Pela terceira vez consecutiva, Gavião Peixoto, região de Araraquara, foi apontada como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). Com nota 73,10, em uma escala de 0 a 100, a pequena cidade paulista de cerca de 4,7 mil habitantes voltou a liderar o levantamento nacional, que avalia os 5.570 municípios brasileiros.
Vale lembrar que das quatro primeiras posições, todas pertencem ao estado de São Paulo: Gavião Peixoto, Jundiaí, Osvaldo Cruz e Pompéia.
O levantamento considera 57 indicadores sociais e ambientais, distribuídos em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. O objetivo é medir o progresso social das cidades para além dos indicadores econômicos tradicionais, avaliando temas como saúde, educação, segurança, inclusão, moradia e acesso a direitos.
O novo reconhecimento coloca novamente em destaque Gavião Peixoto, município conhecido pelo perfil tranquilo do interior paulista, mas que reúne indicadores sociais muito acima da média nacional.
Entre os fatores que ajudam a explicar o desempenho aparecem índices baixos de evasão escolar, ausência de fila por vagas na rede municipal de ensino e bons indicadores ligados a serviços públicos.
Outro elemento importante é o desempenho econômico da cidade. Gavião Peixoto possui um dos maiores PIBs per capita do Brasil. Segundo dados do IBGE referentes a 2023, o município ocupa a 11ª posição nacional nesse indicador, registrando R$ 369.126,50 por habitante.
Mas o próprio IPS destaca um ponto importante, que riqueza, sozinha, não explica qualidade de vida. O estudo aponta que municípios com perfis econômicos semelhantes podem apresentar desempenhos muito diferentes em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e inclusão social. Em outras palavras, o diferencial está na capacidade de transformar recursos econômicos em políticas públicas e qualidade de vida para a população.
Grande parte da força econômica de Gavião Peixoto está associada à presença da fábrica da Embraer, instalada no município desde 2001. A unidade se tornou referência estratégica na indústria aeronáutica brasileira e abriga projetos militares e tecnológicos de grande porte.
O complexo industrial também chama atenção pela infraestrutura. A pista de pouso e decolagem instalada em Gavião Peixoto possui 5 quilômetros de extensão, considerada a maior pista do Hemisfério Sul e uma das maiores das Américas.
A presença da indústria aeronáutica elevou significativamente a geração de riqueza local e consolidou o município como um polo estratégico ligado à tecnologia, defesa e inovação.
O IPS Brasil 2026 mostrou ampla predominância do estado de São Paulo nas primeiras colocações. Além da liderança de Gavião Peixoto, outras cidades paulistas aparecem entre as melhores classificadas do país.
O ranking dos 20 municípios mais bem avaliados inclui nomes como Jundiaí (71,80), Osvaldo Cruz (71,76), Pompéia (71,76), Itupeva (71,08), Rafard (71,08), Adamantina (70,97), Ribeirão Preto (70,80), Barra Bonita (70,71), Araraquara (70,70) e Águas de São Pedro (70,66).
Araraquara parece na 19ª posição nacional com pontuação de 70,70. Entre as capitais, Curitiba lidera, seguida por Brasília e São Paulo.
Se o topo do ranking concentra forte presença do Sudeste, especialmente paulista, a parte inferior da lista revela um retrato oposto. Das 20 cidades com piores resultados no IPS Brasil 2026, 17 estão na região Norte.
A última colocação ficou com Uiramutã (RR), na fronteira com Venezuela e Guiana, com 42,44 pontos. Na sequência aparecem Jacareacanga (PA), Alto Alegre (RR) e Portel (PA).O Pará concentra metade das cidades com menores pontuações.
O relatório aponta que o Brasil registrou média geral de 63,40 pontos no IPS 2026, mostrando avanço discreto em relação ao ano anterior. Entre as três dimensões avaliadas, Necessidades Humanas Básicas teve melhor desempenho nacional, com média de 74,58 pontos. Já a dimensão Oportunidades segue como principal desafio brasileiro, com média de apenas 46,82 pontos.
Segundo o levantamento, alguns dos indicadores mais frágeis do país continuam relacionados à dimensão das oportunidades.
Os menores resultados aparecem em temas como:
O estudo observa que a área de inclusão social mantém tendência de queda desde 2024, refletindo problemas ligados à baixa representatividade política, desigualdades estruturais e violência contra minorias. Ao mesmo tempo, componentes como Moradia e Acesso à Informação e Comunicação apresentaram os melhores desempenhos nacionais.
Veja a lista de cidades
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