SISMAR | PREFEITURA
'Isso é um problema da administração', diz SISMAR sobre crise na limpeza das unidades em Araraquara
Sindicato atribui à Prefeitura a responsabilidade pela solução da paralisação e critica cobrança para que servidores assumam funções de limpeza

A paralisação dos serviços terceirizados da empresa Soluções gerou novasdivergências entre a Prefeitura de Araraquara e o SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) nesta quinta-feira (10).
Durante coletiva de imprensa no Paço Municipal, o secretário de Governo, Leandro Guidolim, criticou a orientação do sindicato para que servidores não realizem atividades que estejam fora de suas atribuições. Segundo ele, a medida dificulta a adoção de ações emergenciais para reduzir os impactos da paralisação.
O secretário disse ter sido surpreendido por uma orientação sindical para que funcionários municipais não realizassem atividades que não estivessem entre suas atribuições. Para Guidolim, diante da situação excepcional, os servidores poderiam colaborar pontualmente para reduzir os efeitos da paralisação.
“Em momento de crise grave, que os funcionários ajudem. Que todos tenham espírito público de que o prejudicado é a população de Araraquara. Pelo menos uma ajudinha”, afirmou.
A declaração ocorreu em meio ao fechamento ou funcionamento parcial de unidades da rede municipal de ensino provocado pela falta de trabalhadores responsáveis pela limpeza. A paralisação da Soluções começou na quarta-feira (9), após a empresa comunicar que poderia suspender os serviços por causa de pagamentos pendentes da Prefeitura.
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Guidolim acusa sindicato de ‘pregar o caos’
Durante a coletiva, o secretário elevou o tom das críticas ao sindicato. “Se dá para passar uma vassoura, se dá para tirar um lixo, eu peço encarecidamente”, declarou. Em seguida, Guidolim afirmou que o SISMAR adotaria uma postura prejudicial à população.
“Vocês jogam contra a população de Araraquara quando vocês pedem que o funcionário não ajude”, disse.
O secretário reforçou que, em sua avaliação, a eventual colaboração dos servidores não deveria ser interpretada como uma ajuda ao prefeito ou à administração. “Não é ajudar o prefeito, não é ajudar administração, ajude a população”, afirmou.
As críticas foram feitas no momento em que a Prefeitura tenta criar alternativas emergenciais para garantir o funcionamento de escolas, creches e outras unidades afetadas pela falta de profissionais.
SISMAR rebate secretário
A representante do SISMAR Suely Scodeler contestou a declaração do secretário e afirmou que a entidade não está incentivando servidores a abandonar suas responsabilidades.
“Ele disse que estávamos instigando os funcionários a não colaborarem. Ele é quem está instigando a população contra os servidores”, afirmou.
Segundo ela, em entrevista a uma emissora de rádio da cidade, os funcionários municipais já trabalham acima da capacidade em razão da falta de pessoal em diferentes setores.
“O funcionário já está ajudando quando trabalha muito mais do que ele é para trabalhar. Porque falta gente em todas as unidades”, declarou.
Suely também classificou como inadequada a cobrança para que servidores assumam funções que não fazem parte de suas atribuições. A representante sindical criticou ainda a forma como, segundo ela, o trabalho dos profissionais da limpeza estaria sendo tratado no debate público.
“Foi ridículo”, afirmou, ao comentar a fala do secretário.
Para o sindicato, a crise não pode ser colocada nas costas dos servidores municipais.
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Educação é apontada como área mais afetada
Durante a manifestação do SISMAR, representantes da entidade também destacaram que os impactos da paralisação seriam especialmente graves na educação. Segundo o sindicato, integrantes visitaram unidades municipais e encontraram locais com atividades praticamente interrompidas.
“O impacto é grande e essas crianças vão sofrer, vão ter que repor os dias e sabemos que o funcionário vai arcar com a reposição dos dias, mas o funcionário está trabalhando neste dias”, afirmou uma representante.
A entidade também disse que a responsabilidade pela solução do problema é da administração municipal.
“Isso é um problema da administração. Ela vai ter que ver se ela vai pagar horas extras para o funcionário, quem vai querer fazer, mas fato é que a educação está quase 100% parada”, declarou.
Veja a entrevista:
Jornal da EP (95,7 FM)
Edição desta quinta-feira (10/09/2026)
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