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TRABALHO | CALOTE

‘A gente só quer o que é nosso’: terceirizadas do Melhado cobram salários e rescisões atrasados

Funcionárias de empresa terceirizada afirmam que estão sem salário e rescisão após encerramento do contrato no hospital

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
‘A gente só quer o que é nosso’: terceirizadas do Melhado cobram salários e rescisões atrasados
Trabalhadoras terceirizadas que atuavam na limpeza da Unidade de Retaguarda do Melhado, em Araraquara, afirmam estar sem salários e verbas rescisórias Foto ilustrativa: Google/Maps.

 

Trabalhadoras que atuam na limpeza da Unidade de Retaguarda às Urgências e Diagnóstico do Melhado, em Araraquara, denunciam que estão sem receber salários e verbas rescisórias após o encerramento do contrato da empresa terceirizada responsável pelo serviço. Segundo os relatos encaminhados ao Araraquara Agora, a prestadora deixou a unidade, mas não teria quitado os valores devidos às funcionárias.

As trabalhadoras afirmam que o último dia de trabalho com a empresa, ocorreu no fim de julho e que, desde então, tentam obter informações sobre quando receberão os pagamentos. Elas relatam que procuraram representantes da empresa e conversaram com duas supervisoras, mas dizem que não receberam uma previsão concreta para a quitação.

O caso envolve, segundo os depoimentos, cerca de 13 trabalhadoras que dependem dos salários para despesas básicas. Algumas afirmam estar com aluguel, contas de água e energia atrasados e relatam dificuldades para comprar alimentos para os filhos e demais familiares.

A unidade é administrada pela Fungota, Fundação Municipal Irene Siqueira Alves. Documentos públicos da própria instituição confirmam que a unidade integra a estrutura municipal de saúde e está localizada na Vila Melhado.

 

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Trabalhadoras dizem estar sem salário e rescisão

Uma das funcionárias afirmou que a empresa deixou a cidade depois de informar que faria os pagamentos referentes ao período trabalhado. Segundo ela, porém, a promessa não foi cumprida.

 

“A empresa saiu da cidade, mas falou que pagaria as funcionárias que trabalharam até o dia 30 de julho, mas até agora nada.”

 

Ela conta que, durante aproximadamente 20 dias, as funcionárias tentaram contato com representantes da terceirizada. De acordo com o relato, as supervisoras informaram que não havia previsão para o pagamento. “Eles nem nos pagaram o acerto”, desabafou uma das trabalhadoras da limpeza.

Outra funcionária afirmou que o último dia trabalhado foi 29 de julho e que, até o momento, não recebeu nem o salário devido nem a rescisão contratual. “Nosso último dia trabalhado foi dia 29 de julho. Não recebemos salário nem a rescisão ainda. Falaram que ainda estão no prazo.”

A situação, segundo as trabalhadoras, agravou problemas financeiros que já enfrentavam em casa. “Eu estou com meu aluguel atrasado, minha casa não tem mais alimentos. Eu pago pensão para os meus netos e não estou conseguindo pagar.”

 

‘Estamos desesperadas’, relatam funcionárias

As trabalhadoras afirmam que o atraso ultrapassou o que elas consideravam um período razoável de espera. Segundo os relatos, inicialmente houve a informação de que os pagamentos seriam feitos na semana passada. Depois, porém, elas teriam sido comunicadas de que não havia dinheiro disponível.

 

“Estamos desesperadas. Não temos o que comer dentro de casa esperando eles pagarem.”

 

As funcionárias também dizem que algumas delas são mães de crianças pequenas e que a falta do salário compromete diretamente a alimentação e outras necessidades básicas.

 

“Isso não é justo com a gente. Trabalhamos certinho durante todo o mês, cumprimos o aviso prévio e chega na hora de acertar com a gente, a empresa faz isso?”

 

Funcionárias afirmam que supervisoras bloquearam contatos

Além da ausência de pagamento, as trabalhadoras reclamam da dificuldade para conseguir informações da empresa. Segundo elas, as duas supervisoras com quem mantinham contato passaram a não responder às mensagens e teriam bloqueado funcionárias no WhatsApp.

 

“Ninguém fala nada e uma das supervisoras me bloqueou. Tenho filhos que precisam das coisas e estou com a conta de energia e água atrasadas.”

 

Outra funcionária afirmou que o grupo tentou buscar respostas diretamente com os responsáveis pela gestão do contrato, mas não conseguiu solucionar o problema.

