População preocupada
Após denúncia de risco de colapso, prefeitura repassa R$ 2 milhões à Santa Casa de Araraquara
Pagamento emergencial evita, por agora, o fechamento de leitos e demissões

A crise financeira da Santa Casa de Araraquara teve novos desdobramentos após a Prefeitura confirmar o repasse emergencial de R$ 2 milhões, feito nesta quarta-feira (15). O valor foi liberado após articulação entre o Executivo e vereadores e busca evitar o fechamento imediato de leitos e a demissão de profissionais, medidas que vinham sendo consideradas diante da falta de recursos.
A informação foi discutida durante reunião da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, composta pelos vereadores Delmiran (PL), Marcão da Saúde (MDB) e Paulo Landim (PT), com o secretário municipal de Finanças, Roberto Pereira. Segundo o secretário, o repasse foi viabilizado dentro da legalidade. “Encontramos um caminho lícito e legal para garantir esse recurso emergencial”, afirmou.
A liberação ocorre em meio a uma situação crítica que veio à tona na sessão legislativa de terça-feira (14), quando o vereador Aluísio Boi (MDB) denunciou publicamente o risco de colapso da instituição. Referência regional em atendimentos de média e alta complexidade pelo SUS, a Santa Casa atende pacientes de 24 municípios da região, o que amplia o impacto de qualquer redução em sua capacidade.
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Crise financeira da Santa Casa mobiliza autoridades
Durante seu pronunciamento, Boi revelou que a instituição enfrentava um deficit significativo causado pela falta de repasses por parte da prefeitura, acumulando valores que ultrapassariam R$ 17 milhões desde o início de 2025. A situação levou o conselho do hospital a considerar medidas drásticas, como o fechamento de 20 leitos e a demissão de 35 funcionários.
Com a repercussão do caso, houve mobilização política e administrativa para evitar o agravamento da crise. Na noite de quarta-feira (15), o vereador confirmou que o valor já havia sido depositado. Segundo ele, o recurso representa um alívio imediato. “O repasse dá um respiro e traz tranquilidade aos servidores. Sem esse valor, o fechamento de leitos seria inevitável”, afirmou.
Apesar da medida emergencial, o próprio parlamentar destacou que a situação ainda exige atenção constante. A falta de repasse da prefeitura à Santa Casa gira em torno de R$ 14 milhões, e a manutenção dos serviços depende da regularidade nos repasses mensais, estimados em cerca de R$ 1 milhão.
Histórico recente de repasses e reforços financeiros
A crise atual ocorre mesmo após uma série de aportes recentes destinados à instituição. No início de 2026, por exemplo, foram viabilizados cerca de R$ 10 milhões em recursos federais para custeio de atendimentos de média e alta complexidade, como lembrou Eliana Honain (PT), ex-secretária municipal de saúde. “Mesmo fora da gestão municipal, Edinho e eu conseguimos viabilizar R$ 10 milhões do governo do presidente Lula para a Santa Casa e trabalhamos para ampliar os repasses com a reclassificação de leito”.
“É preciso garantir que a Santa Casa tenha condições de atender com dignidade quem depende do SUS todos os dias. Não podemos aceitar o fechamento de leitos. O custo pode ser a vida de pessoas de Araraquara e de toda a região”.
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Impactos diretos na população e nas UPAs
A possibilidade de redução de leitos acendeu um alerta em toda a rede pública de saúde. Sem vagas disponíveis na Santa Casa, pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) acabam permanecendo por longos períodos à espera de transferência. Dados apresentados na Câmara indicam que pacientes chegam a aguardar entre 48 e 72 horas por internação, com casos que ultrapassam quatro dias em algumas unidades. A situação transforma as UPAs em estruturas improvisadas de internação, sem a infraestrutura adequada para cuidados prolongados. Na prática, isso aumenta o risco de agravamento dos quadros clínicos e pode levar a casos mais graves.
Caso real expõe drama da falta de leitos
A crise também se reflete em histórias concretas. Um exemplo recente envolve uma mulher de 55 anos que aguardava há dias por transferência da UPA da Vila Xavier para a Santa Casa. Com diagnóstico de pneumonia e suspeita de tuberculose, a paciente precisava de isolamento e atendimento especializado.
Segundo familiares, o local não oferecia condições adequadas, com relatos de problemas estruturais, como falta de chuveiro funcionando e presença de mofo no ambiente. A situação gerou indignação e preocupação, especialmente devido à fragilidade da paciente.
Após quatro dias de espera, a transferência foi autorizada pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), responsável por gerenciar vagas hospitalares no sistema público.
Embora o repasse de R$ 2 milhões tenha evitado medidas imediatas, como o fechamento de leitos, a situação ainda é considerada delicada. A sustentabilidade financeira da Santa Casa depende de planejamento, regularidade nos repasses e apoio contínuo dos governos municipal, estadual e federal. Para a população, o medor é que novas crises possam comprometer o acesso à saúde. Afinal, como ressaltaram autoridades durante os debates, o impacto recai diretamente sobre quem depende do SUS.
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