto, a principal demanda é objetiva: pavimentação, limpeza frequente, combate ao descarte irregular e tratamento compatível com a condição oficial da via.

Veja a nota completa:

O Jardim Igaçaba, também conhecido como Parque Igaçaba, é um bairro residencial de Araraquara (SP) criado em meados da década de 1970. O loteamento foi implantado entre 1970 e 1975, período em que a legislação ainda não obrigava os loteadores a executarem a infraestrutura básica. Por esse motivo, o bairro foi comercializado sem a devida implantação de guias, sarjetas e pavimentação asfáltica.

Essa situação não é isolada. Araraquara possui diversos bairros criados antes da vigência da legislação que exige a execução de infraestrutura pelos loteadores. Atualmente, o município conta com 549.317,90 m² de vias sem pavimentação e sem infraestrutura adequada, o que demandaria um investimento estimado em R$ 153.671.682,74 para regularização.
Especificamente no Parque Igaçaba, existem 3.441,86 m² de vias não pavimentadas, com investimento necessário estimado em R$ 962.860,34.
Diante da realidade financeira da Administração Municipal, a Prefeitura tem atuado de forma articulada junto aos governos Estadual e Federal na busca por recursos que viabilizem a execução dessas obras.
Conforme prestação de contas apresentada à Câmara Municipal em fevereiro de 2026, o Município encerrou o exercício de 2025 com um déficit orçamentário de R$ 152 milhões (despesas totais de R$ 1,603 bilhão contra receita líquida de R$ 1,45 bilhão, equivalente a apenas 92,1% do previsto na Lei Orçamentária Anual). A dívida pública consolidada atingiu R$ 1,177 bilhão.
Em 2025, mais de 91% do orçamento destinado à drenagem estava vinculado a convênio federal já executado, restando recursos próprios insuficientes para novos investimentos. Embora as obras de pavimentação e drenagem estejam previstas no Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 e na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, tais previsões são estimativas sujeitas à frustração de receita e não representam garantia de execução.
A efetiva realização das obras depende da formalização de convênios com o Governo do Estado e a União, bem como da captação de emendas parlamentares — recursos voluntários e não reembolsáveis que, até o momento, ainda não foram liberados.

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

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