Saúde em crise
Entenda as decisões da Santa Casa de Araraquara após reunião sobre repasses da prefeitura
Após reunião com conselho, hospital tenta definir com a prefeitura um cronograma de repasses e a regularização de valores em atraso para manter os atendimentos

A Santa Casa de Araraquara segue em estado de atenção, após reunião realizada na última sexta-feira (17), quando o Conselho da instituição discutiu a falta de repasses mensais da Prefeitura. Mesmo com a liberação emergencial de recursos, de R$ 2 milhões, o hospital ainda enfrenta situação delicada, com impacto direto na manutenção dos serviços prestados à população.
O tema continua mobilizando lideranças políticas e administrativas. A prioridade agora é estabelecer um cronograma fixo de pagamentos por parte do Executivo municipal, garantindo previsibilidade financeira e evitando novas situações críticas.
Durante o encontro, o Conselho deliberou por intensificar o diálogo com a Prefeitura, com participação do vereador e conselheiro Aluísio Boi (MDB) e dos integrantes da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. O grupo, formado pelos vereadores Marcão da Saúde (MDB), Enfermeiro Delmiran (PL) e Paulo Landim (PT), representa o Legislativo nas tratativas e atua como intermediador das negociações.
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💰 Falta de repasses segue no centro do impasse
A principal preocupação da Santa Casa é a irregularidade nos repasses municipais, que acumulam valores milionários em atraso. De acordo com a instituição, os recursos provenientes do Ministério da Saúde e da chamada Tabela SUS Paulista estão sendo pagos regularmente — o problema está concentrado na parcela que cabe ao município dentro da contratualização.
O hospital estima que os atrasos ultrapassem R$ 16 milhões em recursos próprios municipais, valor considerado essencial para o custeio de atendimentos, pagamento de profissionais e manutenção da estrutura hospitalar.
Em nota, a Santa Casa reforçou o compromisso com a transparência e destacou que segue buscando alternativas para garantir a continuidade dos serviços. “A instituição permanece empenhada em assegurar atendimento de qualidade à população, mesmo diante das dificuldades financeiras”, informou.

O encontro teve como foco principal alinhar estratégias para negociar diretamente com o Executivo municipal e cobrar a regularização dos pagamentos. A expectativa é que um cronograma seja definido nos próximos dias, garantindo maior estabilidade financeira à instituição.
🚨 Repasse emergencial evita colapso imediato
A atual crise ganhou força na última semana, após denúncia feita pelo vereador Aluísio Boi durante sessão da Câmara Municipal. Na ocasião, o parlamentar alertou para o risco iminente de colapso financeiro da Santa Casa, com possibilidade de fechamento de leitos e demissões. Diante da repercussão, a Prefeitura realizou um repasse emergencial de R$ 2 milhões, valor considerado essencial para evitar medidas imediatas, como a redução da capacidade de atendimento.
Segundo o secretário municipal de Finanças, Roberto Pereira, o repasse foi feito dentro dos parâmetros legais. A medida foi articulada em conjunto com vereadores e teve como objetivo garantir um alívio momentâneo à instituição.
Apesar disso, lideranças políticas reforçam que o recurso emergencial não resolve o problema estrutural. O próprio vereador Aluísio Boi destacou que o hospital ainda depende de pagamentos mensais regulares, estimados em cerca de R$ 1 milhão, para manter o funcionamento adequado.
📉 Déficit milionário preocupa gestão
A crise financeira da Santa Casa é resultado de um acúmulo de atrasos ao longo dos últimos meses. Estimativas apontam que o deficit relacionado à falta de repasses municipais pode chegar a cerca de R$ 14 milhões a R$ 17 milhões em 2025, o que compromete diretamente a sustentabilidade da instituição.
Mesmo com aportes recentes, como cerca de R$ 10 milhões viabilizados por recursos federais no início de 2026, o hospital ainda enfrenta dificuldades para equilibrar as contas.
⚠️ Impacto direto na população
A crise financeira da Santa Casa já reflete diretamente no atendimento à população. A possibilidade de redução de leitos acende um alerta em toda a rede pública de saúde, especialmente nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Sem vagas disponíveis para internação, pacientes atendidos nas UPAs acabam permanecendo por longos períodos aguardando transferência. Há registros de espera entre 48 e 72 horas, podendo ultrapassar quatro dias em casos mais críticos.
A situação transforma unidades de pronto atendimento em estruturas improvisadas de internação, o que aumenta riscos clínicos e compromete a qualidade do atendimento.
📌 Caso real expõe gravidade da situação
Um exemplo recente é de uma paciente, de 55 anos, que aguardou por dias na UPA da Vila Xavier, à espera de transferência para a Santa Casa. Diagnosticada com pneumonia e suspeita de tuberculose, ela precisava de isolamento e cuidados especializados.
Segundo familiares, as condições do local eram inadequadas, com problemas estruturais que agravaram a situação. Após quatro dias de espera a transferência foi finalmente autorizada pelo sistema estadual de regulação (CROSS).
🔎 Santa Casa busca solução definitiva
Mesmo com o repasse emergencial já realizado, a Santa Casa de Araraquara segue em alerta. A instituição reforça que a continuidade dos serviços depende diretamente da regularização dos pagamentos e do apoio conjunto dos governos municipal, estadual e federal.
Segundo o provedor da Santa Casa de Araraquara, Jéferson Yashuda, a reunião definiu que o vereador Aluísio Boi (MDB), junto com a Comissão de Saúde da Câmara — formada por Delmiran (PL), Marcão da Saúde (MDB) e Paulo Landim (PT) — ficará responsável por intermediar o diálogo com a Prefeitura.
“O resultado da reunião foi que o vereador Aluísio Boi, junto com a Comissão de Saúde, agende um encontro com a administração para que possamos estabelecer um cronograma de repasses e avaliar o que pode ser feito para reduzir o endividamento”, afirmou em entrevista a uma rádio local.
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