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SEGURANÇA | ESCLARECIMENTO

Comandante da GCM divulga nota oficial sobre investigação no caso da viatura em São Carlos

Em meio à convocação do secretário na Câmara, comandante da Guarda Civil Municipal afirma que apuração segue na esfera administrativa

Cassiane Chagas|· 5 min de leitura
Comandante da GCM divulga nota oficial sobre investigação no caso da viatura em São Carlos
Comandante da GCM divulga carta pública sobre investigação envolvendo uso de viatura oficial e apuração administrativa em Araraquara.

 

O comandante-geral da GCM de Araraquara, Sírio S. Magalhães Jr., divulgou uma nota oficial em meio à investigação sobre o suposto uso de uma viatura oficial fora do município e questionamentos envolvendo pagamentos de benefícios remuneratórios.

A manifestação ocorre dias depois de a Câmara de Araraquara aprovar por unanimidade a convocação do secretário municipal de Segurança, coronel Robson Douglas de Souza, para prestar esclarecimentos em plenário sobre a apuração.

Na nota oficial, Sírio sustenta que o caso está sendo tratado dentro dos trâmites administrativos previstos e pede cautela diante das denúncias.

 

“Todos os apontamentos estão sendo devidamente apurados pelo secretário de segurança e pelos setores competentes, dentro da legalidade, da transparência e dos trâmites previstos pela administração pública”, escreveu.

 

O comandante também afirmou que, até o momento, a investigação trata de questões administrativas e não criminais.

 

“É importante destacar que os fatos apresentados dizem respeito a eventuais questões administrativas, que serão analisadas com a seriedade e a imparcialidade necessárias”, declarou.

 

Em outro trecho, ele acrescenta: “Não há qualquer apontamento relacionado à prática de crime ou fato grave que possa causar tamanha repercussão.” Veja a íntegra da nota oficial ao final da matéria.

 

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Comandante diz que veículo não é de uso exclusivo

Um dos principais pontos abordados na nota oficial é justamente o veículo citado nas denúncias. Segundo Sírio, o automóvel utilizado na investigação não pertence exclusivamente ao gabinete do comandante, mas integra uma dinâmica compartilhada dentro da estrutura da corporação.

 

“Sobre o veículo mencionado nas denúncias, esclareço que ele não é de uso exclusivo do comandante”, afirmou.

 

De acordo com ele, o carro também seria utilizado pelo subcomandante, cargos de chefia, responsáveis pela manutenção da frota, guardas deslocados para cursos, palestras, atividades administrativas e, eventualmente, por motoristas da Prefeitura em viagens oficiais.

 

“Trata-se, portanto, de um veículo compartilhado, utilizado conforme as necessidades administrativas e operacionais do serviço público”.

 

Secretário confirmou deslocamento, mas investigação continua

Apesar da defesa apresentada pelo comandante, o secretário municipal de Segurança, coronel Robson Douglas de Souza, confirmou recentemente à imprensa local que houve deslocamento do veículo oficial para fora de Araraquara.

Segundo ele, o próprio comandante figura entre os investigados. “Ele foi denunciado, não temos ainda como afirmar que as denúncias procedem”, declarou o secretário. Robson explicou que a investigação começou após uma denúncia anônima recebida em janeiro, envolvendo não apenas o uso da viatura, mas também suspeitas relacionadas ao recebimento de adicional noturno.

O secretário ainda negou qualquer relação da viagem com atividades oficiais da corporação.“Não diz respeito ao serviço de inteligência da GCM. Esse deslocamento nada tem a ver com as atividades”, afirmou.

 

Em outro momento, reforçou: “Não foi nenhuma designação da GCM e ele não comunicou se precisaria se deslocar para lá a serviço.”

 

Mesmo diante da apuração em andamento, a administração manteve os investigados nos cargos. Segundo Robson, a decisão se baseia nos princípios do contraditório, ampla defesa e presunção de inocência.

 

“Ele não passa de um investigado”, disse.

 

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Denúncia inclui horas extras e adicional noturno

Além do uso da viatura, outro eixo da crise envolve denúncias sobre pagamentos considerados irregulares de horas extras e adicional noturno a ocupantes de funções de confiança. Durante debates na Câmara, vereadores afirmaram que documentos internos e contracheques apontariam inconsistências nos pagamentos.

O vereador João Clemente relacionou o tema diretamente ao uso de dinheiro público. “A gasolina que conduziu a pessoa a tal lugar é do bolso do contribuinte; a hora extra que é paga à exaustão é do bolso do contribuinte”, declarou. O secretário Robson reconheceu que a análise sobre os benefícios remuneratórios exige avaliação técnica mais aprofundada.

 

“Se fosse somente o fato do deslocamento da viatura para fora da cidade a apuração já estaria concluída. Mas como temos outros fatos, a apuração demora um pouco mais”, explicou.

 

Arquivamento da denúncia gerou reação na Câmara

Outro ponto de tensão envolve a atuação da Ouvidoria Geral do Município. A denúncia original, protocolada em fevereiro, acabou sendo arquivada em março, sob a justificativa de que “não foi encontrada na demanda indícios de materialidade para prosseguimento de apuração”. A decisão provocou forte reação entre parlamentares.

A vereadora Fabi Virgílio acusou falta de diligência por parte da Ouvidoria. “A ouvidora não fez 1 mm de ação para pedir o rastreio do GPS”, afirmou. Já o vereador Guilherme Bianco avaliou que o caso só avançou porque houve atuação do Legislativo. “A denúncia só chega aos vereadores porque os mecanismos da prefeitura falharam”, disse.

Também houve críticas ao arquivamento por se tratar de denúncia anônima. O vereador Alcindo Sabino classificou a justificativa como “um absurdo”, enquanto a vereadora Felipa Brunelli defendeu que a própria responsável pela Ouvidoria seja convocada a prestar explicações na Câmara.

 

Secretário será ouvido em plenário

Diante da repercussão política e administrativa do caso, a Câmara aprovou a convocação do secretário de Segurança para esclarecimentos oficiais. O Requerimento nº 1.158/2026, assinado por vereadores da oposição, sustenta que a investigação envolve temas ligados à moralidade administrativa, uso de patrimônio público e gestão de recursos do contribuinte.

 

Confira a nota oficial, timbrada, do comandante

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