Política
Barbieri é testado pelo PT para vice de Haddad em SP
Ex-prefeito de Araraquara confirma com exclusividade ao Araraquara Agora que seu nome está entre os cogitados para vice de Haddad, mas pede cautela na decisão

O nome do ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri (PDT) entrou no radar do Partido dos Trabalhadores como possibilidade para a vaga de vice na chapa do ex-ministro Fernando Haddad ao governo de São Paulo em 2026. Pesquisas qualitativas encomendadas pela pré-campanha petista testaram o desempenho do pedetista atrelado ao interior paulista, e o resultado teria sido considerado positivo pelo comando da articulação.
A informação foi inicialmente revelada pelo Poder360 e ganhou repercussão nacional após o próprio Haddad, neste domingo (26), citar publicamente os nomes dos ex-ministros Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) como possibilidades para compor a chapa majoritária. Embora não tenha sido nominalmente mencionado pelo pré-candidato no evento em Brasília, Barbieri segue no páreo, segundo apurado por veículos como InfoMoney e Diário do Centro do Mundo.
Procurado com exclusividade pelo Araraquara Agora, o ex-prefeito confirmou estar ciente do movimento, mas adotou tom de prudência e disse que ainda não houve qualquer aproximação formal com a pré-campanha.
"Fiquei sabendo dessa informação pela reportagem. Estou no PDT, sai do MDB, portanto meu nome é um dos nomes cogitados, mas eu não estou achado que é o momento para decidir. É muito cedo para discutir isso", afirmou Barbieri.
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Por que o PT testou Barbieri como vice de Haddad?
A lógica do interesse petista, segundo apurado, está ancorada em uma estratégia geográfica clara. Haddad já dispõe de capital político consolidado na capital paulista, onde foi prefeito entre 2013 e 2016, e o desafio do QG da pré-campanha é construir uma chapa capaz de furar a hegemonia que o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém no interior do estado.
Barbieri, com três mandatos como deputado federal e dois como prefeito de Araraquara, encaixaria nesse perfil de ampliação. A avaliação interna do PT é que a vinculação do ex-prefeito ao interior paulista contribui para fortalecer a chapa em uma região historicamente mais resistente ao petismo. A articulação em torno de seu nome é atribuída ao atual presidente nacional do PT e também ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, que costurou a recente migração de Barbieri do MDB para o PDT.
Outro componente que o comando da pré-campanha tem considerado é a ligação com o agronegócio — fator que levou o partido a sondar inclusive a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini (Teca), que recusou o convite. A ex-ministra Simone Tebet, segundo o Poder360, aparece como favorita à vaga, mas é pré-candidata ao Senado desde março, o que mantém o quebra-cabeça aberto.
Barbieri pede tempo para reflexão
Em segunda declaração ao Araraquara Agora, Barbieri reforçou que considera prematura qualquer definição neste momento e indicou que a discussão deve passar por todos os partidos da coligação que apoiará Haddad.
"É um momento que vamos te que pensar, refletir. Acho que antes de junho isso não se resolve. É uma coisa que precisa ser muito bem discutida entre os partidos que integram a coligação que vão apoiar o Haddad, essa é a minha visão", declarou o pedetista.
A fala do ex-prefeito está em sintonia com o discurso adotado pelo próprio Haddad neste fim de semana. Ao participar do 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, o pré-candidato afirmou que não há "problema de calendário" para a definição do número 2 da chapa e que pretende construir a decisão após novas conversas com possíveis nomes nas próximas semanas.
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Da saída do MDB ao novo cenário no PDT
A inclusão do nome de Barbieri entre os cotados para vice ocorre poucas semanas após sua desfiliação do MDB, partido em que militava desde 1976 — uma trajetória de 50 anos encerrada em meio ao realinhamento da sigla paulista em direção à reeleição de Tarcísio. À época, o ex-prefeito declarou ao Araraquara Agora que se sentia "incomodado" com os rumos do partido em São Paulo e optou por buscar "outro caminho".
A migração para o PDT, articulada justamente por Edinho Silva, reposicionou Barbieri no campo progressista paulista e abriu espaço para que ele fosse considerado peça útil na engenharia eleitoral do PT em 2026.
Nascido em 1956, o ex-prefeito construiu sua biografia política em mandatos consecutivos como deputado federal entre 1991 e 2003, além de duas gestões frente à prefeitura de Araraquara (2009-2016), com obras como a reabertura da Maternidade Gota de Leite e a construção de UPAs.
Disputa estadual deve ter definição apenas em meados do ano
O cenário paulista para 2026 segue em construção. Além de Barbieri e Vendramini, o PT articula com siglas de centro e centro-direita — como MDB, PSDB, União Brasil e PSD — para ampliar a base de apoio à candidatura de Haddad. A definição do vice é tratada internamente como peça central da estratégia, especialmente diante de pesquisas que já testam diferentes composições contra a chapa de Tarcísio com Felício Ramuth (MDB).
A expectativa, tanto na fala de Barbieri quanto nas indicações da pré-campanha, é que a definição da chapa majoritária só ocorra a partir de junho, com o calendário eleitoral ainda permitindo amadurecer alianças. Enquanto isso, o nome do ex-prefeito de Araraquara segue no jogo — ainda que o próprio protagonista prefira, por ora, manter cautela sobre o futuro.
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