SERVIDORES | DATA-BASE
Prefeitura rejeita contraproposta do SISMAR; servidores podem iniciar greve em Araraquara
Data-base 2026 entra em nova fase de tensão após governo recusar reabrir negociação

A Prefeitura de Araraquara rejeitou a contraproposta apresentada pelo SISMAR na negociação da data-base 2026 dos servidores municipais. A decisão amplia o impasse entre a administração e a categoria, que discute os próximos passos da mobilização.
Em documento encaminhado ao sindicato, a administração do prefeito Lapena (PL) informou que, diante da situação fiscal do município e das limitações impostas pelo artigo 167-A da Constituição Federal, não há possibilidade de atendimento às reivindicações formuladas pela categoria.
Mesmo diante da negativa, o sindicato afirmou que continua defendendo a retomada do diálogo e solicitou uma nova rodada de negociação, alegando a necessidade de construção de uma saída negociada em razão do momento vivido pela administração e pelos servidores.
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Prefeitura cita crise fiscal e trava reivindicações
Na manifestação oficial enviada ao SISMAR, o Executivo argumenta que a decisão está vinculada ao quadro fiscal do município e às restrições legais relacionadas ao controle das despesas públicas.
O documento destaca que o município precisa manter equilíbrio financeiro e cumprir as exigências constitucionais, especialmente as previstas no artigo 167-A da Constituição Federal, dispositivo que estabelece limitações quando gastos correntes atingem patamares considerados críticos.
Segundo a resposta assinada pelo prefeito, “não há possibilidade de atendimento das solicitações elencadas” no ofício apresentado pelo sindicato.
Ainda conforme o texto, a administração sustenta que a medida busca preservar responsabilidade fiscal, equilíbrio das contas públicas e conformidade com a legislação vigente.
A negativa foi divulgada pelo sindicato com o alerta de que “nenhum avanço será concedido neste momento”.

Sindicato insiste em negociação e cita risco de greve
Após receber a resposta oficial, o SISMAR encaminhou nova manifestação à Prefeitura pedindo reabertura das conversas. Em comunicação direcionada a setores internos da administração, o presidente da entidade, Gustavo Jacobucci, argumentou que a situação exige continuidade do diálogo, principalmente pela proximidade da assembleia da categoria, que pode resultar em paralisação dos serviços.
No texto, o sindicato afirma:
“Visando a continuidade da negociação baseada no bem comum, tendo a proximidade da assembleia que pode culminar em paralisação (movimento de greve), insistimos em sentar e conversar bons termos justos a ambos os lados.”
O SISMAR sustenta ainda que uma negociação não pode ser encerrada sem debate aprofundado entre as partes.
“Não podemos deixar findar algo que teve proposta e resposta, sem negociação, sem debate.”
A entidade também reforçou que nunca se colocou contra o diálogo e que reconhece a responsabilidade dos servidores perante a população. Paralelamente, o sindicato convocou uma assembleia de data-base em caráter pré-grevista, marcada para esta quinta-feira (21), às 18h, em frente ao Paço Municipal, sob o slogan: “A negociação está aberta, basta o governo querer.”
Sessão da Câmara ampliou embate político
O impasse envolvendo a data-base dos servidores já havia sido debatida durante a sessão da Câmara Municipal realizada na terça-feira (19), marcada por forte embate entre representantes da categoria, vereadores e integrantes do governo. Com presença expressiva de servidores nas galerias, o debate teve como um dos pontos centrais a participação do servidor municipal José Guilherme Cagnin, que utilizou a Tribuna Popular representando trabalhadores e sindicato.
Durante sua fala, ele criticou a condução das negociações por parte do Executivo e apontou ausência de diálogo institucional. “O Lapena impõe o que ele vai pagar e já manda pra Câmara, desrespeitando a Assembleia dos Servidores.”
O pronunciamento ampliou o desgaste político em torno da negociação, que já vinha sendo considerada insuficiente pela categoria.
O que prevê a proposta da Prefeitura
O projeto encaminhado pelo Executivo à Câmara, identificado como PL 198/2026, propõe:
➡ 4,39% de reajuste salarial, correspondente à reposição inflacionária;
➡ manutenção do ticket alimentação em R$ 640, sem reajuste;
➡ concessão de duas faltas abonadas em caráter experimental.
A proposta acabou rejeitada pelos servidores, que defendem mudanças mais amplas na estrutura salarial e nos benefícios.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão:
➡ salário base real de R$ 2.300;
➡ vale-alimentação de R$ 1.150;
➡ três faltas abonadas permanentes, sem descontos e sem caráter experimental.
➡ Ticket alimentação vira um dos principais focos da disputa
Um dos pontos mais sensíveis da negociação é justamente o vale-alimentação.
Segundo o sindicato, a discussão não se limita aos índices de reajuste salarial, mas envolve o próprio modelo de remuneração utilizado pelo município. Para a categoria, a composição atual dos vencimentos exige revisão estrutural, especialmente diante do aumento do custo de vida e das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores do serviço público.
Greve passa a integrar cenário da data-base 2026
Com a negativa formal do Executivo e a insistência do sindicato por uma nova rodada de diálogo, a possibilidade de greve dos servidores municipais passa a ganhar destaque na disputa da data-base. A assembleia convocada pelo SISMAR deve servir como termômetro do nível de insatisfação da categoria e poderá definir os próximos passos do movimento.
Segundo o sindicato, a greve será por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (22). A paralisação já havia sido aprovada foi aprovada anteriormente e a comunicação já foi formalizada aos órgãos competentes. A população foi avisada sobre possíveis impactos nos serviços municipais. Ainda de acordo com a entidade, os serviços essenciais deverão manter funcionamento mínimo de 30% do efetivo, conforme previsto em lei.

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