Câmara | UNESP
Sessão da Câmara é suspensa após discussão sobre agressões na UNESP de Araraquara
Confusão no plenário levou à suspensão temporária da sessão desta terça-feira (12); entenda

A Sessão da Câmara de Araraquara, realizada nesta terça-feira (12), foi marcada por forte tensão política, troca de acusações, gritaria no plenário e suspensão temporária dos trabalhos após discussão envolvendo estudantes da UNESP Araraquara e vereadores da base governista.
O episódio ocorreu durante a Tribuna Popular com participação de estudantes relatando as agressões registradas na segunda-feira (11) dentro do campus da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP (FCLAr), durante uma paralisação estudantil organizada por alunos em greve. O clima ficou ainda mais tenso após declarações do vereador Michel Kary (PL), que reagiu às manifestações dos estudantes durante seu pronunciamento.
O clima de hostilidade obrigou a presidência da Câmara a interromper os trabalhos por três minutos para tentar restabelecer a ordem no plenário. O caso se mostrou um retrato da forte polarização política vivida atualmente no município.
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Ataque na UNESP deu origem à crise
O fato que desencadeou toda a repercussão política aconteceu na manhã de segunda-feira (11), dentro do campus da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP Araraquara. Segundo estudantes e representantes políticos que acompanharam o caso, o empresário e influenciador político de extrema direita Hagara Espresola Ramos, conhecido nas redes sociais como “Hagara do Pão de Queijo”, invadiu o espaço ocupado pelos manifestantes durante a paralisação estudantil. Veja repercussão, AQUI.
O influenciador teria retirado cartazes, derrubado cadeiras utilizadas nos piquetes e iniciado confrontos físicos com estudantes.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que Hagara entra no campus e remove materiais utilizados pelos alunos durante o protesto. Em meio à confusão, estudantes tentam impedir a ação e ocorre um confronto físico. Alunos afirmaram que o empresário chegou ao local em tom agressivo e iniciou provocações contra os manifestantes.
Algumas estudantes também relataram empurrões durante o tumulto. Segundo integrantes do movimento estudantil, toda a ação foi gravada e os vídeos mostrariam o início das agressões dentro da universidade. Após o episódio, estudantes registraram boletins de ocorrência, realizaram exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e passaram a cobrar responsabilização criminal do agressor.
Tribuna Popular expôs denúncias e precarização
Durante a Tribuna Popular, estudantes como Artur, Pedro, Murilo e Vitória relataram o impacto das agressões e defenderam a legitimidade da mobilização estudantil dentro da universidade.
Além da violência registrada no campus, eles também denunciaram problemas estruturais enfrentados pela instituição, como falta de professores, redução de investimentos e dificuldades na permanência estudantil.

Um dos pontos mais graves citados foi a situação do Restaurante Universitário (RU). Segundo os relatos apresentados no plenário, estudantes teriam encontrado larvas e até pregos na comida servida no bandejão.
Os universitários também destacaram a importância social da UNESP Araraquara, citando projetos como o CUCA, o NEAR e os atendimentos gratuitos realizados pela Faculdade de Odontologia, considerada referência nacional.
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Frase de Michel Kary provoca revolta e aumenta tumulto
O início do tumulto ocorreu após uma declaração do vereador Michel Kary (PL) ao comentar os protestos realizados pelos estudantes durante a sessão. Durante sua fala na tribuna, o parlamentar afirmou: “Estou do lado dos estudantes que querem estudar e querem ter o diploma, que a grande maioria estão bravos com ações que estão tendo na Unesp, e com a situação do prédio público”
Na sequência, diante das manifestações vindas da galeria, Michel Kary disparou a frase que elevou os ânimos no plenário:
“Se jogar uma carteira de trabalho não fica ninguém aqui!”
A declaração provocou reação imediata dos estudantes presentes na galeria e de parlamentares da oposição. Houve gritos, protestos e intenso bate-boca dentro do plenário. Com os ânimos exaltados e dificuldade para manter o andamento da sessão, a presidência da Câmara decidiu suspender os trabalhos por três minutos para tentar controlar o tumulto.


