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EMBATE PÚBLICO

SISMAR repudia secretário de Araraquara após ele chamar servidor de 'idiota' e 'babaca' em rede social

Sindicato cobra retratação após Roberto Pereira responder com ofensas e advertência a uma crítica publicada no Facebook

Cassiane Chagas|· 6 min de leitura
SISMAR repudia secretário de Araraquara após ele chamar servidor de 'idiota' e 'babaca' em rede social
Discussão no Facebook provocou reação do SISMAR em Araraquara Imagem: Reprodução.

 

O SISMAR — Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região divulgou uma nota de repúdio contra o secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Roberto Pereira, após uma discussão pública, em resposta da postagem de um vereador, com o servidor concursado Maurício Roberto Prada no Facebook. A entidade classificou a resposta do integrante do primeiro escalão da Prefeitura como ofensiva, intimidatória e incompatível com a postura esperada de uma autoridade pública.

A controvérsia começou depois do servidor comentar em uma publicação relacionada ao governo municipal, em postagem do vereador Enfermeiro Delmiran (PL). Na mensagem, ele defendeu que o prefeito deveria se dedicar integralmente à administração da cidade e buscar recursos para Araraquara. Roberto Pereira respondeu ao comentário usando expressões como “idiota” e “babaca”, além de afirmar: “Presta atenção, ou pede para sair”.

O episódio foi inicialmente noticiado pelo portal Alternativa 016 e depois repercutiu nas redes sociais do sindicato. Em sua manifestação oficial, o SISMAR afirmou que as declarações atingiram a dignidade do trabalhador e representaram uma tentativa de intimidação contra o exercício do direito de crítica. A publicação da entidade confirma que a nota foi motivada pela troca de comentários envolvendo Pereira e Prada. Roberto Pereira é responsável pela Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento.

 

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Comentário de servidor deu início à discussão

Na mensagem que antecedeu a resposta do secretário, Maurício Roberto Prada pediu ponderação a um vereador e fez críticas à atuação do prefeito. O servidor escreveu:

 

“Sr. vereador, seu discurso precisa ser ponderado, infelizmente se o prefeito não parar com suas consultas particulares e voltar-se plenamente para a posição que está hoje (prefeito) e tirar a parte glútea da cadeira e ir de encontro aos recursos, esses não virão até o município... Diferente de Maomé e a montanha, o prefeito e o recurso não estão em sintonia.”

 

A crítica se concentrou na dedicação do chefe do Executivo ao cargo e na necessidade de buscar recursos para o município. No comentário, não houve referência direta ao secretário Roberto Pereira. Mesmo assim, o titular da Fazenda e Planejamento respondeu diretamente ao servidor e qualificou a manifestação como inoportuna.

 

“Que comentário inoportuno, pra não dizer idiota, babaca.”

 

Na sequência, o secretário defendeu a atuação do prefeito e comparou a rotina do chefe do Executivo à do servidor concursado:

 

“O vereador foi ponderado. O prefeito está trabalhando muito mais que você, concursado. Prefeito não tem feriado nem dia facultativo.”

 

A resposta terminou com a frase que provocou uma das principais reações do sindicato:

“Presta atenção, ou pede pra sair.”

 

O termo “concursado”, utilizado pelo secretário durante a comparação, e a recomendação para que Maurício “peça para sair” foram interpretados pelo SISMAR como elementos que agravaram o episódio. Para a entidade, a condição funcional do trabalhador foi usada como forma de desqualificação e pressão.

 

SISMAR repudia secretário e aponta intimidação

Na nota, o sindicato afirmou repudiar “veementemente os ataques” atribuídos ao secretário e declarou que o episódio ocorreu em desacordo com as regras de respeito e decoro que devem orientar as relações institucionais.

Segundo o SISMAR, a manifestação original do servidor representou o “exercício legítimo do direito de manifestação e cobrança”. A entidade avaliou que Roberto Pereira deveria ter respondido de maneira técnica e respeitosa, sem recorrer a expressões que, na visão sindical, atingiram a honra do trabalhador.

 

“O cargo público não confere aos seus ocupantes o direito de ofender e humilhar subordinados em redes sociais, muito menos de ameaçá-los por discordarem de suas opiniões”, declarou o sindicato.

 

O SISMAR também afirmou que rejeita qualquer forma de assédio, perseguição, intimidação ou ofensa moral contra servidores municipais, sobretudo quando a conduta é atribuída a integrantes do alto escalão do Executivo. A nota divulgada nas redes sociais resume a posição da entidade ao dizer que ofensas como “idiota, babaca” e ameaças de “peça para sair” não têm espaço na administração pública.

 

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Sindicato faz três exigências ao secretário

Além de criticar publicamente a conduta, o SISMAR apresentou três exigências dirigidas a Roberto Pereira e a outros agentes políticos que ocupam funções de gestão.

A primeira é a interrupção imediata de qualquer ofensa, ameaça ou perseguição contra Maurício Roberto Prada ou contra outro servidor que manifeste críticas a representantes eleitos. O sindicato defendeu que o funcionalismo não pode sofrer retaliações pelo posicionamento exposto fora do ambiente de trabalho.

A segunda exigência é a retirada das publicações consideradas ofensivas do perfil pessoal utilizado na discussão. A entidade entende que a exclusão das mensagens seria uma providência necessária diante da repercussão do caso.

Por último, o sindicato cobrou do secretário uma postura institucional compatível com o cargo, baseada no respeito à liberdade de expressão e à dignidade dos servidores públicos municipais.

 

“A administração pública deve ser pautada na ética, no respeito e no cumprimento rigoroso da legislação”, registrou o SISMAR.

 

SISMAR cita medidas legais e administrativas

O sindicato informou que poderá adotar providências legais e administrativas caso as manifestações ofensivas ou eventuais atos de perseguição continuem. Entre as medidas mencionadas estão o registro de boletins de ocorrência e o envio de representações aos órgãos de controle responsáveis por analisar a conduta de agentes públicos.

 

“Caso as ofensas e ameaças persistam, o Sindicato se reserva o direito de adotar todas as medidas legais e administrativas cabíveis para a defesa de seus representados”, diz a nota.

 

O SISMAR encerrou o documento afirmando que o servidor municipal “não é refém de disputas políticas”, não pode servir de escudo para problemas da administração e não deve ser submetido a situações vexatórias por integrantes do governo.

 

Discussão amplia debate sobre postura institucional

A repercussão do caso ultrapassou o conteúdo da crítica inicial ao prefeito e passou a envolver a forma como autoridades municipais se relacionam com servidores nas redes sociais. Embora a discussão tenha ocorrido em um perfil pessoal, o SISMAR argumenta que a função pública ocupada por Roberto Pereira não pode ser dissociada do impacto institucional de suas declarações.

A entidade sustenta que divergências políticas ou administrativas devem ser respondidas sem ataques pessoais ou referências que possam sugerir punição funcional. Até o final da reportagem, ainda não havia uma manifestação posterior de Roberto Pereira sobre a nota de repúdio ou um esclarecimento da Prefeitura a respeito das declarações.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

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