Em contato com o Araraquara Agora, uma das supervisoras informou que o departamento jurídico da empresa entraria em contato com o portal para apresentar esclarecimentos. O portal aguardou o prazo informado, mas, até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia se manifestado.

 

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Prefeitura diz que há duas notas em atraso

Procurada pelo Araraquara Agora, a Prefeitura de Araraquara informou que existem duas notas fiscais em atraso referentes ao contrato, com valor total aproximado de R$ 70 mil. Segundo a administração municipal, os pagamentos deverão ser realizados dentro do prazo informado à empresa.

A Prefeitura informou ainda que o contrato com a empresa já foi encerrado e que uma nova prestadora passou a executar os serviços na unidade. De acordo com a administração municipal, a previsão é de que as duas notas pendentes, que totalizam aproximadamente R$ 70 mil, sejam pagas em até 20 dias.

 

Trabalhadoras dizem que não querem nada além do que trabalharam

Para as funcionárias, a questão não se resume ao contrato entre a Prefeitura e a empresa. Elas afirmam que trabalharam normalmente, cumpriram suas obrigações e agora esperam apenas receber os valores correspondentes ao período trabalhado. Uma delas fez um apelo durante o relato enviado ao portal:

 

“Eu só quero receber. Minhas amigas do trabalho só querem receber o que é nosso. A gente não quer nada de ninguém.”

 

A trabalhadora reforçou que não está pedindo qualquer benefício extraordinário, mas apenas o pagamento pelo trabalho realizado. “Eu quero o que é meu, o que eu trabalhei, o que eu suei. Eu quero sem faltar nenhum centavo.”

Outra funcionária destacou que parte das trabalhadoras continuou exercendo suas funções na unidade mesmo após a mudança da empresa responsável pelos serviços.

 

“A gente continua trabalhando lá pela outra empresa. Você vê que a gente não é ruim, a gente trabalha.”

 

Segundo ela, as funcionárias sempre cumpriram suas tarefas, inclusive em condições difíceis. “A gente trabalhou debaixo de sol, de chuva, mas a gente quer só o que é nosso.”

 

‘A gente trabalha porque precisa’

As declarações das trabalhadoras revelam também o impacto que o atraso provoca dentro das famílias. Uma delas afirmou que as funcionárias não trabalham por opção ou por esporte, mas porque dependem daquela renda para manter suas casas.

 

“A gente não trabalha por esporte. A gente trabalha porque precisa, porque tem família.”

 

Ela também relatou que algumas trabalhadoras chegaram a procurar alternativas para conseguir alimentos, mas que a situação permanece sem solução. “Somos 13 famílias que estão precisando do dinheiro.”

A trabalhadora encerrou o relato com um pedido direto para que a situação seja resolvida. “A gente quer o que é nosso.”

 

O que dizem as partes

De um lado, as trabalhadoras afirmam que estão sem salários e verbas rescisórias e que não conseguem obter informações claras da empresa sobre a data do pagamento.

Do outro, a Prefeitura de Araraquara informou ao portal que existem duas notas em atraso, no valor aproximado de R$ 70 mil, e que pretende efetuar o pagamento à empresa dentro de até 20 dias. A administração também confirmou que o contrato foi encerrado e que outra empresa já assumiu os serviços.

A empresa terceirizada, por sua vez, foi procurada pelo Araraquara Agora após uma de suas representantes informar que o jurídico faria contato com o portal. Até o fechamento da reportagem, entretanto, não houve resposta.

 

‘Não quero nada de ninguém’

Enquanto aguardam uma solução, as trabalhadoras dizem que a preocupação aumenta a cada dia. “Eu estou com aluguel atrasado, água e luz para cortar e faltam coisas dentro de casa”, relatou uma delas.

Outra afirmou que o sentimento entre as colegas é de abandono. “Ninguém fala nada.” E, entre os depoimentos, uma frase resume o pedido feito pelas funcionárias ao longo dos últimos dias:

 

“A gente não quer nada de ninguém. A gente quer o que é nosso.”

 

Outra trabalhadora reforçou: “Eu só quero o que é meu, o que eu trabalhei, o que eu suei.”

O Araraquara Agora acompanha o caso e continuará buscando informações junto à empresa terceirizada, à Prefeitura de Araraquara e às demais partes envolvidas.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

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