Fila por Senha
Moradores enfrentam fila e chuva por senha em posto de Araraquara
Prefeitura promete mudança e diz que já contratou mais um médico para a unidade

Moradores do Jardim Altos do Pinheiros 2, em Araraquara, saíram de casa antes do amanhecer nesta quinta-feira (29) para tentar uma vaga de consulta na Unidade de Saúde da Família do bairro. Quem chegou cedo já encontrou a fila formada, debaixo de chuva, com dezenas de pessoas à frente.

Quando o posto abriu, foram distribuídas 100 senhas para o agendamento. O número ficou longe de atender quem esperava. Parte considerável dos moradores voltou para casa sem conseguir sequer a senha, e portanto sem data marcada para ser atendida.
O motivo da correria é o modelo adotado pela unidade: a marcação de consultas acontece em um único dia por mês. Quem não consegue vaga precisa aguardar o ciclo seguinte, o que na prática significa mais de 30 dias sem acesso a atendimento agendado.
Fila, chuva e reclamações no posto do Altos do Pinheiros
Moradores ouvidos pela reportagem apontam o agendamento concentrado como a raiz do problema. Como todas as vagas do mês saem de uma vez só, a procura se acumula em poucas horas e a fila começa ainda de madrugada.
A espera ao relento, piorada pela chuva, pesou sobre idosos e pessoas com condições de saúde que exigem acompanhamento regular. Para quem fica sem senha, resta recorrer a atendimentos de urgência, pensados para casos mais graves e não para consultas de rotina.
O que diz a Prefeitura sobre a marcação de consultas
Procurada, a Prefeitura de Araraquara, pela Secretaria Municipal de Saúde, informou que a USF do Altos do Pinheiros contava até pouco tempo com apenas uma médica de Família e Comunidade. Segundo a pasta, há cerca de dois meses uma segunda profissional da mesma especialidade entrou na equipe para ampliar o número de consultas.
A secretaria explicou que a unidade havia fixado o último dia de cada mês para marcar os atendimentos do mês seguinte, estratégia pensada para reduzir o absenteísmo, o índice de pacientes que marcam e não comparecem. Com a chegada da nova médica, a equipe já recebeu orientação para repensar esse formato, ampliando o número de vagas e o período de marcação, de forma a facilitar o acesso da população. A Prefeitura acrescentou que os servidores também foram orientados sobre a importância do acolhimento e da clareza nas informações passadas aos pacientes.
Moradores cobram prazo para a mudança
A nota da Prefeitura não traz data para o novo modelo entrar em vigor, nem especifica quantas vagas passarão a ser oferecidas por mês ou o que acontece com quem ficou sem senha nesta quinta-feira. São justamente essas as perguntas que os moradores do bairro mais querem ver respondidas.
A Política Nacional de Atenção Básica, definida pela Portaria nº 2.436/2017 do Ministério da Saúde, estabelece que cada equipe de Saúde da Família atenda entre 2 mil e 3,5 mil pessoas, com organização de agenda que garanta acesso contínuo, não restrito a datas pontuais. Por isso, municípios têm adotado modelos como o acesso avançado, em que parte das vagas é liberada no próprio dia ou distribuída ao longo da semana, justamente para evitar filas e reduzir faltas.
A situação na USF do Altos do Pinheiros 2 segue sendo acompanhada, com espaço aberto para novas manifestações da Prefeitura e dos moradores sobre o andamento da mudança no agendamento de consultas.
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