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PRESSÃO / GCM

Câmara convoca secretário após caso da viatura da GCM em São Carlos; coronel cita apuração interna

Debate envolve denúncias sobre uso de veículo oficial, dados de GPS, pagamento de horas extras e os próximos passos da investigação conduzida pela Secretaria de Segurança

Cassiane Chagas|· 6 min de leitura
Câmara convoca secretário após caso da viatura da GCM em São Carlos; coronel cita apuração interna
Vereadores aprovaram convocação do secretário de Segurança após denúncias envolvendo viatura da GCM e pagamentos irregulares em Araraquara.

 

A crise envolvendo a Guarda Municipal ganhou novo capítulo na Câmara de Araraquara, que aprovou por unanimidade a convocação do secretário de Segurança, coronel Robson Douglas de Souza, para prestar esclarecimentos em plenário.

O foco da convocação é uma investigação que apura o uso supostamente indevido de uma viatura oficial da GCM em São Carlos, além de denúncias sobre pagamento irregular de horas extras e adicional noturno a servidores ocupantes de cargos de confiança.

A pressão aumentou após vereadores apontarem falhas graves nos mecanismos internos de fiscalização da prefeitura, sobretudo na atuação da Ouvidoria Geral do Município, acusada de arquivar uma denúncia sem diligências básicas.

Segundo o Requerimento nº 1.158/2026, assinado pelos vereadores Fabi Virgílio, Alcindo Sabino, Guilherme Bianco e João Clemente, a Câmara quer respostas definitivas sobre um caso que, nas palavras dos parlamentares, envolve moralidade administrativa, uso de patrimônio público e possível má gestão de recursos do contribuinte.

 

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GPS, São Carlos e o trajeto da viatura da GCM

Uma das falas mais contundentes da sessão partiu da vereadora Fabi Virgílio, que questionou diretamente a movimentação do veículo oficial. “O que o carro da GCM estava fazendo em São Carlos meia noite na Avenida Santa Gertrude 720 onde ficou parado por quase uma hora?”, disparou.

De acordo com os dados apresentados pelos vereadores, o rastreamento do veículo mostra que a viatura deixou Araraquara em um domingo à noite, seguindo para São Carlos, onde permaneceu parada em uma região que abrange unidades do SESI/SENAI, mas também áreas próximas a motéis e pontos de prostituição, tema explorado durante o debate.

O vereador Guilherme Bianco detalhou os horários. “O carro oficial sai de Araraquara às 23h17 da noite e à meia-noite e 59 ele começa a retornar”, afirmou. Ainda segundo os parlamentares, o veículo teria permanecido sob guarda de servidor em residência particular antes do deslocamento.

A vereadora Felipa Brunelli criticou duramente o episódio. “Usando patrimônio do município, do contribuinte, para dar rolê em São Carlos e ainda o que é mais grave: a denúncia ser arquivada.”

 

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Secretário confirma deslocamento e cita comandante da GCM

Em entrevista, na manhã desta quarta-feira (20), ao portal de notícias do vereador Baldassari (NOVO), o secretário coronel Robson Douglas de Souza confirmou que houve deslocamento da viatura para fora de Araraquara. Segundo ele, um dos investigados é o próprio comandante da Guarda Civil Municipal.

O secretário confirmou a investigação, mas ressaltou que ainda não há conclusão administrativa. “Ele (comandante da GCM) foi denunciado, não temos ainda como afirmar que as denúncias procedem”, declarou.

Robson afirmou que a apuração teve origem em denúncia anônima recebida em janeiro, envolvendo tanto o uso da viatura quanto suspeitas de recebimento indevido de adicional noturno. O secretário foi enfático ao negar qualquer vínculo da viagem com ações institucionais da Guarda. “Não diz respeito ao serviço de inteligência da GCM. Esse deslocamento nada tem a ver com as atividades.” Ele também afirmou que não houve designação oficial da corporação para o deslocamento.

 

“Não foi nenhuma designação da GCM e ele não comunicou se precisaria se deslocar para lá a serviço.”

 

Apesar disso, o governo manteve os investigados nos cargos, decisão justificada pelo secretário com base na presunção de inocência, no contraditório e na ampla defesa.“Ele não passa de um investigado”, afirmou Robson.

 

Horas extras, adicional noturno e dinheiro público

Além da viatura, outro eixo da crise envolve denúncias sobre pagamentos considerados irregulares de horas extras e adicional noturno. Segundo a vereadora Fabi Virgílio, a análise de documentos internos e olerites teria confirmado pagamentos a ocupantes de funções de confiança.

O tema gerou forte reação do vereador João Clemente. “Quem é que tem estômago de ler o requerimento resposta que nós tivemos e não se indignar?” Ele relacionou diretamente o caso ao dinheiro do contribuinte.

 

A gasolina que conduziu a pessoa a tal lugar é do bolso do contribuinte; a hora extra que é paga à exaustão é do bolso do contribuinte.”

 

O secretário, durante a entrevista ao Balda, confirmou que a denúncia recebida incluía também o tema dos benefícios remuneratórios. Segundo ele, a análise exige estudo documental e avaliação da legislação específica.

 

“Se fosse somente o fato do deslocamento da viatura para fora da cidade a apuração já estaria concluída. Mas como temos outros fatos, a apuração demora um pouco mais.”

 

Críticas à Ouvidoria e falha dos mecanismos internos

Outro ponto central da sessão foi a atuação da Ouvidoria Geral do Município. A denúncia inicial, protocolada em fevereiro, acabou arquivada sob alegação de falta de materialidade. O procedimento virou alvo de forte reação dos vereadores. Fabi Virgílio acusou falta absoluta de iniciativa investigativa.

 

“A ouvidora não fez 1 mm de ação para pedir o rastreio do GPS.”

 

Já Guilherme Bianco avaliou que o caso só chegou à Câmara porque os mecanismos internos falharam. “A denúncia só chega aos vereadores porque os mecanismos da prefeitura falharam.”

Para a vereadora Maria Paula, o problema ultrapassa o caso individual. “O irregular já foi feito. O que eu quero saber agora é quem permitiu que o irregular acontecesse.”

 

Secretário pode responder presencialmente no plenário

Com a aprovação unânime do requerimento, o secretário coronel Robson Douglas de Souza deverá comparecer ao Legislativo para prestar esclarecimentos formais.

Ainda na entrevista no Portal do Balda, o secretário apresentou três caminhos após a conclusão da fase preliminar:

➡ Arquivamento, se não forem constatadas irregularidades;

➡ Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), se houver elementos suficientes para responsabilização;

➡ Sindicância, caso sejam necessárias novas diligências

 

“Acredito que na próxima semana vamos concluir”.

 

Até vereadores alinhados à base defenderam rigor. O vereador Coronel Prado afirmou: “Qualquer desvio de conduta, seja na política, no serviço público ou em qualquer outro lugar, deve ser apurado rigorosamente.”

Já o próprio Balda, durante a sessão, resumiu o sentimento predominante no plenário: “É uma questão de moralidade e nós vereadores temos a obrigação de apurar isso até o fim. Isso tem que ser investigado custe a quem custar.”

O caso amplia a pressão sobre a gestão municipal, com possíveis reflexos políticos, administrativos e jurídicos. O desfecho da apuração pode influenciar o debate sobre transparência, controle interno e gestão dos recursos públicos em Araraquara. O Portal Araraquara Acompanha.

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