Pré-candidato invade campus da UNESP Araraquara, confronto termina em agressões e caso vai parar na polícia

Violência política na UNESP Araraquara gera denúncia de agressões e amplia debate sobre segurança e democracia no campus

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Pré-candidato invade campus da UNESP Araraquara, confronto termina em agressões e caso vai parar na polícia
Confronto durante manifestação estudantil na UNESP Araraquara gerou repercussão política e registro policial / Reprodução.

 

A paralisação estudantil na UNESP Araraquara ganhou repercussão após uma confusão registrada dentro do campus da Faculdade de Ciências e Letras (FCLAr). O episódio ocorreu na manhã de segunda-feira (11) e envolveu estudantes em greve e o empresário e influenciador político de extrema direita, Hagara Espresola Ramos, conhecido nas redes sociais como “Hagara do Pão de Queijo”.

Segundo relatos de estudantes e representantes políticos que acompanharam o caso, o pré-candidato a deputado federal teria invadido o espaço ocupado pelos manifestantes, removido cartazes, derrubado cadeiras utilizadas em piquetes e iniciado confrontos físicos com alunos.

Vídeos gravados no local mostram momentos de empurrões, discussões e agressões durante a confusão.

A mobilização estudantil acontece desde abril e reivindica melhorias estruturais na universidade, incluindo mudanças no Restaurante Universitário (RU), contratação de professores e ampliação de políticas de permanência estudantil.

 

O movimento afirma que todas as ações vinham sendo organizadas de forma democrática por meio de assembleias internas.

 

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Greve estudantil cobra melhorias na UNESP Araraquara

Os estudantes afirmam que a paralisação foi motivada pelo aumento das dificuldades enfrentadas no cotidiano acadêmico. Entre as principais reivindicações estão a contratação de docentes para suprir o déficit de aulas, melhorias no funcionamento do RU e reforço no orçamento das universidades estaduais paulistas.

Integrantes do movimento alegam que a mobilização busca garantir condições dignas de permanência para alunos que dependem da estrutura pública para continuar os estudos. Segundo representantes estudantis, os piquetes organizados tinham caráter simbólico e político, servindo como forma de pressão para abertura de diálogo com a administração universitária.

 

Vídeos registram confronto dentro do campus

As imagens divulgadas por estudantes e compartilhadas nas redes sociais mostram o momento em que Hagara entra no campus e passa a retirar cadeiras e materiais utilizados pelos manifestantes. Em meio à confusão, estudantes tentam impedir a ação e ocorre um confronto físico. Alunos relataram que o empresário teria chegado ao local em tom agressivo e iniciado provocações.

Algumas estudantes afirmaram ter sido empurradas durante o tumulto. Em depoimentos divulgados após o episódio, integrantes do movimento estudantil afirmaram que toda a situação foi registrada em vídeo e que as imagens mostram claramente o início das agressões.

O episódio repercutiu rapidamente entre lideranças políticas da cidade e também em movimentos ligados à defesa da universidade pública. O caso passou a ser tratado por parlamentares e representantes estudantis como um episódio de “violência política” dentro do ambiente universitário.

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Quem é Hagara do Pão de Queijo

Hagara Espresola Ramos é empresário, influenciador digital e presidente do partido AVANTE em Ribeirão Preto. Conhecido nas redes sociais por vídeos de fiscalizações e críticas políticas, ele ganhou notoriedade regional após polêmicas envolvendo seu comércio e disputas com órgãos públicos.

Entre os episódios mais conhecidos está o caso da instalação de uma sirene em seu estabelecimento comercial para anunciar fornadas de pão de queijo, situação que gerou reclamações de moradores e debates com a prefeitura de Ribeirão Preto.

O empresário também já esteve envolvido em controvérsias com servidores públicos. Em 2025, foi denunciado pelo Ministério Público por ameaças contra funcionários da Vigilância Sanitária durante uma fiscalização.

No caso da UNESP Araraquara, Hagara afirmou que foi ao campus após receber denúncias de estudantes que estariam sendo impedidos de assistir às aulas. Segundo ele, havia salas bloqueadas e pichações políticas no espaço universitário.

Em vídeos publicados nas redes sociais, o empresário alegou que buscava mostrar “o que realmente estava acontecendo” dentro da universidade. Ele também afirmou ter sido hostilizado e agredido por estudantes durante a tentativa de retirar as cadeiras que bloqueavam acessos.

 

Reações políticas após o episódio

O caso provocou forte repercussão entre lideranças políticas da região. A deputada estadual Thainara Faria (PT) classificou o episódio como um caso grave de violência política e afirmou que o setor jurídico de seu mandato foi colocado à disposição dos estudantes.