Mesmo após a retomada, o ambiente continuou extremamente tensionado, com novas interrupções e advertências da Mesa Diretora.
Michel Kary relata ameaças após sessão
Após os acontecimentos, o vereador Michel Kary utilizou as redes sociais para afirmar que foi alvo de ameaças e tentativa de intimidação durante a sessão.
Em publicação divulgada após o encerramento dos trabalhos, o parlamentar afirmou que foi “ameaçado, encurralado e quase agredido” após apresentar posicionamento divergente sobre os protestos. Segundo Michel Kary, a reação ocorreu porque parte do público presente não aceitou opiniões contrárias durante o debate.
Debate expôs polarização na Câmara
As discussões no plenário mostrou claramente a divisão ideológica entre os parlamentares. Vereadores da oposição classificaram o ataque ocorrido na universidade como um ato de violência política e cobraram solidariedade às vítimas.

A vereadora Maria Paula (PT) afirmou que “bater em estudante é coisa de ditadura”, enquanto Filipa Brunelli (PT) criticou duramente a postura do prefeito Lapena diante do episódio. Já vereadores da base governista concentraram seus discursos nas críticas às pichações, barricadas e ocupações realizadas durante a greve estudantil. O vereador Coronel Prado (NOVO) afirmou que atos de depredação precisam ser combatidos e declarou que forças de segurança utilizam “bomba, gás, cavalo e cacetete” em situações de resistência, fala que também gerou reação imediata no plenário.
O episódio também agravou a crise institucional entre a Prefeitura de Araraquara e a UNESP. O prefeito Lapena foi alvo de críticas após manifestações feitas nas redes sociais sobre o caso. Segundo estudantes e vereadores da oposição, o chefe do Executivo teria politizado o episódio ao associar a mobilização universitária a disputas partidárias.
Uma das publicações mais criticadas foi a frase: “Araraquara não é mais capital nacional do PT, mas eles continuam achando que é”.

A repercussão negativa levou ao cancelamento de um evento municipal que seria realizado no campus da universidade. A atividade acabou transferida para a Casa SP-AFRO.
Estudantes denunciam precarização da universidade
Os universitários afirmam que a paralisação foi motivada pelo agravamento das dificuldades enfrentadas dentro da instituição. Entre as principais reivindicações estão a contratação de professores para suprir o déficit de aulas, melhorias no Restaurante Universitário (RU) e ampliação do orçamento destinado às universidades estaduais paulistas.
Durante a Tribuna Popular, estudantes também denunciaram problemas graves no bandejão universitário, incluindo relatos de larvas e até pregos encontrados na comida servida aos alunos. Os representantes estudantis defenderam que a mobilização busca garantir condições dignas de permanência para estudantes que dependem da estrutura pública para concluir a graduação.
Segundo o movimento, os piquetes organizados tinham caráter político e simbólico, funcionando como forma de pressão para abertura de diálogo com a administração universitária.
Câmara aprova moção de apoio aos estudantes
Apesar do ambiente de confronto, o plenário aprovou o Requerimento nº 1104/2026, uma Moção de Apoio às manifestações dos estudantes da UNESP. O documento foi assinado pelos vereadores Alcindo Sabino, Fabi Virgílio, Filipa Brunelli, Maria Paula, Paulo Landim, todos do PT, além de Guilherme Bianco, do PCdoB.
O vereador Aluísio Boi, embora não tenha assinado o requerimento, também criticou o invasor e o classificou como “criminoso” e “bandido”.
Nota oficial da UNESP repudiou violência
Após a repercussão da confusão no campus, a Direção da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP Araraquara divulgou nota oficial repudiando os episódios de violência registrados dentro da universidade. Na manifestação institucional, a direção reafirmou o compromisso da universidade com a integridade física, emocional e política da comunidade acadêmica.
A nota também destacou que divergências devem ser resolvidas através do diálogo democrático e do respeito às diferentes posições políticas. “A universidade pública deve constituir-se, permanentemente, como espaço democrático, plural, de livre expressão e convivência respeitosa”, destacou trecho do documento.
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