Durante sessão da Câmara de Araraquara realizada nesta terça-feira (14), o vereador Aluísio Boi (MDB) usou seu espaço do Pequeno Expediente para denunciar a crise financeira da Santa Casa de Misericórdia. Referência regional em atendimentos de média e alta complexidade pelo SUS, o hospital enfrenta risco de colapso e pode ter redução de serviços essenciais.
Boi relatou dados preocupantes sobre a situação financeira do hospital. “A decisão para ser julgada é o fechamento de 20 leitos imediatamente da Santa Casa e demissão de 35 funcionários, porque não tem mais força de ação por falta de repasse que desde janeiro de R$ 17 milhões.”
"Isso para mim me deixa impotente na política porque pessoas vão morrer. Eles estão impotentes e o conselho vai decidir. Peço que essa Casa faça a intervenção, seja o elo de articulação com o executivo com a direção da Santa Casa”, ressaltou o vereador.
Na prática, a Santa Casa já enfrenta dificuldades para quitar compromissos básicos, o que pode resultar em decisões drásticas nos próximos dias. Entre as medidas avaliadas pelo conselho da instituição estão o fechamento imediato de 20 leitos e a demissão de 35 profissionais, o que ampliaria ainda mais a pressão sobre o sistema de saúde local.
A possível redução da capacidade hospitalar traz um alerta para um efeito cascata em toda a rede de atendimento. Sem leitos disponíveis na Santa Casa, pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ficam retidos por longos períodos, aguardando transferência.
Dados apresentados durante a sessão mostram que a situação já é crítica. O vereador Marcão da Saúde (MDB) apresentou números da Comissão da Saúde: 11 pacientes na UPA Central aguardando leitos, na UPA da Vila Xavier, 5 pacientes e no Valle Verde, duas pessoas. Vale ressaltar que na UPA Central, os pacientes chegam a esperar entre 48 e 72 horas por internação, enquanto as outras unidades, como o da Vila Xavier e Valle Verde, há registros de espera que ultrapassam quatro dias, especialmente em casos clínicos e psiquiátricos.
| Unidade | Casos Retidos | Tempo de Espera Reportado |
| UPA Central | 11 pacientes aguardando internação clínica e psiquiatria. | 48h a 72h |
| UPA Vila Xavier | 05 pacientes retidos aguardando transferência via CROSS. | 48h |
| UPA Vale Verde | Pacientes de psiquiatria e clínica médica em espera prolongada. | Até 4 dias (casos desde 10/04) |
A situação é grave e pode transforma as UPAs, que deveriam ser unidades de atendimento temporário, em verdadeiras enfermarias improvisadas, sem a estrutura adequada para internações prolongadas. O resultado é o aumento do risco de agravamento de quadros clínicos e, consequentemente, de óbitos evitáveis.
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O líder do prefeito, vereador Dr. Lelo (Republicanos), também se pronunciou e alertou para os riscos da medida. “Se fechar 20 leitos, pessoas vão morrer... não é concebível que isso aconteça”, afirmou.
Já o vereador Guilherme Bianco (PCdoB) criticou a gestão municipal e disse que a situação coloca a população em risco. “O Lapena coloca em risco a vida do povo de Araraquara ao comprometer o trabalho da Santa Casa, que hoje cuida das nossas pessoas”, declarou.
O vereador Aluísio Boi foi um dos principais porta-vozes da denúncia destacando que a falta de repasses compromete diretamente a continuidade dos serviços e classificou a situação como insustentável.
Outros parlamentares reforçaram as afirmações. Houve relatos de que a Prefeitura não cumpriu prazos previamente acordados para pagamentos, incluindo datas previstas para março e abril deste ano. A ausência desses recursos teria inviabilizado o planejamento financeiro da instituição.
As críticas também se estenderam à condução administrativa. Parlamentares afirmaram que a situação coloca em risco a vida da população e pode resultar em um colapso generalizado do sistema de saúde do município.
Diante da gravidade, a Câmara Municipal iniciou uma mobilização emergencial. A Comissão de Saúde falou da criação de uma força-tarefa para intermediar o diálogo entre a direção da Santa Casa e o Executivo municipal. Entre as medidas propostas estão reuniões urgentes com representantes da Prefeitura, cobrança direta ao secretário de Governo e a tentativa de estabelecer um cronograma de pagamento para regularizar os repasses atrasados.
Além disso, vereadores defendem que o Legislativo atue como ponte institucional para evitar decisões imediatas como o fechamento de leitos e demissões. A prioridade é garantir a continuidade do atendimento à população. Vereadores como Marcão da Saúde declararam enfaticamente que a comissão "não vai deixar fechar 20 leitos de jeito nenhum" e que a solução passa por exigir que a Prefeitura cumpra os prazos de pagamento anteriormente acordados
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