Segundo a parlamentar, a universidade deve permanecer como espaço democrático, de debate e de construção coletiva. Em nota pública, ela afirmou que o episódio representa uma tentativa de intimidação contra estudantes mobilizados em defesa da educação pública.

O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) acompanhou os alunos até a Delegacia de Plantão de Araraquara para o registro do Boletim de Ocorrência. Ele definiu a situação como uma agressão política e defendeu a adoção de medidas para proteger os estudantes. Já a vereadora Maria Paula (PT) participou do registro da ocorrência policial e afirmou que os responsáveis pelos ataques ao patrimônio e pelas agressões deverão responder judicialmente.

A Juventude do PT de Araraquara também publicou nota oficial em solidariedade aos estudantes da UNESP. O grupo repudiou as agressões e declarou apoio político e jurídico aos alunos envolvidos na manifestação.

 

Prefeito se posicionou publicamente nas redes sociais

O prefeito Lapena (PL), compartilhou nas redes sociais vídeos e posicionamentos divulgados por Hagara do Pão de Queijo. Em publicação, o chefe do Executivo afirmou que “Araraquara não é mais a capital nacional do PT”.

 

UNESP divulga nota de repúdio

Após a repercussão do caso, a Direção da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP Araraquara divulgou uma nota oficial repudiando os episódios de violência registrados no campus.

No documento, assinado pelo diretor Cláudio Cesar de Paiva e pela vice-diretora Marcia Cristina Argenti, a instituição reafirmou o compromisso com a integridade física, emocional e política da comunidade universitária.

A nota também destacou que divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo e do respeito democrático, sem qualquer tipo de intimidação ou violência.

 

A universidade pública deve constituir-se, permanentemente, como espaço democrático, plural, de livre expressão e convivência respeitosa”, diz trecho da manifestação institucional.

 

Estudantes cobram segurança no campus

Após o confronto, estudantes passaram a cobrar medidas mais efetivas de segurança dentro da universidade. Entre as reivindicações estão o uso de câmeras de monitoramento para identificar veículos envolvidos no episódio e mecanismos para impedir o retorno de pessoas consideradas agressoras ao campus.

Integrantes do movimento afirmam que o episódio deixou estudantes assustados e aumentou a sensação de insegurança durante a paralisação. Apesar da repercussão do caso, não houve confirmação oficial sobre feridos graves ou necessidade de atendimento hospitalar emergencial.

 

Ainda assim, lideranças estudantis destacam que a violência registrada dentro da universidade representa um precedente preocupante para o ambiente democrático acadêmico.

 

Caso segue sob investigação

Os estudantes envolvidos formalizaram um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Plantão de Araraquara. O registro inclui denúncias de agressão física e danos ao patrimônio.

A expectativa agora é que as imagens gravadas durante o episódio sejam analisadas pelas autoridades para auxiliar na investigação. Representantes políticos ligados ao movimento estudantil afirmaram que acompanharão o andamento do caso e prestarão suporte jurídico às vítimas.

 

Nota da UNESP

A Direção da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara manifesta seu mais veemente repúdio aos episódios de violência e agressões ocorridos nesta data, 11 de maio de 2026, envolvendo pessoas externas à Universidade e estudantes que realizavam atividades vinculadas ao movimento estudantil em nosso campus.


A Universidade pública deve constituir-se, permanentemente, como espaço democrático, plural, de livre expressão, diálogo, convivência respeitosa e construção coletiva do conhecimento. Nenhuma forma de intimidação, violência física, verbal ou simbólica pode ser aceita ou naturalizada em seu interior.

A Direção reafirma seu compromisso inegociável com a defesa da integridade física, emocional e política de toda a comunidade universitária, bem como com a garantia dos direitos de manifestação, participação estudantil e exercício democrático.

Reiteramos que divergências e posicionamentos distintos devem ser conduzidos por meio do diálogo, do respeito mútuo e dos princípios democráticos que orientam a vida universitária, jamais por práticas violentas ou ações que atentem contra a segurança e a dignidade das pessoas.

Neste momento, solidarizamo-nos com os(as) estudantes atingidos(as) e reforçamos que a FCLAr seguirá atuando em defesa de uma universidade pública comprometida com os direitos humanos, a cultura de paz e a convivência democrática.

 

A nota gerou manifestações imediatas. “Nossa universidade não pode ser lugar de violência”, disse uma mensagem. “Inaceitável! Vi os vídeos e não tenho palavras diante de tamanha barbárie! Estudantes sendo agredidos dentro da própria faculdade?”, questiona outra mensagem.

“Estamos vivendo um momento que criar o caos a confusão são armas para conseguir votos, sim já estão nos embates eleitorais. Precisa discutir novas posturas para enfrentar o afronte”, foram mensagens em resposta a nota da Universidade.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 


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