Araraquara reuniu prefeitos da região para discutir uma proposta de divisão dos custos da Santa Casa e da Maternidade Gota de Leite entre os municípios atendidos pelas instituições. Durante o Encontro de Prefeitos e Secretários Municipais de Saúde da DRS III, realizado nesta quarta-feira (22), no auditório da Diretoria Regional de Saúde (DRS III), foi apresentada uma proposta para que os municípios beneficiados pelos atendimentos da Santa Casa de Araraquara e da Maternidade Gota de Leite passem a contribuir financeiramente de forma proporcional ao número de pacientes encaminhados às instituições.
A iniciativa busca corrigir um desequilíbrio histórico: hospitais que atendem pacientes de vários municípios têm hoje a maior parte dos custos financiada pela Prefeitura de Araraquara. A proposta busca justamente corrigir esse desequilíbrio, fortalecendo a cooperação entre os municípios e garantindo maior sustentabilidade financeira às duas instituições, consideradas estratégicas para toda a região Central do Estado.
Atualmente, a Prefeitura de Araraquara destina aproximadamente R$ 830 mil por mês como contrapartida para auxiliar no custeio da Santa Casa. Na Maternidade Gota de Leite, o esforço financeiro é ainda maior. O município responde por cerca de 90% dos custos mensais, investindo aproximadamente R$ 4 milhões por mês, enquanto cerca de R$ 1 milhão é proveniente de recursos federais.
Na prática, isso significa que um serviço utilizado diariamente por moradores de diversas cidades acaba sendo sustentado, em grande parte, pelos cofres de Araraquara. Por esse motivo, a proposta apresentada durante o encontro prevê que cada município participe do financiamento conforme a utilização efetiva dos serviços hospitalares, tornando o sistema mais justo e compartilhado.
A Santa Casa de Araraquara é referência para dezenas de municípios da DRS III, atendendo pacientes das regiões Central, Noroeste e Coração da DRS III em procedimentos de média e alta complexidade.
Entre os números apresentados durante o encontro estão:
Os dados reforçam a importância regional da instituição, que recebe diariamente pacientes encaminhados por diversos municípios.
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Outro ponto destacado durante a reunião foi a recuperação financeira da Santa Casa. Nos últimos anos, a dívida da instituição caiu de R$ 107 milhões, em 2022, para aproximadamente R$ 37 milhões em 2026, resultado de uma política de reorganização administrativa e financeira.
A redução do passivo fortaleceu a credibilidade da entidade junto aos fornecedores e permitiu ampliar a capacidade de investimentos e manutenção dos serviços prestados à população. Apesar dessa recuperação, os gestores destacaram que o financiamento da saúde pública continua sendo um desafio e que a participação dos municípios da região é considerada essencial para preservar o atendimento.
Durante o encontro, o prefeito Lapena (PL) fez um apelo aos gestores municipais para que a saúde regional seja tratada como uma responsabilidade coletiva."Acredito que precisamos unir esforços para evitar um colapso ainda maior na saúde. Os hospitais trabalham acima da capacidade, as equipes estão sobrecarregadas e a demanda cresce a cada dia."
"Precisamos construir uma solução regional que fortaleça a assistência à população, preserve o trabalho desenvolvido pela Santa Casa e a Maternidade, oferecendo melhores condições para quem depende diariamente do sistema público de saúde."
A proposta recebeu atenção dos representantes presentes justamente por buscar um modelo em que os custos sejam distribuídos de maneira proporcional entre os municípios que utilizam a estrutura hospitalar.
Participaram da reunião o prefeito Lapena, a secretária municipal de Saúde, Emanuelle Laurenti, o provedor da Santa Casa, Jeferson Yashuda, o diretor da DRS III, Toninho Martins, além de prefeitos e representantes das áreas de saúde de Boa Esperança do Sul, Rincão, Américo Brasiliense, Gavião Peixoto, Trabiju, Motuca e Santa Lúcia.
Ao final do encontro, a secretária municipal apresentou uma proposta de contribuição financeira para ser analisada individualmente por administração municipal. Os prefeitos e secretários agora deverão avaliar internamente a viabilidade da participação de seus municípios antes de apresentar um posicionamento oficial.
A definição sobre a adesão ao modelo de cooperação deverá avançar na próxima reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR), marcada para 5 de agosto. A expectativa é que o encontro permita construir um acordo regional capaz de distribuir de forma mais equilibrada os custos da assistência hospitalar.
Caso avance, a proposta poderá representar um novo modelo de financiamento para a saúde regional, garantindo que municípios que utilizam a estrutura da Santa Casa e da Maternidade Gota de Leite também contribuam para sua manutenção, preservando serviços essenciais e reduzindo a pressão financeira sobre Araraquara.
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